A propósito do Natal

21-01-2012
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A propósito do Natal

O que é uma barriga de aluguer? Portugal vai discuti-las este mês de Janeiro por proposta do BE Não conheço circunstância alguma em que se possa usar o corpo doutra pessoa de forma tão abusiva quanto nas ditas barrigas de aluguer. Em primeiro lugar, a expressão não é adequada porque uma gravidez não é apenas uma questão de barriga. Mesmo que se exclua a parte emocional durante a gravidez – e não vejo como tal seja possível – o corpo é todo ele afectado e é afectado durante largos meses. Mas dá mais jeito isolar esse aluguer de um corpo durante vários meses à barriga como se as mulheres que vivem essas gravidezes fossem umas incubadoras humanas que depois de nove meses de funcionamento entregam o bebé perfeito a uns pais perfeitos. Não existem barrigas de aluguer. Existem corpos que se compram e vendem. Como na prostituição. Sobre esta última desde que praticada entre adultos, livres e auto-determinados acho que é uma questão pessoal e tenho muitas reservas à sua criminalização. Curiosamento ao mesmo tempo que aumenta o discurso sobre a criminalização da prostituição com base em que esta raramente é voluntária, tem-se banalizado e glamorizado esta outra forma de aluguer do corpo. Porquê? Porque se banalizou a ideia de que ter um filho a que se possa chamar seu é um direito que se sobrepõe aos princípios, ao bom senso e aos valores.

A propósito do Natal

O que é uma barriga de aluguer? Portugal vai discuti-las este mês de Janeiro por proposta do BE Não conheço circunstância alguma em que se possa usar o corpo doutra pessoa de forma tão abusiva quanto nas ditas barrigas de aluguer. Em primeiro lugar, a expressão não é adequada porque uma gravidez não é apenas uma questão de barriga. Mesmo que se exclua a parte emocional durante a gravidez – e não vejo como tal seja possível – o corpo é todo ele afectado e é afectado durante largos meses. Mas dá mais jeito isolar esse aluguer de um corpo durante vários meses à barriga como se as mulheres que vivem essas gravidezes fossem umas incubadoras humanas que depois de nove meses de funcionamento entregam o bebé perfeito a uns pais perfeitos. Não existem barrigas de aluguer. Existem corpos que se compram e vendem. Como na prostituição. Sobre esta última desde que praticada entre adultos, livres e auto-determinados acho que é uma questão pessoal e tenho muitas reservas à sua criminalização. Curiosamento ao mesmo tempo que aumenta o discurso sobre a criminalização da prostituição com base em que esta raramente é voluntária, tem-se banalizado e glamorizado esta outra forma de aluguer do corpo. Porquê? Porque se banalizou a ideia de que ter um filho a que se possa chamar seu é um direito que se sobrepõe aos princípios, ao bom senso e aos valores.

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