Em Dezembro de 2008 existiam 1902 produtores, representando 214.442 hectares, segundo os dados mais recentes do ministério. Mas Ângelo Rocha, vice-presidente da Interbio – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, teme que esses números venham a baixar. “Sem um enquadramento político” e um “reconhecimento do Governo de que este tipo de agricultura também é interessante para o país”, será muito difícil conseguir ter expressão nacional, referiu ao PÚBLICO. Na verdade, a área total cultivada com produtos biológicos no Continente deixou de crescer em 2006 e, no ano seguinte, começou mesmo a diminuir.
A proposta que será levada esta tarde ao Ministério da Agricultura propõe que, entre 2012 e 2016, a superfície agrícola utilizada (SAU) em modo biológico aumente dez por cento, chegando aos 750 mil hectares e aos 6000 operadores no mercado. A meta para o volume de negócios é que ultrapasse cem milhões de euros por ano. Actualmente, a Interbio estima que esse montante seja na ordem dos 20 a 22 milhões de euros.
Em 2008, as culturas biológicas com maior área eram as pastagens e forragens (com 71 por cento da área), seguidas das culturas arvenses - como o trigo, cevada, milho e centeio -, com 12 por cento. As frutas representavam apenas um por cento e as hortículas três por cento. Ainda assim, a importação de produtos frescos tem vindo a diminuir.
Quanto aos rebanhos, em 2008 existiam mais de cem mil ovinhos e 70 mil bovinos criados em modo biológico. De acordo com a proposta, existiam ainda mais de 40 mil aves, dez mil suínos e seis mil colmeias.
Por considerar existirem condições, a plataforma que reúne produtores, transformadores e comerciantes desafia António Serrano a promover os produtos biológicos nas refeições de todas as escolas e em todos os hospitais distritais.
“Estes objectivos são perfeitamente exequíveis e nem sequer põem em causa outros tipos de fazer agricultura. Apenas queremos reivindicar um espaço próprio”, comentou Ângelo Rocha, um dos fundadores da Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, que nasceu em 1985. Tanto mais que, adianta o documento, "tem-se observado um crescimento das vendas" de produtos biológicos em grandes superfícies mas também em supermercados especializados e mercados de venda directa.
O responsável lembrou que Portugal é dos poucos países europeus sem um plano nacional para o sector, referindo que em 2004 foi apresentado um plano nacional de desenvolvimento da agricultura biológica mas que nunca chegou a ser implementado por mudanças no Governo.
Cerca de sete anos depois, a agricultura biológica - prevista na Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável - faz nova tentativa. "Na proposta que vamos apresentar está tudo estimado e as contas estão todas feitas", conta Ângelo Rocha. O documento presta atenção especial aos cereais, azeite, hortofrutícolas, vinha e carne e propõe a nomeação de um Coordenador para a política nacional da agricultura biológica e de responsáveis regionais. Além disso, sugere a criação de uma incubadora empresarial e um sistema de microcrédito para os operadores.
De acordo com a proposta, “a agricultura biológica aumenta a biodiversidade, protege os solos, melhora as características nutricionais dos alimentos, assegura o bem-estar animal e contribui para o emprego nas zonas rurais”.
Notícia actualizada às 12h58
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Em Dezembro de 2008 existiam 1902 produtores, representando 214.442 hectares, segundo os dados mais recentes do ministério. Mas Ângelo Rocha, vice-presidente da Interbio – Associação Interprofissional para a Agricultura Biológica, teme que esses números venham a baixar. “Sem um enquadramento político” e um “reconhecimento do Governo de que este tipo de agricultura também é interessante para o país”, será muito difícil conseguir ter expressão nacional, referiu ao PÚBLICO. Na verdade, a área total cultivada com produtos biológicos no Continente deixou de crescer em 2006 e, no ano seguinte, começou mesmo a diminuir.
A proposta que será levada esta tarde ao Ministério da Agricultura propõe que, entre 2012 e 2016, a superfície agrícola utilizada (SAU) em modo biológico aumente dez por cento, chegando aos 750 mil hectares e aos 6000 operadores no mercado. A meta para o volume de negócios é que ultrapasse cem milhões de euros por ano. Actualmente, a Interbio estima que esse montante seja na ordem dos 20 a 22 milhões de euros.
Em 2008, as culturas biológicas com maior área eram as pastagens e forragens (com 71 por cento da área), seguidas das culturas arvenses - como o trigo, cevada, milho e centeio -, com 12 por cento. As frutas representavam apenas um por cento e as hortículas três por cento. Ainda assim, a importação de produtos frescos tem vindo a diminuir.
Quanto aos rebanhos, em 2008 existiam mais de cem mil ovinhos e 70 mil bovinos criados em modo biológico. De acordo com a proposta, existiam ainda mais de 40 mil aves, dez mil suínos e seis mil colmeias.
Por considerar existirem condições, a plataforma que reúne produtores, transformadores e comerciantes desafia António Serrano a promover os produtos biológicos nas refeições de todas as escolas e em todos os hospitais distritais.
“Estes objectivos são perfeitamente exequíveis e nem sequer põem em causa outros tipos de fazer agricultura. Apenas queremos reivindicar um espaço próprio”, comentou Ângelo Rocha, um dos fundadores da Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, que nasceu em 1985. Tanto mais que, adianta o documento, "tem-se observado um crescimento das vendas" de produtos biológicos em grandes superfícies mas também em supermercados especializados e mercados de venda directa.
O responsável lembrou que Portugal é dos poucos países europeus sem um plano nacional para o sector, referindo que em 2004 foi apresentado um plano nacional de desenvolvimento da agricultura biológica mas que nunca chegou a ser implementado por mudanças no Governo.
Cerca de sete anos depois, a agricultura biológica - prevista na Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável - faz nova tentativa. "Na proposta que vamos apresentar está tudo estimado e as contas estão todas feitas", conta Ângelo Rocha. O documento presta atenção especial aos cereais, azeite, hortofrutícolas, vinha e carne e propõe a nomeação de um Coordenador para a política nacional da agricultura biológica e de responsáveis regionais. Além disso, sugere a criação de uma incubadora empresarial e um sistema de microcrédito para os operadores.
De acordo com a proposta, “a agricultura biológica aumenta a biodiversidade, protege os solos, melhora as características nutricionais dos alimentos, assegura o bem-estar animal e contribui para o emprego nas zonas rurais”.
Notícia actualizada às 12h58