Novo Banco renegoceia linhas de tesouraria a PME

12-09-2014
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Novo Banco renegoceia linhas de tesouraria a PME

Mónica Silvares, Lígia Simões e Filipe Alves

00:05

PME das áreas do comércio e serviços estão a ser confrontadas com uma redução dos níveis de tesouraria concedidos pelo banco.

O Novo Banco está a rever o seu nível de exposição às pequenas e médias empresas. O Diário Económico sabe que várias PME, na área do comércio e dos serviços, têm sido confrontadas com uma redução das contas caucionadas, das livranças e do nível de descoberto autorizado. Há ainda casos de redução dos níveis de crédito à exportação.

"Têm-me chegado casos de empresas na área do comércio e dos serviços que têm sido confrontadas com a revisão em baixa dos montantes que o Novo Banco lhes disponibiliza em termos de contas caucionadas, livranças e descoberto bancário autorizado - uma espécie de fundo de maneio", avança ao Diário Económico, Vieira Lopes, o presidente da CCP. Estes instrumentos de tesouraria são normalmente renováveis trimestral ou semestralmente e agora, no momento da renovação, "o banco está a tentar baixar o plafond" que disponibiliza a estas PME, sublinha Vieira Lopes. E acrescenta que a estratégia não é rever em alta as taxas de juro cobradas - antes pelo contrário "o Novo Banco até tem feito ofertas ao nível dos juros" - mas sim "baixar o volume" de crédito de curto prazo. "No comércio há bastantes casos", assegura.

Contactado, o Novo Banco garante ao Económico que "não está a ser feita nenhuma acção nos moldes descritos". "O Novo Banco mantém uma política de apoio as empresas ao nível do crédito com particular destaque para os sectores mais dinâmicos da economia - empresas Winners", acrescenta fonte oficial.

"Antevemos algumas dificuldades na concessão de crédito ou revisão do crédito concedido", reconhece António Saraiva. O presidente da CIP justifica esta antecipação com a necessidade que os bancos têm de cumprir rácios e que se torna mais exigente com a "erosão de depósitos que o novo banco tem sofrido". Recorde-se, contudo, que o Novo Banco não tem de cumprir rácios enquanto durar o período de intervenção.

O Económico confirmou ainda junto de outras associações empresariais se tinham recebido queixas de associados no mesmo sentido. António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho, reconhece: "Fala-se da questão, há uma ou outra empresa". Mas acrescenta: "Não tenho uma amostra suficiente para comprovar uma tendência, sendo que é natural que o banco, agora com uma nova administração e uma nova estratégia, tenha agora outro rigor no momento da renovação das linhas de crédito".

"Em teoria, face à situação não me surpreende que o problema venha a ser colocado", diz Paulo Vaz, presidente da ATP, frisando contudo que "até agora ainda não chegaram casos à ATP". O empresário sublinha, contudo, que esta situação "parece contraditória com a intenção da instituição de manter a confiança e ser atractiva em relação aos habituais interlocutores", mas lembra também que os casos "podem ter a ver com as empresas e não com o Novo Banco".

Novo Banco renegoceia linhas de tesouraria a PME

Mónica Silvares, Lígia Simões e Filipe Alves

00:05

PME das áreas do comércio e serviços estão a ser confrontadas com uma redução dos níveis de tesouraria concedidos pelo banco.

O Novo Banco está a rever o seu nível de exposição às pequenas e médias empresas. O Diário Económico sabe que várias PME, na área do comércio e dos serviços, têm sido confrontadas com uma redução das contas caucionadas, das livranças e do nível de descoberto autorizado. Há ainda casos de redução dos níveis de crédito à exportação.

"Têm-me chegado casos de empresas na área do comércio e dos serviços que têm sido confrontadas com a revisão em baixa dos montantes que o Novo Banco lhes disponibiliza em termos de contas caucionadas, livranças e descoberto bancário autorizado - uma espécie de fundo de maneio", avança ao Diário Económico, Vieira Lopes, o presidente da CCP. Estes instrumentos de tesouraria são normalmente renováveis trimestral ou semestralmente e agora, no momento da renovação, "o banco está a tentar baixar o plafond" que disponibiliza a estas PME, sublinha Vieira Lopes. E acrescenta que a estratégia não é rever em alta as taxas de juro cobradas - antes pelo contrário "o Novo Banco até tem feito ofertas ao nível dos juros" - mas sim "baixar o volume" de crédito de curto prazo. "No comércio há bastantes casos", assegura.

Contactado, o Novo Banco garante ao Económico que "não está a ser feita nenhuma acção nos moldes descritos". "O Novo Banco mantém uma política de apoio as empresas ao nível do crédito com particular destaque para os sectores mais dinâmicos da economia - empresas Winners", acrescenta fonte oficial.

"Antevemos algumas dificuldades na concessão de crédito ou revisão do crédito concedido", reconhece António Saraiva. O presidente da CIP justifica esta antecipação com a necessidade que os bancos têm de cumprir rácios e que se torna mais exigente com a "erosão de depósitos que o novo banco tem sofrido". Recorde-se, contudo, que o Novo Banco não tem de cumprir rácios enquanto durar o período de intervenção.

O Económico confirmou ainda junto de outras associações empresariais se tinham recebido queixas de associados no mesmo sentido. António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho, reconhece: "Fala-se da questão, há uma ou outra empresa". Mas acrescenta: "Não tenho uma amostra suficiente para comprovar uma tendência, sendo que é natural que o banco, agora com uma nova administração e uma nova estratégia, tenha agora outro rigor no momento da renovação das linhas de crédito".

"Em teoria, face à situação não me surpreende que o problema venha a ser colocado", diz Paulo Vaz, presidente da ATP, frisando contudo que "até agora ainda não chegaram casos à ATP". O empresário sublinha, contudo, que esta situação "parece contraditória com a intenção da instituição de manter a confiança e ser atractiva em relação aos habituais interlocutores", mas lembra também que os casos "podem ter a ver com as empresas e não com o Novo Banco".

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