“(N)A representação proporcional (…) o eleitorado é levado a encarar como uma mera flutuação temporária da popularidade – e não um veredicto de “Culpado” – a perda de cinco ou dez por cento dos votos sofrida por um partido. Com o decurso do tempo, o povo habitua-se à ideia de que nenhum partido ou nenhum dos seus líderes pode ser responsabilizado pelas suas decisões.” Karl Popper, “A Conferência de Lisboa,”, “Em Busca de um Mundo Melhor, Lisboa, Editorial Fragmentos, 1992, pp. 221-230.
O Tomás Belchior chamou aqui a atenção para as consequências negativas dos círculos uninominais: um partido pode ter uma percentagem elevada dos votos, mas poucos deputados, devido à dispersão do seu eleitorado.
Sucede que os círculos uninominais, e principalmente os do Reino Unido que são a uma volta, não servem apenas para escolher quem é eleito. Servem, essencialmente, para controlar quem é eleito. Socorrendo-me de Karl Popper e da conferência que este proferiu em Lisboa, se não me engano em 1987, se o sistema de representação proporcional conduz ao surgimento de muitos partidos, cria outros problemas como sejam a difícil governabilidade do país. Como é bastante custoso obter a maioria absoluta, os eleitores, de um sistema proporcional, não votam contra o partido de governo e facilmente se decidem a votar nos mais pequenos. As consequências são essencialmente duas e, ambas, negativas: Não só os pequenos partidos adquirem uma importância que não têm (por dependerem deles, mesmo com poucos votos) a viabilização dos governos, como também, o partido de governo não é devidamente punido. É esta falta de dura punição eleitoral que explica, em grande parte, a estagnação do PS e do PSD em Portugal. Para quê renovar, se a derrota nunca é dolorosa? Se a culpa nunca lhes é imputada?
Dirá o Tomás que o sistema uninominal no Reino Unido está a proteger os grandes partidos, impedindo-os de serem devidamente punidos, e serem substituídos pelos Liberais-Democratas. Em parte, e caso siga este raciocínio, terá razão. Porém, mais importante que o partido que ascende ao poder é saber no que é que ele consiste. E aqui reside a renovação interna que os círculos uninominais, não só favorece, como obriga. Quem ouça as declarações de David Cameron ou de Gordon Brown sobre as sondagens que dão excelentes resultados a Nick Clegg, facilmente se surpreende com a rapidez com que o novo alvo é reconhecido. Para os conservadores, é mesmo o homem a abater.
O que assistimos no Reino Unido é um importante terramoto político, resultado da incapacidade de renovação dos conservadores que escolheram (na minha opinião) o fraco líder que é David Cameron. Ao que parece, os tories mudaram de discurso, mas não acertaram no que queria o eleitorado. Independentemente de todas as análises que possam ser feitas, não nos podemos esquecer que esta não é a primeira vez que tal sucede. A história pode-se repetir e os próximos tempos (talvez anos) nos dirão qual dos três, não se alterando o sistema, ficará de fora. Dir-nos-á também qual será a essência ideológica dos dois sobreviventes.
“(N)A representação proporcional (…) o eleitorado é levado a encarar como uma mera flutuação temporária da popularidade – e não um veredicto de “Culpado” – a perda de cinco ou dez por cento dos votos sofrida por um partido. Com o decurso do tempo, o povo habitua-se à ideia de que nenhum partido ou nenhum dos seus líderes pode ser responsabilizado pelas suas decisões.” Karl Popper, “A Conferência de Lisboa,”, “Em Busca de um Mundo Melhor, Lisboa, Editorial Fragmentos, 1992, pp. 221-230.
O Tomás Belchior chamou aqui a atenção para as consequências negativas dos círculos uninominais: um partido pode ter uma percentagem elevada dos votos, mas poucos deputados, devido à dispersão do seu eleitorado.
Sucede que os círculos uninominais, e principalmente os do Reino Unido que são a uma volta, não servem apenas para escolher quem é eleito. Servem, essencialmente, para controlar quem é eleito. Socorrendo-me de Karl Popper e da conferência que este proferiu em Lisboa, se não me engano em 1987, se o sistema de representação proporcional conduz ao surgimento de muitos partidos, cria outros problemas como sejam a difícil governabilidade do país. Como é bastante custoso obter a maioria absoluta, os eleitores, de um sistema proporcional, não votam contra o partido de governo e facilmente se decidem a votar nos mais pequenos. As consequências são essencialmente duas e, ambas, negativas: Não só os pequenos partidos adquirem uma importância que não têm (por dependerem deles, mesmo com poucos votos) a viabilização dos governos, como também, o partido de governo não é devidamente punido. É esta falta de dura punição eleitoral que explica, em grande parte, a estagnação do PS e do PSD em Portugal. Para quê renovar, se a derrota nunca é dolorosa? Se a culpa nunca lhes é imputada?
Dirá o Tomás que o sistema uninominal no Reino Unido está a proteger os grandes partidos, impedindo-os de serem devidamente punidos, e serem substituídos pelos Liberais-Democratas. Em parte, e caso siga este raciocínio, terá razão. Porém, mais importante que o partido que ascende ao poder é saber no que é que ele consiste. E aqui reside a renovação interna que os círculos uninominais, não só favorece, como obriga. Quem ouça as declarações de David Cameron ou de Gordon Brown sobre as sondagens que dão excelentes resultados a Nick Clegg, facilmente se surpreende com a rapidez com que o novo alvo é reconhecido. Para os conservadores, é mesmo o homem a abater.
O que assistimos no Reino Unido é um importante terramoto político, resultado da incapacidade de renovação dos conservadores que escolheram (na minha opinião) o fraco líder que é David Cameron. Ao que parece, os tories mudaram de discurso, mas não acertaram no que queria o eleitorado. Independentemente de todas as análises que possam ser feitas, não nos podemos esquecer que esta não é a primeira vez que tal sucede. A história pode-se repetir e os próximos tempos (talvez anos) nos dirão qual dos três, não se alterando o sistema, ficará de fora. Dir-nos-á também qual será a essência ideológica dos dois sobreviventes.