PSD teme que derrota lance “nervosismo nos partidos” da coligação

18-05-2014
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PSD teme que derrota lance “nervosismo nos partidos” da coligação

Márcia Galrão

marcia.galrao@economico.pt

18:20

Rangel garante que “não sairão consequências para a governabilidade”, mas coligação de 2015 pode ser difícil.

As bandeiras agitam-se nas ruas para a campanha das europeias, mas nos partidos a luta já é outra: as legislativas de 2015. De olhos postos nesse futuro, o PSD joga duas alternativas: ou a derrota nestas europeias é pesada e aí "o nervosismo nos partidos da coligação vai aumentar" ou ficam colados ao PS e mantêm a esperança de chegar ao novo ano em condições de disputar o resultado com Seguro, antecipa um alto dirigente social-democrata.

Ainda assim o cabeça-de-lista Paulo Rangel garante: "Destas eleições não sairão consequências para a governabilidade". Até porque acredita que elas são sobretudo "um teste à liderança do PS", que mostram "preocupação com o resultado"ao apresentarem já um programa de Governo.

Se é certo que Paulo Rangel e Nuno Melo têm mantido a união e coesão da coligação a cada quilómetro percorrido, a convivência das máquinas e a conciliação de duas vontades partidárias nem sempre tem sido fácil. Aumentam as dúvidas de que em 2015 o cenário se possa repetir. Paulo Portas não gosta de ser colocado em segundo plano e vai medir muito bem as vantagens de perder a sua identidade perante uma máquina laranja que acaba sempre por se sobrepor.

A notícia de que a economia não cresceu no primeiro trimestre lançou a cautela - mesmo que Paulo Rangel tenha insistido no crescimento homólogo - e o rumo da consolidação orçamental, jogada com a margem para dar boas notícias aos portugueses, é vista como fundamental para manter a coligação intacta até novas eleições. No CDS assume-se que o Governo é para manter até ao final da legislatura. "Mas em 2015 a história já vai ser outra", diz um centrista próximo de Portas ao Diário Económico.

As declarações de Passos Coelho na semana passada, assumindo um possível consenso com o PS num futuro Governo caiu mal entre os centristas. Voltaram a ouvir-se queixas de "deslealdade" e não foi por acaso que Portas fez questão de manter iniciativas próprias durante o fim-de-semana. Festejou a saída da ‘troika' numa conferência no Caldas e, no domingo, ainda se pensou numa possível divisão da caravana que permitisse a Nuno Melo estar ao lado de Portas na visita que organizou com Jean Claude Juncker numa quinta em Mafra.

Os jotas antecipam nos cânticos a vitória da Aliança, Melo e Rangel gritam confiança a cada discurso, mas será que internamente PSD e CDS acreditam nessa vitória? "É muito difícil", assumem dirigentes dos dois partidos.

Os candidatos vão fazendo o que podem. As ruas estão vazias, o povo não está para conversas. A grande luta é contra a abstenção e, todos antecipam, que no final ela acabará talvez por beneficiar a oposição.

Sócrates deu um motivo para ter alguma esperança num bom resultado. "Vocês têm de agarrar isso com todos os dentes", aconselha a Melo um dirigente do PSD. E os candidatos têm seguido o conselho. Desde que o PS assumiu que o ex-primeiro-ministro aparecerá ao lado de Assis e Seguro no encerramento da campanha, a Aliança Portugal ganhou um aliado: o fantasma do regresso de Sócrates para acenar a quem, no país, ainda não o esqueceu. "O que nos vale é que ainda há quem odeie mais Sócrates do que este Governo".

Juncker promete respeito aos países do Sul

Ao trunfo da saída da troika, a Aliança teve outro apoio de peso. Jean-Claude Juncker, candidato do PPE à Comissão Europeia, fez campanha ao lado de Rangel e Melo. Apontou o dedo aos socialistas, culpando-os pelo resgate dos últimos três anos. E colocou o dedo num dos maiores orgulhos do país: os Descobrimentos, com críticas ao despesismo de Colombo. Pediu para que não se acredite no PS e fez questão de assinar também o manifesto "Nunca Mais" de Nogueira Leite. Elogiou o esforço dos portugueses e garantiu que não voltará a deixar que "não se respeite a dignidade da Europa do Sul".

E num fim-de-semana em que o PS apresentou o programa de Governo, a coligação não deu mostras de preocupação. Criticaram o "oportunismo" e viram no cardápio "uma volta ao passado em 80 medidas: 40 que aumentam despesa e 40 que baixam impostos", disse Melo.

PSD teme que derrota lance “nervosismo nos partidos” da coligação

Márcia Galrão

marcia.galrao@economico.pt

18:20

Rangel garante que “não sairão consequências para a governabilidade”, mas coligação de 2015 pode ser difícil.

As bandeiras agitam-se nas ruas para a campanha das europeias, mas nos partidos a luta já é outra: as legislativas de 2015. De olhos postos nesse futuro, o PSD joga duas alternativas: ou a derrota nestas europeias é pesada e aí "o nervosismo nos partidos da coligação vai aumentar" ou ficam colados ao PS e mantêm a esperança de chegar ao novo ano em condições de disputar o resultado com Seguro, antecipa um alto dirigente social-democrata.

Ainda assim o cabeça-de-lista Paulo Rangel garante: "Destas eleições não sairão consequências para a governabilidade". Até porque acredita que elas são sobretudo "um teste à liderança do PS", que mostram "preocupação com o resultado"ao apresentarem já um programa de Governo.

Se é certo que Paulo Rangel e Nuno Melo têm mantido a união e coesão da coligação a cada quilómetro percorrido, a convivência das máquinas e a conciliação de duas vontades partidárias nem sempre tem sido fácil. Aumentam as dúvidas de que em 2015 o cenário se possa repetir. Paulo Portas não gosta de ser colocado em segundo plano e vai medir muito bem as vantagens de perder a sua identidade perante uma máquina laranja que acaba sempre por se sobrepor.

A notícia de que a economia não cresceu no primeiro trimestre lançou a cautela - mesmo que Paulo Rangel tenha insistido no crescimento homólogo - e o rumo da consolidação orçamental, jogada com a margem para dar boas notícias aos portugueses, é vista como fundamental para manter a coligação intacta até novas eleições. No CDS assume-se que o Governo é para manter até ao final da legislatura. "Mas em 2015 a história já vai ser outra", diz um centrista próximo de Portas ao Diário Económico.

As declarações de Passos Coelho na semana passada, assumindo um possível consenso com o PS num futuro Governo caiu mal entre os centristas. Voltaram a ouvir-se queixas de "deslealdade" e não foi por acaso que Portas fez questão de manter iniciativas próprias durante o fim-de-semana. Festejou a saída da ‘troika' numa conferência no Caldas e, no domingo, ainda se pensou numa possível divisão da caravana que permitisse a Nuno Melo estar ao lado de Portas na visita que organizou com Jean Claude Juncker numa quinta em Mafra.

Os jotas antecipam nos cânticos a vitória da Aliança, Melo e Rangel gritam confiança a cada discurso, mas será que internamente PSD e CDS acreditam nessa vitória? "É muito difícil", assumem dirigentes dos dois partidos.

Os candidatos vão fazendo o que podem. As ruas estão vazias, o povo não está para conversas. A grande luta é contra a abstenção e, todos antecipam, que no final ela acabará talvez por beneficiar a oposição.

Sócrates deu um motivo para ter alguma esperança num bom resultado. "Vocês têm de agarrar isso com todos os dentes", aconselha a Melo um dirigente do PSD. E os candidatos têm seguido o conselho. Desde que o PS assumiu que o ex-primeiro-ministro aparecerá ao lado de Assis e Seguro no encerramento da campanha, a Aliança Portugal ganhou um aliado: o fantasma do regresso de Sócrates para acenar a quem, no país, ainda não o esqueceu. "O que nos vale é que ainda há quem odeie mais Sócrates do que este Governo".

Juncker promete respeito aos países do Sul

Ao trunfo da saída da troika, a Aliança teve outro apoio de peso. Jean-Claude Juncker, candidato do PPE à Comissão Europeia, fez campanha ao lado de Rangel e Melo. Apontou o dedo aos socialistas, culpando-os pelo resgate dos últimos três anos. E colocou o dedo num dos maiores orgulhos do país: os Descobrimentos, com críticas ao despesismo de Colombo. Pediu para que não se acredite no PS e fez questão de assinar também o manifesto "Nunca Mais" de Nogueira Leite. Elogiou o esforço dos portugueses e garantiu que não voltará a deixar que "não se respeite a dignidade da Europa do Sul".

E num fim-de-semana em que o PS apresentou o programa de Governo, a coligação não deu mostras de preocupação. Criticaram o "oportunismo" e viram no cardápio "uma volta ao passado em 80 medidas: 40 que aumentam despesa e 40 que baixam impostos", disse Melo.

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