Os críticos de Correia de Campos e de Isabel Pires de Lima obtiveram o que queriam: Sócrates serviu-lhes a cabeça dos ministro numa bandeja, tão prontamente que acabou por surpreender. O primeiro-ministro está a revelar-se, com efeito, um "expert" em trocar as voltas aos comentadores/observadores políticos: primeiro cria (ou deixa que se crie, o que vai dar ao mesmo) a imagem de que jamais fará o que lhe pedem e, aliás, que quanto mais lhe pedirem menos ele fará; e depois age ao contrário, fazendo o que lhe pediram mas quando menos se esperava. O que no caso de Correia de Campos até se compreende: era um caso de urgências... E urgente. O homem já dera a volta ao contador das explicações públicas e não havia maneira de se fazer entender. Como o próprio explicara ao Expresso, via em cada momento de crise uma oportunidade a não desperdiçar, não tendo percebido (até ao último instante, ao que parece) que o excesso de justificação pode resultar tão mal (ou pior) como défice de comunicação. Se havia sinais que o PM não podia ignorar eram os de "perigo" que se acendiam, ultimamente, sempre que Correia de Campos falava. Ao substituí-lo, há que reconhecê-lo, Sócrates mata vários coelhos de uma cajadada: 1) estanca a hemorragia de críticas à política de Saúde deste Governo - quando nem é certo, pelo contrário, que a morte do mensageiro signifique a mudança da mensagem; 2) tranquiliza os sectores mais à esquerda do PS, preocupados com a desvalorização por este Executivo do conceito de Serviço Nacional de Saúde - a começar em Manuel Alegre, que ficou naturalmente satisfeito com a substituição de Correia de Campos, tanto mais que por alguém que foi sua destacada apoiante nas últimas presidenciais; 3) cala a oposição que vinha insistentemente reivindicando mudanças no Executivo - sendo que no meio da borrasca que 'sacrificou' Correia de Campos e Isabel Pires de Lima, salva Manuel Pinho e Mário Lino (de cuja presença no Executivo, diz-se, lhe custaria horrores prescindir); 4) e, "last but not least", recauchuta o Governo, ganhando precioso tempo para fazer o que falta até 2009: governar, sem se deixar distrair por "fait divers", numa conjuntura económica internacional que cada vez promete menores margens de manobra para fazer brilharetes orçamentais que se traduzam em votos.
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Os críticos de Correia de Campos e de Isabel Pires de Lima obtiveram o que queriam: Sócrates serviu-lhes a cabeça dos ministro numa bandeja, tão prontamente que acabou por surpreender. O primeiro-ministro está a revelar-se, com efeito, um "expert" em trocar as voltas aos comentadores/observadores políticos: primeiro cria (ou deixa que se crie, o que vai dar ao mesmo) a imagem de que jamais fará o que lhe pedem e, aliás, que quanto mais lhe pedirem menos ele fará; e depois age ao contrário, fazendo o que lhe pediram mas quando menos se esperava. O que no caso de Correia de Campos até se compreende: era um caso de urgências... E urgente. O homem já dera a volta ao contador das explicações públicas e não havia maneira de se fazer entender. Como o próprio explicara ao Expresso, via em cada momento de crise uma oportunidade a não desperdiçar, não tendo percebido (até ao último instante, ao que parece) que o excesso de justificação pode resultar tão mal (ou pior) como défice de comunicação. Se havia sinais que o PM não podia ignorar eram os de "perigo" que se acendiam, ultimamente, sempre que Correia de Campos falava. Ao substituí-lo, há que reconhecê-lo, Sócrates mata vários coelhos de uma cajadada: 1) estanca a hemorragia de críticas à política de Saúde deste Governo - quando nem é certo, pelo contrário, que a morte do mensageiro signifique a mudança da mensagem; 2) tranquiliza os sectores mais à esquerda do PS, preocupados com a desvalorização por este Executivo do conceito de Serviço Nacional de Saúde - a começar em Manuel Alegre, que ficou naturalmente satisfeito com a substituição de Correia de Campos, tanto mais que por alguém que foi sua destacada apoiante nas últimas presidenciais; 3) cala a oposição que vinha insistentemente reivindicando mudanças no Executivo - sendo que no meio da borrasca que 'sacrificou' Correia de Campos e Isabel Pires de Lima, salva Manuel Pinho e Mário Lino (de cuja presença no Executivo, diz-se, lhe custaria horrores prescindir); 4) e, "last but not least", recauchuta o Governo, ganhando precioso tempo para fazer o que falta até 2009: governar, sem se deixar distrair por "fait divers", numa conjuntura económica internacional que cada vez promete menores margens de manobra para fazer brilharetes orçamentais que se traduzam em votos.