Berardo em guerra com Pires de Lima

29-02-2008
marcar artigo

Barreto e Júdice na SIC Notícias Fisco envia ‘mails’ Severiano chama embaixador dos EUA Bispo da Guarda contra desertificação Governo pressionou Pinto Monteiro

Choques eléctricos nos EUA Quénia preocupa UE Al-Qaeda ataca na Bélgica Zimbabwe mais perto de Moçambique

Seis meses do museu no CCB

Berardo em guerra com Pires de Lima

As relações entre Joe Berardo e a ministra da Cultura continuam tensas. Apesar dos recordes do Museu Berardo Alterar tamanho Joe e Renato Berardo junto a um dos milhares de budas importados da China para construir o Jardim Oriental, próximo do Bombarral FOTO NUNO BOTELHO

Joe Berardo fecha o ano com mais uma polémica: acusa a ministra da Cultura de não ter pago 1,5 milhões de euros à fundação que gere o museu instalado, desde 25 de Junho, no CCB. Ou seja, diz o comendador, falta metade da verba prevista no contrato estabelecido entre ele e o Estado. Joe Berardo fecha o ano com mais uma polémica: acusa a ministra da Cultura de não ter pago 1,5 milhões de euros à fundação que gere o museu instalado, desde 25 de Junho, no CCB. Ou seja, diz o comendador, falta metade da verba prevista no contrato estabelecido entre ele e o Estado. Na Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo (composta por quase 900 obras) têm assento a família Berardo, o CCB (dono dos quase 9 mil metros quadrados ocupados pelo acervo) e o Ministério tutelado por Isabel Pires de Lima. “O Ministério cumpriu em 2007 todas as suas obrigações financeiras com a fundação”, disse ao Expresso uma fonte do gabinete de Isabel Pires de Lima. “O montante da participação do Ministério no orçamento de funcionamento do museu em 2007 foi de 3 milhões de euros”, frisou. A mesma fonte acrescentou que foram ainda entregues 500 mil euros para o Fundo de Compras da fundação, um mecanismo comparticipado por Berardo e pelo qual todos os anos se conseguem fazer novas aquisições. É precisamente pelo facto de as contas não estarem acertadas, avisa o comendador, que não há, por enquanto, novos fundadores. A entrada de mais elementos na fundação está prevista no acordo e serve como combustível para as despesas de funcionamento e para manter gratuita a entrada. Apesar dos contratempos, a administração decidiu esta semana que em 2008 os visitantes continuarão a ter entrada livre, um objectivo de Joe Berardo, que constantemente recorda que em pequeno não tinha dinheiro para comprar sapatos e muito menos para entrar num museu. “Se não pagamos para entrar na praia ou numa igreja, porque havemos de pagar para entrar no museu? Para Portugal mudar, é preciso que as pessoas possam abrir a imaginação, e por isso continuarei a fazer tudo para permitir o acesso do povo à arte. Mas é preciso que os contratos sejam cumpridos”. O homem que tem actualmente expostas mais de cinco mil peças, em Portugal e no estrangeiro, vibra quando faz de guia da sua própria exposição. “Adoro este artista, é tão visionário”, exclama, apontando para uma obra de Oskar Schlemmer. Gosta também muito do quadro do chileno Roberto Matta e de muitos outros, que vai apontando à medida que passa pelas obras. Recusa-se, porém, a dizer qual a peça predilecta. “Isso iria magoar os outros artistas”. Durante a visita, confessou que continua a guardar o primeiro ‘quadro’ que comprou, um «poster» da Mona Lisa adquirido numa loja de móveis sul-africana nas vésperas de se casar. Só quando chegou a casa percebeu que comprara uma réplica de uma das obras mais famosas do mundo, fechada a sete chaves no Louvre. Hoje, com muito mais conhecimentos da arte e do negócio, o comendador diz que gostava de ser o dono de ‘A Última Ceia’, um mural que Leonardo Da Vinci pintou num convento em Milão. Mas o coleccionador não se pode queixar: nas obras patentes no Centro de Exposições do CCB encontram-se os nomes mais sonantes da arte do século XX e do início do XXI. Francis Bacon, Picasso, Dalí, Miró, Siza Vieira, Andy Warhol e Marcel Duchamp são apenas alguns. Não havendo espaço para exibir em simultâneo as quase 900 obras que compõem esta colecção, o museu optou por um esquema de rotatividade. O princípio é o mesmo que Berardo adoptou em casa e nos escritórios. De três em três meses muda os quadros das suas paredes. Uma escultura de John De Andrea (um casal numa atitude íntima) ou o ‘Néctar’ de Joana Vasconcelos, à entrada do museu, foram a grande atracção do passado sábado. São poucos os que ficam indiferentes à enorme estrutura com inúmeras garrafas verdes, de Joana Vasconcelos. Da escultura de De Andrea são raros os que se aproximam. Há mesmo quem olhe de soslaio e faça comentários entredentes. Também Mega Ferreira, o presidente do CCB que teve uma desavença com Berardo por ocasião da inauguração, aplaude o número de visitantes. Apesar de ter perdido o espaço das exposições, o CCB, com música, dança e circo, continua a ter casa cheia.

Monica Contreras

ENTRE ÓBIDOS E O BOMBARRAL

Budas, soldados e uma igreja Depois de ter visto a destruição dos budas do Afeganistão pelos talibãs, o pai deu a ideia: “Vamos construir um jardim da paz”. Renato Berardo, de 36 anos e dono de um diploma em Gestão tirado em Inglaterra, está a executá-la. No Verão, a família vai abrir ao público um jardim gigantesco - com 30 hectares, situado entre Óbidos e o Bombarral -, com centenas ou milhares de budas (o número é desconhecido, porque muitos dos blocos de pedra estão encaixotados), lanternas e réplicas dos soldados de terracota descobertos nos anos 70 em Xian, no mausoléu de um imperador do século III a.C. Veio tudo da China. Ao todo, seis mil toneladas de peças em granito e mármore. Os 700 soldados, que ficarão num vale, estão a ser pintados nas cores originais. Haverá ainda uma ligação à igreja da localidade. Será introduzido um símbolo da religião muçulmana. “É um espaço para reflectir e promover a tolerância entre os homens”, afirma Joe Berardo.

NÚMEROS

240

mil visitantes teve o Museu Colecção Berardo em seis meses; mais do que o Museu dos Coches, que nos primeiros 11 meses do ano teve 210 mil 1,1

milhões de euros foram gastos pela fundação que gere o Museu Colecção Berardo na aquisição de 27 novas peças 60,8

mil espectadores teve o CCB em 2006/07; somam-se outros 200 mil que assistiram a espectáculos gratuitos

Barreto e Júdice na SIC Notícias Fisco envia ‘mails’ Severiano chama embaixador dos EUA Bispo da Guarda contra desertificação Governo pressionou Pinto Monteiro

Choques eléctricos nos EUA Quénia preocupa UE Al-Qaeda ataca na Bélgica Zimbabwe mais perto de Moçambique

Seis meses do museu no CCB

Berardo em guerra com Pires de Lima

As relações entre Joe Berardo e a ministra da Cultura continuam tensas. Apesar dos recordes do Museu Berardo Alterar tamanho Joe e Renato Berardo junto a um dos milhares de budas importados da China para construir o Jardim Oriental, próximo do Bombarral FOTO NUNO BOTELHO

Joe Berardo fecha o ano com mais uma polémica: acusa a ministra da Cultura de não ter pago 1,5 milhões de euros à fundação que gere o museu instalado, desde 25 de Junho, no CCB. Ou seja, diz o comendador, falta metade da verba prevista no contrato estabelecido entre ele e o Estado. Joe Berardo fecha o ano com mais uma polémica: acusa a ministra da Cultura de não ter pago 1,5 milhões de euros à fundação que gere o museu instalado, desde 25 de Junho, no CCB. Ou seja, diz o comendador, falta metade da verba prevista no contrato estabelecido entre ele e o Estado. Na Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo (composta por quase 900 obras) têm assento a família Berardo, o CCB (dono dos quase 9 mil metros quadrados ocupados pelo acervo) e o Ministério tutelado por Isabel Pires de Lima. “O Ministério cumpriu em 2007 todas as suas obrigações financeiras com a fundação”, disse ao Expresso uma fonte do gabinete de Isabel Pires de Lima. “O montante da participação do Ministério no orçamento de funcionamento do museu em 2007 foi de 3 milhões de euros”, frisou. A mesma fonte acrescentou que foram ainda entregues 500 mil euros para o Fundo de Compras da fundação, um mecanismo comparticipado por Berardo e pelo qual todos os anos se conseguem fazer novas aquisições. É precisamente pelo facto de as contas não estarem acertadas, avisa o comendador, que não há, por enquanto, novos fundadores. A entrada de mais elementos na fundação está prevista no acordo e serve como combustível para as despesas de funcionamento e para manter gratuita a entrada. Apesar dos contratempos, a administração decidiu esta semana que em 2008 os visitantes continuarão a ter entrada livre, um objectivo de Joe Berardo, que constantemente recorda que em pequeno não tinha dinheiro para comprar sapatos e muito menos para entrar num museu. “Se não pagamos para entrar na praia ou numa igreja, porque havemos de pagar para entrar no museu? Para Portugal mudar, é preciso que as pessoas possam abrir a imaginação, e por isso continuarei a fazer tudo para permitir o acesso do povo à arte. Mas é preciso que os contratos sejam cumpridos”. O homem que tem actualmente expostas mais de cinco mil peças, em Portugal e no estrangeiro, vibra quando faz de guia da sua própria exposição. “Adoro este artista, é tão visionário”, exclama, apontando para uma obra de Oskar Schlemmer. Gosta também muito do quadro do chileno Roberto Matta e de muitos outros, que vai apontando à medida que passa pelas obras. Recusa-se, porém, a dizer qual a peça predilecta. “Isso iria magoar os outros artistas”. Durante a visita, confessou que continua a guardar o primeiro ‘quadro’ que comprou, um «poster» da Mona Lisa adquirido numa loja de móveis sul-africana nas vésperas de se casar. Só quando chegou a casa percebeu que comprara uma réplica de uma das obras mais famosas do mundo, fechada a sete chaves no Louvre. Hoje, com muito mais conhecimentos da arte e do negócio, o comendador diz que gostava de ser o dono de ‘A Última Ceia’, um mural que Leonardo Da Vinci pintou num convento em Milão. Mas o coleccionador não se pode queixar: nas obras patentes no Centro de Exposições do CCB encontram-se os nomes mais sonantes da arte do século XX e do início do XXI. Francis Bacon, Picasso, Dalí, Miró, Siza Vieira, Andy Warhol e Marcel Duchamp são apenas alguns. Não havendo espaço para exibir em simultâneo as quase 900 obras que compõem esta colecção, o museu optou por um esquema de rotatividade. O princípio é o mesmo que Berardo adoptou em casa e nos escritórios. De três em três meses muda os quadros das suas paredes. Uma escultura de John De Andrea (um casal numa atitude íntima) ou o ‘Néctar’ de Joana Vasconcelos, à entrada do museu, foram a grande atracção do passado sábado. São poucos os que ficam indiferentes à enorme estrutura com inúmeras garrafas verdes, de Joana Vasconcelos. Da escultura de De Andrea são raros os que se aproximam. Há mesmo quem olhe de soslaio e faça comentários entredentes. Também Mega Ferreira, o presidente do CCB que teve uma desavença com Berardo por ocasião da inauguração, aplaude o número de visitantes. Apesar de ter perdido o espaço das exposições, o CCB, com música, dança e circo, continua a ter casa cheia.

Monica Contreras

ENTRE ÓBIDOS E O BOMBARRAL

Budas, soldados e uma igreja Depois de ter visto a destruição dos budas do Afeganistão pelos talibãs, o pai deu a ideia: “Vamos construir um jardim da paz”. Renato Berardo, de 36 anos e dono de um diploma em Gestão tirado em Inglaterra, está a executá-la. No Verão, a família vai abrir ao público um jardim gigantesco - com 30 hectares, situado entre Óbidos e o Bombarral -, com centenas ou milhares de budas (o número é desconhecido, porque muitos dos blocos de pedra estão encaixotados), lanternas e réplicas dos soldados de terracota descobertos nos anos 70 em Xian, no mausoléu de um imperador do século III a.C. Veio tudo da China. Ao todo, seis mil toneladas de peças em granito e mármore. Os 700 soldados, que ficarão num vale, estão a ser pintados nas cores originais. Haverá ainda uma ligação à igreja da localidade. Será introduzido um símbolo da religião muçulmana. “É um espaço para reflectir e promover a tolerância entre os homens”, afirma Joe Berardo.

NÚMEROS

240

mil visitantes teve o Museu Colecção Berardo em seis meses; mais do que o Museu dos Coches, que nos primeiros 11 meses do ano teve 210 mil 1,1

milhões de euros foram gastos pela fundação que gere o Museu Colecção Berardo na aquisição de 27 novas peças 60,8

mil espectadores teve o CCB em 2006/07; somam-se outros 200 mil que assistiram a espectáculos gratuitos

marcar artigo