Lisboa, 04 Mar (Lusa) - Especialistas editoriais defendem que o futuro de livros e jornais passa pelos leitores digitais, cenário reforçado pelo actual "tempo de crise" no sector e pelo lançamento de diversos novos equipamentos.
Livros digitais (eBooks) e jornais em formato digital, ambos lidos em equipamentos como computadores, PDAs ou leitores próprios, são uma realidade actual vista por Filipe Luís, editor executivo Multimédia da revista Visão, como "o futuro" do mercado da escrita.
O jornalista manifestou à Lusa uma dupla relação com as novas tecnologias de leitura.
A nível emocional, Filipe Luís vê com "pena e nostalgia" a implementação deste tipo de "gadgets", reconhecendo no entanto que a nível profissional os equipamentos de leitura constituem "o futuro".
Se, por um lado, o eBook não alterará, a nível pessoal, o "hábito de ler e tactear um livro", por outro, sustenta o editor, "há que reagir sem hostilidade aos avanços tecnológicos, que permitirão aos jornalistas redobrar as suas capacidades para comunicar".
No que diz respeito à Visão, Filipe Luís reconhece que "em teoria" já foi "equacionada" uma complementaridade entre a edição em papel e uma versão digital.
Isabel Coutinho, jornalista do Público e responsável pela coluna e blogue Ciberescritas, "sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura", acredita que em Portugal as pessoas "estão curiosas" com presença dos leitores digitais nos mercados das artes.
No que concerne à presença de órgãos de imprensa no mercado dos leitores digitais, a jornalista sustentou à Lusa que "o futuro dos jornais vai passar por estes aparelhos. E em tempo de crise ainda mais".
Os eBooks em língua portuguesa à venda "são quase inexistentes", sustenta a jornalista, "o que para a maioria das pessoas é um problema".
Hugo Xavier, editor da Cavalo de Ferro, que recentemente aderiu à rede social online Twitter, afirmou à Lusa no começo do mês de Fevereiro que "em Portugal não existe mercado suficiente para lançamentos digitais regulares".
"Em França, por exemplo, um grande leitor é aquele que lê dez livros num mês, ao passo que em Portugal é o que lê esse mesmo número de livros num ano", sustenta o editor.
Em paralelo com a comercialização digital de obras, iniciativas como o Projecto Gutenberg, "o primeiro produtor de livros electrónicos grátis", têm contribuído para o acervo de livros disponibilizados na Internet.
O Projecto Gutenberg surgiu nos EUA e incita voluntários à digitalização de obras anteriores a 1923, única condição no país para a distribuição legal das obras.
Já em Portugal, a juntar a esta circunstância, acresce a obrigatoriedade dos livros a disponibilizar terem sido escritos durante a vida do autor, tendo este falecido há pelo menos 70 anos.
A multinacional Amazon disponibilizou no final do mês de Fevereiro o Kindle 2.0, leitor digital de livros com capacidade para armazenar até 1.500 obras e que custa 285 euros nos Estados Unidos.
O "gadget" encontra-se para já disponível apenas nos EUA e a Amazon tem disponíveis 240.000 livros na sua loja virtual, para além de possibilitar a assinatura de diversos jornais, revistas e blogues.
David Pogue, colunista de tecnologia do New York Times, defendeu em crónica recente que a cadeia Amazon encontra-se ainda "distante do objectivo de poder facultar `qualquer livro a qualquer hora`".
Também a Sony e a Endless Ideas, por exemplo, têm disponíveis no mercado leitores digitais de livros, sendo de esperar até final de 2009 a edição do Kindle 3.0 da Amazon.
PZF/AMN.
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Lisboa, 04 Mar (Lusa) - Especialistas editoriais defendem que o futuro de livros e jornais passa pelos leitores digitais, cenário reforçado pelo actual "tempo de crise" no sector e pelo lançamento de diversos novos equipamentos.
Livros digitais (eBooks) e jornais em formato digital, ambos lidos em equipamentos como computadores, PDAs ou leitores próprios, são uma realidade actual vista por Filipe Luís, editor executivo Multimédia da revista Visão, como "o futuro" do mercado da escrita.
O jornalista manifestou à Lusa uma dupla relação com as novas tecnologias de leitura.
A nível emocional, Filipe Luís vê com "pena e nostalgia" a implementação deste tipo de "gadgets", reconhecendo no entanto que a nível profissional os equipamentos de leitura constituem "o futuro".
Se, por um lado, o eBook não alterará, a nível pessoal, o "hábito de ler e tactear um livro", por outro, sustenta o editor, "há que reagir sem hostilidade aos avanços tecnológicos, que permitirão aos jornalistas redobrar as suas capacidades para comunicar".
No que diz respeito à Visão, Filipe Luís reconhece que "em teoria" já foi "equacionada" uma complementaridade entre a edição em papel e uma versão digital.
Isabel Coutinho, jornalista do Público e responsável pela coluna e blogue Ciberescritas, "sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura", acredita que em Portugal as pessoas "estão curiosas" com presença dos leitores digitais nos mercados das artes.
No que concerne à presença de órgãos de imprensa no mercado dos leitores digitais, a jornalista sustentou à Lusa que "o futuro dos jornais vai passar por estes aparelhos. E em tempo de crise ainda mais".
Os eBooks em língua portuguesa à venda "são quase inexistentes", sustenta a jornalista, "o que para a maioria das pessoas é um problema".
Hugo Xavier, editor da Cavalo de Ferro, que recentemente aderiu à rede social online Twitter, afirmou à Lusa no começo do mês de Fevereiro que "em Portugal não existe mercado suficiente para lançamentos digitais regulares".
"Em França, por exemplo, um grande leitor é aquele que lê dez livros num mês, ao passo que em Portugal é o que lê esse mesmo número de livros num ano", sustenta o editor.
Em paralelo com a comercialização digital de obras, iniciativas como o Projecto Gutenberg, "o primeiro produtor de livros electrónicos grátis", têm contribuído para o acervo de livros disponibilizados na Internet.
O Projecto Gutenberg surgiu nos EUA e incita voluntários à digitalização de obras anteriores a 1923, única condição no país para a distribuição legal das obras.
Já em Portugal, a juntar a esta circunstância, acresce a obrigatoriedade dos livros a disponibilizar terem sido escritos durante a vida do autor, tendo este falecido há pelo menos 70 anos.
A multinacional Amazon disponibilizou no final do mês de Fevereiro o Kindle 2.0, leitor digital de livros com capacidade para armazenar até 1.500 obras e que custa 285 euros nos Estados Unidos.
O "gadget" encontra-se para já disponível apenas nos EUA e a Amazon tem disponíveis 240.000 livros na sua loja virtual, para além de possibilitar a assinatura de diversos jornais, revistas e blogues.
David Pogue, colunista de tecnologia do New York Times, defendeu em crónica recente que a cadeia Amazon encontra-se ainda "distante do objectivo de poder facultar `qualquer livro a qualquer hora`".
Também a Sony e a Endless Ideas, por exemplo, têm disponíveis no mercado leitores digitais de livros, sendo de esperar até final de 2009 a edição do Kindle 3.0 da Amazon.
PZF/AMN.