Novas regras
Plano Platini sacrifica Portugal
A partir de 2009, só o campeão nacional terá acesso directo à choruda Liga dos Campeões
A vitória sobre o Dínamo não livrou o Sporting da Taça UEFA, destino do 3.º classificado da I Liga em 2009 FOTO NACHO DOCE/REUTERS
Após seis meses de duras negociações, Michel Platini deu por encerrada a prometida democratização da Liga dos Campeões, a sua bandeira eleitoral na corrida ao cadeirão da UEFA, sem beliscar os «big five», a sigla que denomina os países-sede das cinco mais ricas e poderosas Ligas europeias.
Para alargar de nove para 12 o número de países cujos campeões nacionais garantem acesso directo à prova milionária, o reformador Platini acabou por despromover o segundo mundo do futebol, onde deambulam, além de Portugal, países como a Grécia, Holanda ou Escócia. A ideia peregrina de que Platini iria tirar aos ricos para dar aos descamisados ficou na gaveta, como já era de prever, afirma Emanuel Medeiros, líder da Associação das Ligas Europeias e acérrimo defensor do figurino actualmente em vigor, contra o gizado para o triénio 2009/12.
Apesar de considerar o novo modelo um mal menor para países como Portugal, face ao projecto original que contemplava a entrada directa dos vencedores das Taças nacionais, Medeiros teme, mesmo assim, que a perda de lugares na Liga dos Campeões dos países da classe média venha cavar ainda mais o fosso entre as potências futebolísticas, como Manchester, Milan ou Real Madrid, e clubes da dimensão dos três grandes portugueses. Esta opinião é partilhada por Hermínio Loureiro, que lamenta que Platini tenha reformado a mais prestigiada competição europeia à custa dos remediados e não dos ricos, que mantêm três vagas fixas na prova que rendeu ao campeão europeu, Milan, 40 milhões só em prémios. O impacto para Portugal é claramente negativo, o que nos coloca na encruzilhada de ter de continuar a trabalhar para não perder competitividade, refere o presidente da Liga de Clubes.
A razão para o previsível hiato competitivo e financeiro é fácil de adivinhar, ou não fosse a Liga dos Campeões a galinha dos ovos de ouro do FC Porto, Benfica e Sporting nas últimas épocas, mesmo quando o trajecto não vai além da fase de grupos, como acaba de suceder aos dois vizinhos da Segunda Circular. Terceiros classificados dos respectivos grupos, Benfica e Sporting tombaram na menos abonada Taça UEFA já com os cofres confortados por 8,9 milhões - cinco pela simples participação na Liga milionária, mais 600 mil por vitória e metade pelos empates, sem contar com encaixes de receita de bilheteira. Proveitos que cobrem, no caso do Sporting, um terço do seu orçamento e pouco menos em relação ao dos encarnados. Aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o FC Porto chega com 14,5 milhões, 12 da fase regular mais 2,5 milhões pela passagem à fase seguinte.
A partir de 2009, garantidamente estas serão contas que apenas o campeão nacional se dará ao luxo de fazer, ou ainda o vice se lograr vencer as duas pré-eliminatórias de qualificação de acesso à prova - o que obriga o candidato a competir mal oleado em meados de Julho.
Numa prova que gera 850 milhões/ano, 75% provenientes de direitos televisivos e comerciais contratualizados pela UEFA, o projecto Platini não surpreendeu Ricardo Gonçalves, consultor da Deloitte responsável pelo Anuário das Finanças do Futebol Português. Tratando-se de um negócio cujos lucros maiores são alimentados pelas audiências televisivas, era inevitável que a UEFA abrisse as portas aos mercados emergentes do Leste, frisa, dando como exemplo a Polónia, 20ª do «ranking» da UEFA mas com uma oferta apetecível de 50 milhões de habitantes. Apoiantes de Platini nas eleições de Maio, Rússia e Ucrânia são outros dos países bafejados com a reforma.
Categorias
Entidades
Novas regras
Plano Platini sacrifica Portugal
A partir de 2009, só o campeão nacional terá acesso directo à choruda Liga dos Campeões
A vitória sobre o Dínamo não livrou o Sporting da Taça UEFA, destino do 3.º classificado da I Liga em 2009 FOTO NACHO DOCE/REUTERS
Após seis meses de duras negociações, Michel Platini deu por encerrada a prometida democratização da Liga dos Campeões, a sua bandeira eleitoral na corrida ao cadeirão da UEFA, sem beliscar os «big five», a sigla que denomina os países-sede das cinco mais ricas e poderosas Ligas europeias.
Para alargar de nove para 12 o número de países cujos campeões nacionais garantem acesso directo à prova milionária, o reformador Platini acabou por despromover o segundo mundo do futebol, onde deambulam, além de Portugal, países como a Grécia, Holanda ou Escócia. A ideia peregrina de que Platini iria tirar aos ricos para dar aos descamisados ficou na gaveta, como já era de prever, afirma Emanuel Medeiros, líder da Associação das Ligas Europeias e acérrimo defensor do figurino actualmente em vigor, contra o gizado para o triénio 2009/12.
Apesar de considerar o novo modelo um mal menor para países como Portugal, face ao projecto original que contemplava a entrada directa dos vencedores das Taças nacionais, Medeiros teme, mesmo assim, que a perda de lugares na Liga dos Campeões dos países da classe média venha cavar ainda mais o fosso entre as potências futebolísticas, como Manchester, Milan ou Real Madrid, e clubes da dimensão dos três grandes portugueses. Esta opinião é partilhada por Hermínio Loureiro, que lamenta que Platini tenha reformado a mais prestigiada competição europeia à custa dos remediados e não dos ricos, que mantêm três vagas fixas na prova que rendeu ao campeão europeu, Milan, 40 milhões só em prémios. O impacto para Portugal é claramente negativo, o que nos coloca na encruzilhada de ter de continuar a trabalhar para não perder competitividade, refere o presidente da Liga de Clubes.
A razão para o previsível hiato competitivo e financeiro é fácil de adivinhar, ou não fosse a Liga dos Campeões a galinha dos ovos de ouro do FC Porto, Benfica e Sporting nas últimas épocas, mesmo quando o trajecto não vai além da fase de grupos, como acaba de suceder aos dois vizinhos da Segunda Circular. Terceiros classificados dos respectivos grupos, Benfica e Sporting tombaram na menos abonada Taça UEFA já com os cofres confortados por 8,9 milhões - cinco pela simples participação na Liga milionária, mais 600 mil por vitória e metade pelos empates, sem contar com encaixes de receita de bilheteira. Proveitos que cobrem, no caso do Sporting, um terço do seu orçamento e pouco menos em relação ao dos encarnados. Aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o FC Porto chega com 14,5 milhões, 12 da fase regular mais 2,5 milhões pela passagem à fase seguinte.
A partir de 2009, garantidamente estas serão contas que apenas o campeão nacional se dará ao luxo de fazer, ou ainda o vice se lograr vencer as duas pré-eliminatórias de qualificação de acesso à prova - o que obriga o candidato a competir mal oleado em meados de Julho.
Numa prova que gera 850 milhões/ano, 75% provenientes de direitos televisivos e comerciais contratualizados pela UEFA, o projecto Platini não surpreendeu Ricardo Gonçalves, consultor da Deloitte responsável pelo Anuário das Finanças do Futebol Português. Tratando-se de um negócio cujos lucros maiores são alimentados pelas audiências televisivas, era inevitável que a UEFA abrisse as portas aos mercados emergentes do Leste, frisa, dando como exemplo a Polónia, 20ª do «ranking» da UEFA mas com uma oferta apetecível de 50 milhões de habitantes. Apoiantes de Platini nas eleições de Maio, Rússia e Ucrânia são outros dos países bafejados com a reforma.