Plano Platini sacrifica Portugal

23-02-2008
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Novas regras

Plano Platini sacrifica Portugal

A partir de 2009, só o campeão nacional terá acesso directo à choruda Liga dos Campeões

A vitória sobre o Dínamo não livrou o Sporting da Taça UEFA, destino do 3.º classificado da I Liga em 2009 FOTO NACHO DOCE/REUTERS

Após seis meses de duras negociações, Michel Platini deu por encerrada a prometida democratização da Liga dos Campeões, a sua bandeira eleitoral na corrida ao cadeirão da UEFA, sem beliscar os «big five», a sigla que denomina os países-sede das cinco mais ricas e poderosas Ligas europeias.

Para alargar de nove para 12 o número de países cujos campeões nacionais garantem acesso directo à prova milionária, o reformador Platini acabou por despromover o segundo mundo do futebol, onde deambulam, além de Portugal, países como a Grécia, Holanda ou Escócia. “A ideia peregrina de que Platini iria tirar aos ricos para dar aos descamisados ficou na gaveta, como já era de prever”, afirma Emanuel Medeiros, líder da Associação das Ligas Europeias e acérrimo defensor do figurino actualmente em vigor, contra o gizado para o triénio 2009/12.

Apesar de considerar o novo modelo “um mal menor” para países como Portugal, face ao projecto original que contemplava a entrada directa dos vencedores das Taças nacionais, Medeiros teme, mesmo assim, que a perda de lugares na Liga dos Campeões dos países da “classe média venha cavar ainda mais o fosso” entre as potências futebolísticas, como Manchester, Milan ou Real Madrid, e clubes da dimensão dos três grandes portugueses. Esta opinião é partilhada por Hermínio Loureiro, que lamenta que Platini tenha reformado a mais prestigiada competição europeia à custa dos “remediados e não dos ricos”, que mantêm três vagas fixas na prova que rendeu ao campeão europeu, Milan, €40 milhões só em prémios. “O impacto para Portugal é claramente negativo, o que nos coloca na encruzilhada de ter de continuar a trabalhar para não perder competitividade”, refere o presidente da Liga de Clubes.

A razão para o previsível hiato competitivo e financeiro é fácil de adivinhar, ou não fosse a Liga dos Campeões a galinha dos ovos de ouro do FC Porto, Benfica e Sporting nas últimas épocas, mesmo quando o trajecto não vai além da fase de grupos, como acaba de suceder aos dois vizinhos da Segunda Circular. Terceiros classificados dos respectivos grupos, Benfica e Sporting tombaram na menos abonada Taça UEFA já com os cofres confortados por €8,9 milhões - cinco pela simples participação na Liga milionária, mais 600 mil por vitória e metade pelos empates, sem contar com encaixes de receita de bilheteira. Proveitos que cobrem, no caso do Sporting, um terço do seu orçamento e pouco menos em relação ao dos ‘encarnados’. Aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o FC Porto chega com €14,5 milhões, 12 da fase regular mais 2,5 milhões pela passagem à fase seguinte.

A partir de 2009, garantidamente estas serão contas que apenas o campeão nacional se dará ao luxo de fazer, ou ainda o vice se lograr vencer as duas pré-eliminatórias de qualificação de acesso à prova - o que obriga o candidato a competir mal oleado em meados de Julho.

Numa prova que gera €850 milhões/ano, 75% provenientes de direitos televisivos e comerciais contratualizados pela UEFA, o projecto Platini não surpreendeu Ricardo Gonçalves, consultor da Deloitte responsável pelo Anuário das Finanças do Futebol Português. “Tratando-se de um negócio cujos lucros maiores são alimentados pelas audiências televisivas, era inevitável que a UEFA abrisse as portas aos mercados emergentes do Leste”, frisa, dando como exemplo a Polónia, 20ª do «ranking» da UEFA mas com uma oferta apetecível de 50 milhões de habitantes. Apoiantes de Platini nas eleições de Maio, Rússia e Ucrânia são outros dos países bafejados com a reforma.

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Plano Platini sacrifica Portugal

A partir de 2009, só o campeão nacional terá acesso directo à choruda Liga dos Campeões

A vitória sobre o Dínamo não livrou o Sporting da Taça UEFA, destino do 3.º classificado da I Liga em 2009 FOTO NACHO DOCE/REUTERS

Após seis meses de duras negociações, Michel Platini deu por encerrada a prometida democratização da Liga dos Campeões, a sua bandeira eleitoral na corrida ao cadeirão da UEFA, sem beliscar os «big five», a sigla que denomina os países-sede das cinco mais ricas e poderosas Ligas europeias.

Para alargar de nove para 12 o número de países cujos campeões nacionais garantem acesso directo à prova milionária, o reformador Platini acabou por despromover o segundo mundo do futebol, onde deambulam, além de Portugal, países como a Grécia, Holanda ou Escócia. “A ideia peregrina de que Platini iria tirar aos ricos para dar aos descamisados ficou na gaveta, como já era de prever”, afirma Emanuel Medeiros, líder da Associação das Ligas Europeias e acérrimo defensor do figurino actualmente em vigor, contra o gizado para o triénio 2009/12.

Apesar de considerar o novo modelo “um mal menor” para países como Portugal, face ao projecto original que contemplava a entrada directa dos vencedores das Taças nacionais, Medeiros teme, mesmo assim, que a perda de lugares na Liga dos Campeões dos países da “classe média venha cavar ainda mais o fosso” entre as potências futebolísticas, como Manchester, Milan ou Real Madrid, e clubes da dimensão dos três grandes portugueses. Esta opinião é partilhada por Hermínio Loureiro, que lamenta que Platini tenha reformado a mais prestigiada competição europeia à custa dos “remediados e não dos ricos”, que mantêm três vagas fixas na prova que rendeu ao campeão europeu, Milan, €40 milhões só em prémios. “O impacto para Portugal é claramente negativo, o que nos coloca na encruzilhada de ter de continuar a trabalhar para não perder competitividade”, refere o presidente da Liga de Clubes.

A razão para o previsível hiato competitivo e financeiro é fácil de adivinhar, ou não fosse a Liga dos Campeões a galinha dos ovos de ouro do FC Porto, Benfica e Sporting nas últimas épocas, mesmo quando o trajecto não vai além da fase de grupos, como acaba de suceder aos dois vizinhos da Segunda Circular. Terceiros classificados dos respectivos grupos, Benfica e Sporting tombaram na menos abonada Taça UEFA já com os cofres confortados por €8,9 milhões - cinco pela simples participação na Liga milionária, mais 600 mil por vitória e metade pelos empates, sem contar com encaixes de receita de bilheteira. Proveitos que cobrem, no caso do Sporting, um terço do seu orçamento e pouco menos em relação ao dos ‘encarnados’. Aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o FC Porto chega com €14,5 milhões, 12 da fase regular mais 2,5 milhões pela passagem à fase seguinte.

A partir de 2009, garantidamente estas serão contas que apenas o campeão nacional se dará ao luxo de fazer, ou ainda o vice se lograr vencer as duas pré-eliminatórias de qualificação de acesso à prova - o que obriga o candidato a competir mal oleado em meados de Julho.

Numa prova que gera €850 milhões/ano, 75% provenientes de direitos televisivos e comerciais contratualizados pela UEFA, o projecto Platini não surpreendeu Ricardo Gonçalves, consultor da Deloitte responsável pelo Anuário das Finanças do Futebol Português. “Tratando-se de um negócio cujos lucros maiores são alimentados pelas audiências televisivas, era inevitável que a UEFA abrisse as portas aos mercados emergentes do Leste”, frisa, dando como exemplo a Polónia, 20ª do «ranking» da UEFA mas com uma oferta apetecível de 50 milhões de habitantes. Apoiantes de Platini nas eleições de Maio, Rússia e Ucrânia são outros dos países bafejados com a reforma.

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