No último sábado, o primeiro-ministro relembrou que a educação era a “a prioridade das prioridades”, acrescentando estar empenhado em “atingir maior igualdade social através da aposta no ensino”. Pode Sua Exª berrar à vontade contra os “bota abaixo” – nos quais me incluirá – mas os recentes exames do 12º ano estão aí para provar que as escolas públicas deixaram de premiar o esforço.Se hoje tivesse filhos pequenos, não os matricularia numa escola pública: não porque os docentes sejam piores do que na privada, mas porque, devido aos programas, regras e cultura impostos pelo Ministério, o ensino está degradado. Há dias, o Diário de Notícias anunciava, como se fosse um milagre, que oito em cada dez alunos frequentam escolas públicas. Perguntem a estes pais se lá manteriam os filhos caso as privadas fossem igualmente gratuitas.É por ter depositado esperança na educação pública que me sinto triste. Em 1974, matriculei os meus filhos na Escola Manuel da Maia e, terminado o Ciclo Preparatório, no Liceu Pedro Nunes. Apesar da turbulência da Revolução, pensei ser melhor tê-los ali,uma vez que, além da vantagem de não os enclausurar numa redoma social, o ensino era bom.Actualmente, de tal forma estão as escolas públicas desorientadas que não sacrificaria o futuro dos meus filhos às minhas convicções. Provavelmente, optaria por uma privada, desde que não religiosa. Sei que a minha posição passou de moda, uma vez que todos os dias assisto a gente agnóstica, baptizando os descendentes, apenas porque tal permite enviá-los depois para colégios, mas isso não me comove, apenas me irrita.Ao fim de trinta anos de democracia, o que vemos? Uma rede pública que se transformou num gueto para os filhos dos pobres, e uma rede privada, frequentada pelos filhos das classes médias. Há duas maneiras de se fazer com que uma sociedade se torne mais igual: através do sistema fiscal e da escola pública. Em Portugal, nenhuma delas funciona. Não admira que o nosso país seja aquele que, na Europa, possui o mais profundo fosso entre os ricos e os pobres.Maria Filomena MónicaIn Meia-Hora
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No último sábado, o primeiro-ministro relembrou que a educação era a “a prioridade das prioridades”, acrescentando estar empenhado em “atingir maior igualdade social através da aposta no ensino”. Pode Sua Exª berrar à vontade contra os “bota abaixo” – nos quais me incluirá – mas os recentes exames do 12º ano estão aí para provar que as escolas públicas deixaram de premiar o esforço.Se hoje tivesse filhos pequenos, não os matricularia numa escola pública: não porque os docentes sejam piores do que na privada, mas porque, devido aos programas, regras e cultura impostos pelo Ministério, o ensino está degradado. Há dias, o Diário de Notícias anunciava, como se fosse um milagre, que oito em cada dez alunos frequentam escolas públicas. Perguntem a estes pais se lá manteriam os filhos caso as privadas fossem igualmente gratuitas.É por ter depositado esperança na educação pública que me sinto triste. Em 1974, matriculei os meus filhos na Escola Manuel da Maia e, terminado o Ciclo Preparatório, no Liceu Pedro Nunes. Apesar da turbulência da Revolução, pensei ser melhor tê-los ali,uma vez que, além da vantagem de não os enclausurar numa redoma social, o ensino era bom.Actualmente, de tal forma estão as escolas públicas desorientadas que não sacrificaria o futuro dos meus filhos às minhas convicções. Provavelmente, optaria por uma privada, desde que não religiosa. Sei que a minha posição passou de moda, uma vez que todos os dias assisto a gente agnóstica, baptizando os descendentes, apenas porque tal permite enviá-los depois para colégios, mas isso não me comove, apenas me irrita.Ao fim de trinta anos de democracia, o que vemos? Uma rede pública que se transformou num gueto para os filhos dos pobres, e uma rede privada, frequentada pelos filhos das classes médias. Há duas maneiras de se fazer com que uma sociedade se torne mais igual: através do sistema fiscal e da escola pública. Em Portugal, nenhuma delas funciona. Não admira que o nosso país seja aquele que, na Europa, possui o mais profundo fosso entre os ricos e os pobres.Maria Filomena MónicaIn Meia-Hora