LisboaLisboa: Obra? Mas onde está a obra?

05-07-2009
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.Editorial.Já não há tempo de emendar a mão - ou de como, repetindo erros de marketing como os de Santana Lopes, o PS pode ficar em palpos de aranha1.Sabem daquelas já célebres telas da actual CML que dizem: «Obra a obra Lisboa melhora»? Pois bem: agora também as há em formato radiofónico com a música de uma canção (fado-canção) de Carlos do Carmo ('Canoa, de vela erguida'... 'Obra parada, nunca, nunca, nunca mais'... etc.). E também insiste naquela coisa do «obra a obra». E fala muito do Terreiro do Paço. Assina a CML. Paga a CML. Mas é bom que se saiba que são obras do Governo e de empresas do Governo. E que são só só ali, naquele cantinho (importantíssimo, mas cantinho) de Lisboa que é o Terreiro do Paço. E que nem têm corrido lá muito bem, como se sabe. Má escolha, pois, só entendível porque não há maiks nada para valorizar.O que mexe comigo é que isto surja sempre - como já aconteceu com Santana - em véspera de eleições.Um desconchavo que lamento. 2.As célebres telas de Santana na Fontes Pereira de Melo ainda lá estão a mentir com quantos dentes tinham na boca, anunciando só num caso 5 mil e tal obras de reabilitação urbana. Uma vergonha. Tudo gente investigada pela PJ, por uma ou outra razão, mas sempre devido à sua passagem pela CML: Eduarda Napoleão, Aníbal Cabeça, Miguel Almeida, Santana Lopes e a sua mais que tudo Helena Lopes da Costa. Olha que trupe... E juntou-se-lhes ainda em Junho do ano passado, em declarações a Gina Pereira (JN), o inefável António Prôa, prócere indefectível do regime de Santana naquela Câmara, a dizer que as telas não podiam esconder a cidade... Olha quem fala. Boa lhas deu logo a presidente da Junta de Santo Estêvão, Alfama: «Esta gente é só 'show-off', mas obra nem vê-la».3.Volto a António Costa e ao Terreiro do Paço. Este anúncio pago pela CML na TSF que acabo de ouvir é tanto mais contraditório com o que toda a gente pensa quanto é certo que as obras do Terreiro do Paço têm sido um grande calcanhar de Aquiles para António Costa e ameaçam cair dentro das urnas das autárquicas... Aliás, ainda hoje, no Público, Ana Henriques refere isso mesmo. Independentemente do móbil da jornalista (o projecto de Bruno Soares), atrevo-me a citá-la parcialmente: «Lisboa / Terreiro do Paço não está a correr a António Costa como pretenderia / 14.06.2009 - 12h18 Ana Henriques / Não sendo uma obra sua, é das que mais transtornos lhe têm trazido desde que tomou posse - só comparável aos dissabores que lhe causou o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, outra decisão do Governo com repercussões pouco simpáticas na imagem da actual gestão da Câmara de Lisboa. A escassos quatro meses das eleições autárquicas, a remodelação do Terreiro do Paço converteu-se de trunfo eleitoral de António Costa em assunto incómodo, por via da onda crescente de contestação ao projecto. (...)»Isto é mais ou menos o que toda a gente anda a dizer há meses. O anúncio da TSF (e de que mais estações? - era bom saber-se) procura apagar a realidade, pintando-a com as cores contrárias, as do sucesso, do bom andamento, dos prazos cumpridos no caso da Ribeira das Naus, o que, podendo até ser a verdade, se arrisca a ser o motivo para todos pensarem nas obras do local que duram, duram, duram, tipo pilhas Duracell... 4.A publicidade, esta publicidade, que aqui é mais propaganda eleitoral, arrisca-se assim a obter exactamente o efeito contrário do que pretende (apetece perguntar: quem terá sido a luminária que inventou esta?). E a situação criada pelo anúncio que ouvi até me leva a lamentar o uso da melodia tão encantadora. Um mar de falta de jeito, pensei logo de uma só vez.É assim a vida. O resto é marketing daquele vesgo, feito de enganos. O qual, em cima das urnas, nunca deu bom resultado. Porque já não há tempo de emendar a mão..


.Editorial.Já não há tempo de emendar a mão - ou de como, repetindo erros de marketing como os de Santana Lopes, o PS pode ficar em palpos de aranha1.Sabem daquelas já célebres telas da actual CML que dizem: «Obra a obra Lisboa melhora»? Pois bem: agora também as há em formato radiofónico com a música de uma canção (fado-canção) de Carlos do Carmo ('Canoa, de vela erguida'... 'Obra parada, nunca, nunca, nunca mais'... etc.). E também insiste naquela coisa do «obra a obra». E fala muito do Terreiro do Paço. Assina a CML. Paga a CML. Mas é bom que se saiba que são obras do Governo e de empresas do Governo. E que são só só ali, naquele cantinho (importantíssimo, mas cantinho) de Lisboa que é o Terreiro do Paço. E que nem têm corrido lá muito bem, como se sabe. Má escolha, pois, só entendível porque não há maiks nada para valorizar.O que mexe comigo é que isto surja sempre - como já aconteceu com Santana - em véspera de eleições.Um desconchavo que lamento. 2.As célebres telas de Santana na Fontes Pereira de Melo ainda lá estão a mentir com quantos dentes tinham na boca, anunciando só num caso 5 mil e tal obras de reabilitação urbana. Uma vergonha. Tudo gente investigada pela PJ, por uma ou outra razão, mas sempre devido à sua passagem pela CML: Eduarda Napoleão, Aníbal Cabeça, Miguel Almeida, Santana Lopes e a sua mais que tudo Helena Lopes da Costa. Olha que trupe... E juntou-se-lhes ainda em Junho do ano passado, em declarações a Gina Pereira (JN), o inefável António Prôa, prócere indefectível do regime de Santana naquela Câmara, a dizer que as telas não podiam esconder a cidade... Olha quem fala. Boa lhas deu logo a presidente da Junta de Santo Estêvão, Alfama: «Esta gente é só 'show-off', mas obra nem vê-la».3.Volto a António Costa e ao Terreiro do Paço. Este anúncio pago pela CML na TSF que acabo de ouvir é tanto mais contraditório com o que toda a gente pensa quanto é certo que as obras do Terreiro do Paço têm sido um grande calcanhar de Aquiles para António Costa e ameaçam cair dentro das urnas das autárquicas... Aliás, ainda hoje, no Público, Ana Henriques refere isso mesmo. Independentemente do móbil da jornalista (o projecto de Bruno Soares), atrevo-me a citá-la parcialmente: «Lisboa / Terreiro do Paço não está a correr a António Costa como pretenderia / 14.06.2009 - 12h18 Ana Henriques / Não sendo uma obra sua, é das que mais transtornos lhe têm trazido desde que tomou posse - só comparável aos dissabores que lhe causou o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, outra decisão do Governo com repercussões pouco simpáticas na imagem da actual gestão da Câmara de Lisboa. A escassos quatro meses das eleições autárquicas, a remodelação do Terreiro do Paço converteu-se de trunfo eleitoral de António Costa em assunto incómodo, por via da onda crescente de contestação ao projecto. (...)»Isto é mais ou menos o que toda a gente anda a dizer há meses. O anúncio da TSF (e de que mais estações? - era bom saber-se) procura apagar a realidade, pintando-a com as cores contrárias, as do sucesso, do bom andamento, dos prazos cumpridos no caso da Ribeira das Naus, o que, podendo até ser a verdade, se arrisca a ser o motivo para todos pensarem nas obras do local que duram, duram, duram, tipo pilhas Duracell... 4.A publicidade, esta publicidade, que aqui é mais propaganda eleitoral, arrisca-se assim a obter exactamente o efeito contrário do que pretende (apetece perguntar: quem terá sido a luminária que inventou esta?). E a situação criada pelo anúncio que ouvi até me leva a lamentar o uso da melodia tão encantadora. Um mar de falta de jeito, pensei logo de uma só vez.É assim a vida. O resto é marketing daquele vesgo, feito de enganos. O qual, em cima das urnas, nunca deu bom resultado. Porque já não há tempo de emendar a mão..

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