Não há de facto maior demonstração de amor a uma causa, neste caso à Faculdade, do que ir ao jantar de natal com sapatos de tacão alto, passando pelo derradeiro suplício de todos. Descobri eu ao fim de quase vinte anos de vida, que os saltos altos são como andar em bicos de pés durante várias horas, acumulando-se todo o peso nos dedos dos pés, chegando-se a um ponto em que as dores se tornam agoniantes e os tornozelos parecem prestes a partir devido à inclinação permanente. Apesar de tudo, é quando se mexe que as dores parecem passar, o problema é que quando se pára de dançar, se percebe que as dores são piores do que aquelas dores de dentes e que ainda por cima, nos pés não há nada que se possa fazer. Pior do que tudo, é o momento em que os pés pousam de novo no chão e se sente os ossos todos a estalar, parecendo que se vão partir. Mas o mais gravoso de toda a situação é que os sapatos altos nos impedem de cumprir os objectivos por nós estipulados. Neste caso, ir às aulas às 9h da manhã foi impossível, pois ao levantar da cama e pousar os pés no chão, percebi que era impossível caminhar. Seria mais fácil caminhar sobre fogo do que com aqueles pés. Então concluí que as mulheres que os usam diariamente ou não têm sensibilidade nos pés, ou sofrem de alguma patologia de amor à dor que me ultrapassa, ou simplesmente são uma espécie de super-homem em saltos altos, capazes de resistir a todos os obstáculos. Ora eu cá, prefiro continuar a andar com os pés mais próximos da terra. Quando cheguei a casa já passavam das seis da madrugada e me sentei na cozinha descalça, reparei que as minhas all star estavam à porta, tal como as tinha deixado quando cheguei a casa das aulas, e por momentos confesso que elas me piscaram o olho, dizendo entre dentes: - Os saltos altos foram inventados pelos homens para tornarem as mulheres menos capazes.
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Não há de facto maior demonstração de amor a uma causa, neste caso à Faculdade, do que ir ao jantar de natal com sapatos de tacão alto, passando pelo derradeiro suplício de todos. Descobri eu ao fim de quase vinte anos de vida, que os saltos altos são como andar em bicos de pés durante várias horas, acumulando-se todo o peso nos dedos dos pés, chegando-se a um ponto em que as dores se tornam agoniantes e os tornozelos parecem prestes a partir devido à inclinação permanente. Apesar de tudo, é quando se mexe que as dores parecem passar, o problema é que quando se pára de dançar, se percebe que as dores são piores do que aquelas dores de dentes e que ainda por cima, nos pés não há nada que se possa fazer. Pior do que tudo, é o momento em que os pés pousam de novo no chão e se sente os ossos todos a estalar, parecendo que se vão partir. Mas o mais gravoso de toda a situação é que os sapatos altos nos impedem de cumprir os objectivos por nós estipulados. Neste caso, ir às aulas às 9h da manhã foi impossível, pois ao levantar da cama e pousar os pés no chão, percebi que era impossível caminhar. Seria mais fácil caminhar sobre fogo do que com aqueles pés. Então concluí que as mulheres que os usam diariamente ou não têm sensibilidade nos pés, ou sofrem de alguma patologia de amor à dor que me ultrapassa, ou simplesmente são uma espécie de super-homem em saltos altos, capazes de resistir a todos os obstáculos. Ora eu cá, prefiro continuar a andar com os pés mais próximos da terra. Quando cheguei a casa já passavam das seis da madrugada e me sentei na cozinha descalça, reparei que as minhas all star estavam à porta, tal como as tinha deixado quando cheguei a casa das aulas, e por momentos confesso que elas me piscaram o olho, dizendo entre dentes: - Os saltos altos foram inventados pelos homens para tornarem as mulheres menos capazes.