Diz-se que, no momento de cobrar uma grande penalidade, o avançado vê a baliza mais pequena, apesar de distar dela os onze metros de sempre... Ora, temo que tenha sido esse sindroma que, aparente e (desejo eu) temporariamente, afectou a Dra. Manuela Ferreira Leite: a baliza socialista parece mais “piquena” e o Eng. Sócrates parece enorme, “entre os postes”…Digo-o pegando em dois exemplos concretos: o primeiro tem a ver com o aumento do salário mínimo nacional para 450€, em 2009. Pode até dizer-se que o Primeiro-Ministro deveria fazer bem as contas, que os empregadores estão sem folga para grandes banquetes salariais ou até que as coisas podem piorar, ao nível internacional. Todavia, não cabe à líder da oposição levar a sua seriedade ao ponto de ser trouxa, salvo o devido respeito.Dito de outro modo, não duvido da seriedade e da inteligência da Dra. Manuela e tenho-lhe um enorme respeito e um imenso reconhecimento, mas entendo que, tendo o aumento faseado do SMN sido acordado, ainda por cima, em sede de concertação social, estando os portugueses com “a corda ao pescoço”, tratando-se, como dizia um amigo meu do CDS, de gente de parcos recursos que decidiu continuar a trabalhar com baixos salários, em vez de nos esmifrar o rendimento mínimo (ou rendimento de inserção social), e sendo que noventa contos de réis são um mero remendo, visto tudo isto, dizia, creio que o que qualquer líder do PSD deveria dizer era que estava muito bem, por muito que recomendasse, como tem sido feito, cortes noutras áreas.O segundo exemplo tem, aliás, a ver com os cortes pedidos nos investimentos públicos e, mais concretamente com as declarações da Dra. Manuel Ferreira Leite sobre a geração de emprego pelas grandes obras públicas.Ao que li, a Presidente do PSD, questionada sobre a matéria, terá respondido que “(Ao) desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido”.Ora bem… Até pode ser que o desemprego de mão-de-obra portuguesa não tenha muito a ver com o sector da construção – se bem que acho que há sempre gente à procura de trabalho, mormente no estado em que a economia está – mas o que a challenger do Engenheiro Sócrates não pode é dizer algo que é profundamente descortês para com duas nações amigas (uma das quais lusófona) e que, mal interpretado, roça (não a “irresponsabilidade”, como disse a Premier laranja sobre o camarada Primeiro-Ministro) a xenofobia, designadamente em relação à Ucrânia que, herdeira da União Soviética, tem hoje na sua mão de obra qualificada e nos seus níveis de literacia (superiores aos nossos, com toda a certeza) a chave do seu ressurgimento progressivo.Em suma, creio que há que pensar que alternativa ao silêncio inicial não é o tiro à queima-roupa. Cumpre afinar o tiro, no PSD…
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Diz-se que, no momento de cobrar uma grande penalidade, o avançado vê a baliza mais pequena, apesar de distar dela os onze metros de sempre... Ora, temo que tenha sido esse sindroma que, aparente e (desejo eu) temporariamente, afectou a Dra. Manuela Ferreira Leite: a baliza socialista parece mais “piquena” e o Eng. Sócrates parece enorme, “entre os postes”…Digo-o pegando em dois exemplos concretos: o primeiro tem a ver com o aumento do salário mínimo nacional para 450€, em 2009. Pode até dizer-se que o Primeiro-Ministro deveria fazer bem as contas, que os empregadores estão sem folga para grandes banquetes salariais ou até que as coisas podem piorar, ao nível internacional. Todavia, não cabe à líder da oposição levar a sua seriedade ao ponto de ser trouxa, salvo o devido respeito.Dito de outro modo, não duvido da seriedade e da inteligência da Dra. Manuela e tenho-lhe um enorme respeito e um imenso reconhecimento, mas entendo que, tendo o aumento faseado do SMN sido acordado, ainda por cima, em sede de concertação social, estando os portugueses com “a corda ao pescoço”, tratando-se, como dizia um amigo meu do CDS, de gente de parcos recursos que decidiu continuar a trabalhar com baixos salários, em vez de nos esmifrar o rendimento mínimo (ou rendimento de inserção social), e sendo que noventa contos de réis são um mero remendo, visto tudo isto, dizia, creio que o que qualquer líder do PSD deveria dizer era que estava muito bem, por muito que recomendasse, como tem sido feito, cortes noutras áreas.O segundo exemplo tem, aliás, a ver com os cortes pedidos nos investimentos públicos e, mais concretamente com as declarações da Dra. Manuel Ferreira Leite sobre a geração de emprego pelas grandes obras públicas.Ao que li, a Presidente do PSD, questionada sobre a matéria, terá respondido que “(Ao) desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido”.Ora bem… Até pode ser que o desemprego de mão-de-obra portuguesa não tenha muito a ver com o sector da construção – se bem que acho que há sempre gente à procura de trabalho, mormente no estado em que a economia está – mas o que a challenger do Engenheiro Sócrates não pode é dizer algo que é profundamente descortês para com duas nações amigas (uma das quais lusófona) e que, mal interpretado, roça (não a “irresponsabilidade”, como disse a Premier laranja sobre o camarada Primeiro-Ministro) a xenofobia, designadamente em relação à Ucrânia que, herdeira da União Soviética, tem hoje na sua mão de obra qualificada e nos seus níveis de literacia (superiores aos nossos, com toda a certeza) a chave do seu ressurgimento progressivo.Em suma, creio que há que pensar que alternativa ao silêncio inicial não é o tiro à queima-roupa. Cumpre afinar o tiro, no PSD…