Estratégia divide PGR e director nacional da Judiciária

23-02-2008
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Estratégia divide PGR e director nacional da Judiciária

Alípio Ribeiro afirmou num despacho interno que a PJ já tinha um plano de acção “adequado” à complexidade da investigação

O procurador-geral da República (PGR) e o director nacional da PJ estão em total desacordo quanto à criação de uma equipa especial para a investigação das máfias da noite do Porto. Enquanto Pinto Monteiro considera que a “complexidade das investigações” obriga à criação de uma equipa especial, Alípio Ribeiro disse, num despacho interno a que o Expresso teve acesso, que a Judiciária tinha um “plano de acção já em execução adequado a essa complexidade”.

No mesmo documento, o responsável máximo da Judiciária determinou que todos os departamentos prestem apoio à Directoria do Porto para a investigação, deixando entender que, apesar da nomeação da tal equipa, a Judiciária do Porto terá que manter-se na investigação. Aliás, no despacho, o director nacional da PJ não dá como adquirido que os processos em curso passem para a procuradora Helena Fazenda, nomeando o director da PJ do Porto, Vítor Guimarães, para ser o interlocutor da magistrada do Ministério Público “no sentido de permitir uma melhor articulação com a equipa de coordenação”.

A nomeação da procuradora Helena Fazenda, que será acompanhada de elementos da PJ, PSP e ASAE, apanhou todo o Ministério Público desprevenido. Segundo informações recolhidas pelo Expresso, Pinto Monteiro não falou com os responsáveis hierárquicos do Porto, nem com Alípio Ribeiro antes de tomar a decisão. “Soubemos pela comunicação social”, disse ao Expresso um procurador-geral-adjunto. “O costume”, reforçou a mesma fonte.

O mal-estar instalado no MP e na Judiciária do Porto é por demais evidente. A nomeação de Helena Fazenda é vista como mais uma desautorização do PGR às bases do MP e uma ultrapassagem da PJ. Aliás, a tensão entre Pinto Monteiro, Alípio Ribeiro e alguns departamentos do MP tem já um historial: primeiro, o PGR criou uma equipa especial para o ‘Apito Dourado’, que depois passou a investigar a Câmara de Lisboa (ao mesmo tempo que alguns inspectores da PJ tinham feito formação específica nas áreas do urbanismo). Depois, Pinto Monteiro ordenou uma investigação às denúncias do ‘Apito Encarnado’, ao mesmo tempo que Alípio Ribeiro as desvalorizava por completo.

Helena Fazenda, que no dia seguinte à sua nomeação esteve reunida no Porto com a direcção local da Judiciária, passou dois anos discretos na Polícia Judiciária. Fazia a ligação com outras forças policiais e era especialista na área da informática e das telecomunicações. Convidada por Fernando Negrão, saiu quando o actual vereador da Câmara de Lisboa foi demitido. E tem uma coroa de glória: “Teve um papel decisivo na resolução do caso do rapto de Miguel Cintra”, lembra Negrão. “Foi determinante na análise das chamadas telefónicas que permitiram a detenção dos autores do crime”.

Negrão e Fazenda conheceram-se na faculdade de Direito de Lisboa, ainda antes do 25 de Abril. Não ficaram amigos do peito, mas Negrão chamou-a para a direcção da Judiciária quando sentiu a necessidade de alguém capaz de fazer a ligação com organizações. Tem 51 anos e já passou pelo SEF, onde ganhou experiência na investigação de grupos ligados ao tráfico de pessoas. “Tem uma capacidade de trabalho anormal e está disponível 24 horas por dia”, elogia Fernando Negrão. Helena Fazenda é divorciada e tem dois filhos.

Estratégia divide PGR e director nacional da Judiciária

Alípio Ribeiro afirmou num despacho interno que a PJ já tinha um plano de acção “adequado” à complexidade da investigação

O procurador-geral da República (PGR) e o director nacional da PJ estão em total desacordo quanto à criação de uma equipa especial para a investigação das máfias da noite do Porto. Enquanto Pinto Monteiro considera que a “complexidade das investigações” obriga à criação de uma equipa especial, Alípio Ribeiro disse, num despacho interno a que o Expresso teve acesso, que a Judiciária tinha um “plano de acção já em execução adequado a essa complexidade”.

No mesmo documento, o responsável máximo da Judiciária determinou que todos os departamentos prestem apoio à Directoria do Porto para a investigação, deixando entender que, apesar da nomeação da tal equipa, a Judiciária do Porto terá que manter-se na investigação. Aliás, no despacho, o director nacional da PJ não dá como adquirido que os processos em curso passem para a procuradora Helena Fazenda, nomeando o director da PJ do Porto, Vítor Guimarães, para ser o interlocutor da magistrada do Ministério Público “no sentido de permitir uma melhor articulação com a equipa de coordenação”.

A nomeação da procuradora Helena Fazenda, que será acompanhada de elementos da PJ, PSP e ASAE, apanhou todo o Ministério Público desprevenido. Segundo informações recolhidas pelo Expresso, Pinto Monteiro não falou com os responsáveis hierárquicos do Porto, nem com Alípio Ribeiro antes de tomar a decisão. “Soubemos pela comunicação social”, disse ao Expresso um procurador-geral-adjunto. “O costume”, reforçou a mesma fonte.

O mal-estar instalado no MP e na Judiciária do Porto é por demais evidente. A nomeação de Helena Fazenda é vista como mais uma desautorização do PGR às bases do MP e uma ultrapassagem da PJ. Aliás, a tensão entre Pinto Monteiro, Alípio Ribeiro e alguns departamentos do MP tem já um historial: primeiro, o PGR criou uma equipa especial para o ‘Apito Dourado’, que depois passou a investigar a Câmara de Lisboa (ao mesmo tempo que alguns inspectores da PJ tinham feito formação específica nas áreas do urbanismo). Depois, Pinto Monteiro ordenou uma investigação às denúncias do ‘Apito Encarnado’, ao mesmo tempo que Alípio Ribeiro as desvalorizava por completo.

Helena Fazenda, que no dia seguinte à sua nomeação esteve reunida no Porto com a direcção local da Judiciária, passou dois anos discretos na Polícia Judiciária. Fazia a ligação com outras forças policiais e era especialista na área da informática e das telecomunicações. Convidada por Fernando Negrão, saiu quando o actual vereador da Câmara de Lisboa foi demitido. E tem uma coroa de glória: “Teve um papel decisivo na resolução do caso do rapto de Miguel Cintra”, lembra Negrão. “Foi determinante na análise das chamadas telefónicas que permitiram a detenção dos autores do crime”.

Negrão e Fazenda conheceram-se na faculdade de Direito de Lisboa, ainda antes do 25 de Abril. Não ficaram amigos do peito, mas Negrão chamou-a para a direcção da Judiciária quando sentiu a necessidade de alguém capaz de fazer a ligação com organizações. Tem 51 anos e já passou pelo SEF, onde ganhou experiência na investigação de grupos ligados ao tráfico de pessoas. “Tem uma capacidade de trabalho anormal e está disponível 24 horas por dia”, elogia Fernando Negrão. Helena Fazenda é divorciada e tem dois filhos.

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