XimPi

28-06-2009
marcar artigo


POEMA DA PUTA Ontemmorreu a puta mais velhada vila.Tinha cabelos brancos,um dente de ouroe uma foto adolescente.Nunca reclamou do tempo,do governoe do preço das coisas.Mas, desconfio, tinha desertos dentro de si. Foi vista um diaOlhando uma nuvem. Gostava de um vestido vermelhoque nem lhe servia mais. Quando ela morreudois negrinhos barrigudosolhavam o incêndionum monte de lixo. Dizem que foi a paixãode um importante políticonos anos 40.Teve jóias,roupa nova,convite pra festase pneumonia.Sobraram-lhe as rugas:michê de fim de expediente.Votou em Getúlioe sempre respeitou a sexta-feira santa Paixão ela teve duasUm manco de bigodinhoe um outro que voltou pro Norte.O esmalte no dedão descascavaComo descascam certos diase a gente não vê. Morreu sóa puta mais velha da vila. E uma doençaque quase a matou. Um cara perguntouse ela era feliz. Outro, por que não casou.E ela sabiaque um Domingorodeada de netos no subúrbioé também uma prisão. Preferiu a cerveja mornae o São Jorge sobre a cômoda. Morreu velha essa puta na vila.Sem saber a idade ao certomas dos setenta chegou perto. Morreu numa tarde anônimacom criança olhando incêndioe cachorro magropasseando na vila. Tarde comumcom tédio de vestido vermelhoe de varal de vila.o mesmo tédiode que é feita a fúria da primaverae a esperança das putas. Poema de Marçal AquinoQuadro - Mulheres - Toulouse-Lautrec


POEMA DA PUTA Ontemmorreu a puta mais velhada vila.Tinha cabelos brancos,um dente de ouroe uma foto adolescente.Nunca reclamou do tempo,do governoe do preço das coisas.Mas, desconfio, tinha desertos dentro de si. Foi vista um diaOlhando uma nuvem. Gostava de um vestido vermelhoque nem lhe servia mais. Quando ela morreudois negrinhos barrigudosolhavam o incêndionum monte de lixo. Dizem que foi a paixãode um importante políticonos anos 40.Teve jóias,roupa nova,convite pra festase pneumonia.Sobraram-lhe as rugas:michê de fim de expediente.Votou em Getúlioe sempre respeitou a sexta-feira santa Paixão ela teve duasUm manco de bigodinhoe um outro que voltou pro Norte.O esmalte no dedão descascavaComo descascam certos diase a gente não vê. Morreu sóa puta mais velha da vila. E uma doençaque quase a matou. Um cara perguntouse ela era feliz. Outro, por que não casou.E ela sabiaque um Domingorodeada de netos no subúrbioé também uma prisão. Preferiu a cerveja mornae o São Jorge sobre a cômoda. Morreu velha essa puta na vila.Sem saber a idade ao certomas dos setenta chegou perto. Morreu numa tarde anônimacom criança olhando incêndioe cachorro magropasseando na vila. Tarde comumcom tédio de vestido vermelhoe de varal de vila.o mesmo tédiode que é feita a fúria da primaverae a esperança das putas. Poema de Marçal AquinoQuadro - Mulheres - Toulouse-Lautrec

marcar artigo