PONTE DO SOR: EM ABRIL, TRINTA E DOIS ANOS DEPOIS...

24-05-2009
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Portugal desigualA exclusão e a desigualdade social, situações que de um dia para o outro saltaram para a agenda portuguesa, são o resultado de uma opção política e de políticas sectoriais.É uma situação conhecida e mensurável: dois milhões e meio de pobres, a maior disparidade da Europa entre ricos e pobres e as maiores assimetrias regionais, as maiores taxas europeias de analfabetismo funcional e de abandono e insucesso escolares, o maior peso da precaridade no trabalho, as maiores desigualdades salariais entre homens e mulheres, etc.Mas para além da irremediável exclusão social que deriva das políticas governamentais, há também, e com as mesmas raízes, a auto-exclusão. Os portugueses são os europeus que menos participam na vida política e cívica, não cultivam uma opinião pública esclarecida e influente, não desenvolvem movimentos cívicos actuantes e combativos, têm as taxas de sindicalização mais baixas da Europa e os sindicatos com menor poder negocial e reivindicativo que desgastaram e banalizaram o recurso a formas de luta constitucionalmente consagradas. Sendo dos europeus que se manifestam mais infelizes com a vida que levam, os portugueses são também os mais resignados com as diferenças e injustiças sociais, o que tem um pesado fundo de herança histórica e cultural mas também um novo lastro de egoísmo, conformismo, indiferença e descrença.Neste quadro, o apelo para fazer da inclusão uma causa e um desígnio nacionais, só é previsível que tenha um efeito: deixar os excluídos à espera que a inclusão lhes caia do céu e os demais portugueses absolutamente indiferentes. Mas também ninguém estaria à espera que os portugueses, inspirados por esse apelo, por essa causa e esse desígnio, empunhassem a bandeira da inclusão e saíssem à rua, como os franceses na luta contra o Contrato do Primeiro Emprego.João P. Guerra

Portugal desigualA exclusão e a desigualdade social, situações que de um dia para o outro saltaram para a agenda portuguesa, são o resultado de uma opção política e de políticas sectoriais.É uma situação conhecida e mensurável: dois milhões e meio de pobres, a maior disparidade da Europa entre ricos e pobres e as maiores assimetrias regionais, as maiores taxas europeias de analfabetismo funcional e de abandono e insucesso escolares, o maior peso da precaridade no trabalho, as maiores desigualdades salariais entre homens e mulheres, etc.Mas para além da irremediável exclusão social que deriva das políticas governamentais, há também, e com as mesmas raízes, a auto-exclusão. Os portugueses são os europeus que menos participam na vida política e cívica, não cultivam uma opinião pública esclarecida e influente, não desenvolvem movimentos cívicos actuantes e combativos, têm as taxas de sindicalização mais baixas da Europa e os sindicatos com menor poder negocial e reivindicativo que desgastaram e banalizaram o recurso a formas de luta constitucionalmente consagradas. Sendo dos europeus que se manifestam mais infelizes com a vida que levam, os portugueses são também os mais resignados com as diferenças e injustiças sociais, o que tem um pesado fundo de herança histórica e cultural mas também um novo lastro de egoísmo, conformismo, indiferença e descrença.Neste quadro, o apelo para fazer da inclusão uma causa e um desígnio nacionais, só é previsível que tenha um efeito: deixar os excluídos à espera que a inclusão lhes caia do céu e os demais portugueses absolutamente indiferentes. Mas também ninguém estaria à espera que os portugueses, inspirados por esse apelo, por essa causa e esse desígnio, empunhassem a bandeira da inclusão e saíssem à rua, como os franceses na luta contra o Contrato do Primeiro Emprego.João P. Guerra

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