Movimento Escola Pública: O debate continua em todo o país

27-06-2009
marcar artigo


Promovido pelo Movimento Escola Pública (MEP) realizou-se em Barcelos, no passado sábado dia 20, um debate sobre igualdade e emancipação da escola pública. Esta sessão que decorreu no polivalente de uma escola pública – Secundária Alcaides de Faria, contou com a participação de mais de uma centena de pessoas e teve como oradoras: Cecília Honório (Co-fundadora do MEP), Ana Drago (deputada do BE na AR) e Júlia Vale (Dirigente do SPN e Secretariado da FENPROF).José Maria Cardoso, em nome da comissão de professores que organizou este evento, deu inicio à sessão com a apresentação de um filme sobre a Manifestação dos Professores de 8 de Novembro, realizado pelo colega João Lemos da ESAF, que fez questão de participar nesta manifestação e de deixar este seu tributo como legado para a continuação da luta profissional, dado que se aposentou passados quinze dias da data da manifestação. A apresentação do filme serviu como um reconhecimento e agradecimento à sua digna postura.Da exposição reflexiva apresentada pelas oradoras destaca-se a veemente critica às políticas governamentais para a educação que têm sido praticadas no nosso país, muito especialmente a grande “machadada” aos princípios e valores da escola pública que o actual ministério tem infligido pondo em causa a democraticidade do sistema de ensino.Cecília Honório começou por dizer que “a ministra veio pôr pó de arroz no ensejo e fúria reformista. O seu sistema de avaliação docente, que defendeu rasgando a camisola, fica adiado e reduzido a uma caricatura em nome das eleições”. O MEP defende a igualdade, democracia e dignidade da comunidade escolar, “contra o clima de intimidação e medo” da tutela, e visa “abrir o diálogo entre todos os activismos, incluindo sindicatos e partidos”.Júlia Vale centrou a sua intervenção na luta sindical que tem sido travada em nome dos professores mas também em nome da escola pública inclusiva assim como de todo o mundo laboral dizendo que “esta luta é a de todos os trabalhadores independentemente de quem ganhar o governo, o sistema de avaliação e a carreira docente terão de mudar”.Por sua vez, Ana Drago afirmou que “ o governo PS quis remediar o atraso educativo face à UE mais rápido e baratinho. Quer-se que a escola eduque para todas as competências sem lhe dar meios”. A deputada do BE referiu que para além da revogação do ECD também se deve exigir o fim do novo modelo de gestão das escolas que como já é do conhecimento público está a levar á partidarização. “ O partido que estiver na Câmara Municipal vai querer ter uma palavra a dizer”.Seguiu-se um debate bastante participado com um conjunto de intervenções da plateia que abordaram temáticas relacionadas com o processo de luta dos professores e do papel dos sindicatos em todo este processo, entendível que assim fosse, dado que a maior parte dos presentes eram professores, mas também foram discutidas questões relacionadas com o conceito de escola pública.Sem qualquer réstia de dúvida, comprovada pelas auscultações de pós-debate, esta inédita iniciativa em Barcelos foi um êxito, tanto em termos de participação, numa noite em que a elevada temperatura convidava a outras vontades, quanto em termos de discussão contribuindo decisivamente para o acumular de consciências de que a educação tem de ser encarada como um direito e um bem social e não como um produto comercial.A educação tem de ser pensada como ferramenta com alto potencial de redistribuição, de correcção de assimetrias, de igualdade de oportunidades, no fundo do exercício da democracia. Por isso o ensino público tem de ser prioridade de qualquer governo democrático porque só ele é garante destes desígnios.Texto de José Maria Cardoso


Promovido pelo Movimento Escola Pública (MEP) realizou-se em Barcelos, no passado sábado dia 20, um debate sobre igualdade e emancipação da escola pública. Esta sessão que decorreu no polivalente de uma escola pública – Secundária Alcaides de Faria, contou com a participação de mais de uma centena de pessoas e teve como oradoras: Cecília Honório (Co-fundadora do MEP), Ana Drago (deputada do BE na AR) e Júlia Vale (Dirigente do SPN e Secretariado da FENPROF).José Maria Cardoso, em nome da comissão de professores que organizou este evento, deu inicio à sessão com a apresentação de um filme sobre a Manifestação dos Professores de 8 de Novembro, realizado pelo colega João Lemos da ESAF, que fez questão de participar nesta manifestação e de deixar este seu tributo como legado para a continuação da luta profissional, dado que se aposentou passados quinze dias da data da manifestação. A apresentação do filme serviu como um reconhecimento e agradecimento à sua digna postura.Da exposição reflexiva apresentada pelas oradoras destaca-se a veemente critica às políticas governamentais para a educação que têm sido praticadas no nosso país, muito especialmente a grande “machadada” aos princípios e valores da escola pública que o actual ministério tem infligido pondo em causa a democraticidade do sistema de ensino.Cecília Honório começou por dizer que “a ministra veio pôr pó de arroz no ensejo e fúria reformista. O seu sistema de avaliação docente, que defendeu rasgando a camisola, fica adiado e reduzido a uma caricatura em nome das eleições”. O MEP defende a igualdade, democracia e dignidade da comunidade escolar, “contra o clima de intimidação e medo” da tutela, e visa “abrir o diálogo entre todos os activismos, incluindo sindicatos e partidos”.Júlia Vale centrou a sua intervenção na luta sindical que tem sido travada em nome dos professores mas também em nome da escola pública inclusiva assim como de todo o mundo laboral dizendo que “esta luta é a de todos os trabalhadores independentemente de quem ganhar o governo, o sistema de avaliação e a carreira docente terão de mudar”.Por sua vez, Ana Drago afirmou que “ o governo PS quis remediar o atraso educativo face à UE mais rápido e baratinho. Quer-se que a escola eduque para todas as competências sem lhe dar meios”. A deputada do BE referiu que para além da revogação do ECD também se deve exigir o fim do novo modelo de gestão das escolas que como já é do conhecimento público está a levar á partidarização. “ O partido que estiver na Câmara Municipal vai querer ter uma palavra a dizer”.Seguiu-se um debate bastante participado com um conjunto de intervenções da plateia que abordaram temáticas relacionadas com o processo de luta dos professores e do papel dos sindicatos em todo este processo, entendível que assim fosse, dado que a maior parte dos presentes eram professores, mas também foram discutidas questões relacionadas com o conceito de escola pública.Sem qualquer réstia de dúvida, comprovada pelas auscultações de pós-debate, esta inédita iniciativa em Barcelos foi um êxito, tanto em termos de participação, numa noite em que a elevada temperatura convidava a outras vontades, quanto em termos de discussão contribuindo decisivamente para o acumular de consciências de que a educação tem de ser encarada como um direito e um bem social e não como um produto comercial.A educação tem de ser pensada como ferramenta com alto potencial de redistribuição, de correcção de assimetrias, de igualdade de oportunidades, no fundo do exercício da democracia. Por isso o ensino público tem de ser prioridade de qualquer governo democrático porque só ele é garante destes desígnios.Texto de José Maria Cardoso

marcar artigo