Preocupada com uma redução no consumo de combustíveis em virtude do aumento dos seus preços, aumento esse que, pela sua amplitude, começa a pôr em causa a tradicional rigidez típica da procura deste tipo de produtos e, portanto, a fazer baixar a rentabilidade do negócio que é o seu, e através da sua associação representativa (ANAREC), os revendedores de combustíveis solicitam ao Presidente da República que todos os portugueses passem a contribuir para manter o seu negócio e os seus lucros aos níveis anteriores. É esta a única conclusão a tirar do seu apelo, já que não vejo outro modo do Estado interferir que não seja diminuir a carga fiscal respectiva, o que, dada a situação actual das finanças públicas, significaria aumentá-la em quaisquer outros produtos ou actividades, porventura provocando injustiças sociais acrescidas. É que, contrariamente ao que os arautos dos “amanhãs que cantam” e dos diversos populismos andam por aí, quase de braço dado, a afirmar tentando convencer os incautos, existe mesmo muito pouca vida para além do déficit, ou melhor, como a situação em Espanha consegue provar, existe muita vida, mas apenas para depois, e não para além, do déficit. Esperemos o Governo e o PR não vão no canto da sereia e tentem compensar, isso sim, o aumento dos preços dos combustíveis através de prestações sociais, directas ou indirectas (o congelamento de preços dos passes sociais acaba por ser uma prestação social indirecta), àqueles que mais precisam. Quanto á ANAREC, acho que já os tinha ouvido a reclamar “menos estado e melhor estado”. Ou será que estou enganado?
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Preocupada com uma redução no consumo de combustíveis em virtude do aumento dos seus preços, aumento esse que, pela sua amplitude, começa a pôr em causa a tradicional rigidez típica da procura deste tipo de produtos e, portanto, a fazer baixar a rentabilidade do negócio que é o seu, e através da sua associação representativa (ANAREC), os revendedores de combustíveis solicitam ao Presidente da República que todos os portugueses passem a contribuir para manter o seu negócio e os seus lucros aos níveis anteriores. É esta a única conclusão a tirar do seu apelo, já que não vejo outro modo do Estado interferir que não seja diminuir a carga fiscal respectiva, o que, dada a situação actual das finanças públicas, significaria aumentá-la em quaisquer outros produtos ou actividades, porventura provocando injustiças sociais acrescidas. É que, contrariamente ao que os arautos dos “amanhãs que cantam” e dos diversos populismos andam por aí, quase de braço dado, a afirmar tentando convencer os incautos, existe mesmo muito pouca vida para além do déficit, ou melhor, como a situação em Espanha consegue provar, existe muita vida, mas apenas para depois, e não para além, do déficit. Esperemos o Governo e o PR não vão no canto da sereia e tentem compensar, isso sim, o aumento dos preços dos combustíveis através de prestações sociais, directas ou indirectas (o congelamento de preços dos passes sociais acaba por ser uma prestação social indirecta), àqueles que mais precisam. Quanto á ANAREC, acho que já os tinha ouvido a reclamar “menos estado e melhor estado”. Ou será que estou enganado?