Por João Paulo GuerraCom mais de 30 anos de atraso em relação a Portugal, a pança do capitalismo descobriu o coração do “gonçalvismo”.NA AMÉRICA, o governo federal está a intervir em sucessivos gigantes bancários, numa modalidade mitigada de “nacionalização” como a que foi decidida e ensaiada em Portugal em 1974 contra a “sabotagem económica”. Em 1974, perante os acontecimentos em Portugal, a América puxou logo de todo o arsenal da guerra-fria receitado para usar a quente: esquadra da NATO a pairar ao largo da costa, mobilização dos aliados, boicote económico e chantagem financeira, visitas do general Vernon Walters e nomeação do embaixador Frank Carlucci, manipulação de partidos, de sindicatos e da opinião pública, campanha de propaganda delirante, redes terroristas e separatistas clandestinas, etc. Valia tudo. Mas, afinal, a intervenção do Estado na economia não morde.Muito pelo contrário. O que é verdadeiramente grotesco é que o capitalismo mais selvagem, apesar de desconfiado, está a suspirar de alívio. Medidas de inspiração socialista – que apenas socialistas excêntricos como o coronel Hugo Chavez ousam hoje tomar apesar da ameaça de represálias – estão a segurar o capitalismo pelos cabelos para evitar o descalabro iminente. O Fundo Monetário Internacional apressou-se a aplaudir a iniciativa. Quem poderia prever um FMI-ml? Mas não é que o mundo esteja de pernas para o ar: é o sistema que está de pantanas. A especulação tomou o freio nos dentes. O capitalismo ficou com a “bolha”. Wall Street está ao nível da Dona Branca.Perante “a catástrofe iminente” quais “os meios de a conjurar?”, perguntaria Vladimir Ilitch Lenine. E o velho Karl Marx responderia: “obviamente, nacionaliza-se”.«DE» de 11 de Setembro de 2008 - c.a.a.*Actualização-1: Alguém sugere uma modalidade de passatempo que atribuísse, ao respectivo vencedor, um exemplar do livro cuja capa aqui se vê?Actualização-2: Goste-se ou não dos conteúdos ou dos seus autores, o certo é que documentos como este são importantes para o estudo de um período marcante da nossa História recente. Um exemplar da obra será, então, enviado ao leitor que, até às 20h do próximo dia 13, der a resposta mais correcta à questão: «Quantos capítulos tem o livro?». Cada leitor poderá dar uma única resposta; em caso de empate, será premiado o primeiro deles.Actualização: o passatempo terminou. Ver o resultado [aqui]Etiquetas: autor convidado, JPG
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Por João Paulo GuerraCom mais de 30 anos de atraso em relação a Portugal, a pança do capitalismo descobriu o coração do “gonçalvismo”.NA AMÉRICA, o governo federal está a intervir em sucessivos gigantes bancários, numa modalidade mitigada de “nacionalização” como a que foi decidida e ensaiada em Portugal em 1974 contra a “sabotagem económica”. Em 1974, perante os acontecimentos em Portugal, a América puxou logo de todo o arsenal da guerra-fria receitado para usar a quente: esquadra da NATO a pairar ao largo da costa, mobilização dos aliados, boicote económico e chantagem financeira, visitas do general Vernon Walters e nomeação do embaixador Frank Carlucci, manipulação de partidos, de sindicatos e da opinião pública, campanha de propaganda delirante, redes terroristas e separatistas clandestinas, etc. Valia tudo. Mas, afinal, a intervenção do Estado na economia não morde.Muito pelo contrário. O que é verdadeiramente grotesco é que o capitalismo mais selvagem, apesar de desconfiado, está a suspirar de alívio. Medidas de inspiração socialista – que apenas socialistas excêntricos como o coronel Hugo Chavez ousam hoje tomar apesar da ameaça de represálias – estão a segurar o capitalismo pelos cabelos para evitar o descalabro iminente. O Fundo Monetário Internacional apressou-se a aplaudir a iniciativa. Quem poderia prever um FMI-ml? Mas não é que o mundo esteja de pernas para o ar: é o sistema que está de pantanas. A especulação tomou o freio nos dentes. O capitalismo ficou com a “bolha”. Wall Street está ao nível da Dona Branca.Perante “a catástrofe iminente” quais “os meios de a conjurar?”, perguntaria Vladimir Ilitch Lenine. E o velho Karl Marx responderia: “obviamente, nacionaliza-se”.«DE» de 11 de Setembro de 2008 - c.a.a.*Actualização-1: Alguém sugere uma modalidade de passatempo que atribuísse, ao respectivo vencedor, um exemplar do livro cuja capa aqui se vê?Actualização-2: Goste-se ou não dos conteúdos ou dos seus autores, o certo é que documentos como este são importantes para o estudo de um período marcante da nossa História recente. Um exemplar da obra será, então, enviado ao leitor que, até às 20h do próximo dia 13, der a resposta mais correcta à questão: «Quantos capítulos tem o livro?». Cada leitor poderá dar uma única resposta; em caso de empate, será premiado o primeiro deles.Actualização: o passatempo terminou. Ver o resultado [aqui]Etiquetas: autor convidado, JPG