Carlos Lopes, primeiro português a fazer tocar A Portuguesa nuns Jogos Olímpicos, e cujo nome ainda acompanha o recorde da Maratona em Olimpíadas, comemora domingo 60 anos em família, sempre a juntar o útil ao agradável
O primeiro atleta do Mundo a correr os 42,195 quilómetros abaixo das 02:08 horas, quando venceu a Maratona de Roterdão de 1985 (02:07.12 horas), é o mais velho de oito irmãos, nascido a 18 de Fevereiro de 1947, no lugar de Vildemoinhos, Viseu.
«Foi uma vida complicada, mas compensou muito, nomeadamente em termos desportivos. Faço um balanço extremamente positivo, mas tenho que continuar a trabalhar para me manter de pé», avaliou Carlos Lopes, em entrevista à Agência Lusa.
A trabalhar desde os 13 anos, como ajudante de pedreiro, Lopes iniciou-se no pequeno Lusitano Futebol Clube e transferiu-se para o Sporting e para Lisboa em 1967, acumulando vários empregos com as cargas de treino bidiárias: de serralheiro a torneiro mecânico, de contínuo, no extinto Diário Popular, a bancário.
Em cerca de duas décadas de alta competição, com o leão do Sporting ao peito, Carlos Lopes enriqueceu o palmarés com numerosos títulos nacionais, incluindo um recorde de 10 triunfos no corta-mato, mas foi com três triunfos em Mundiais de crosse e um segundo lugar nos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos Montreal1976 que se consagrou.
Após uma arreliadora lesão no tendão de Aquiles, Carlos Lopes regressaria ao mais alto nível, mantendo Portugal suspenso na madrugadora transmissão televisiva de 13 de Agosto de 1984, há 22 anos e meio, ao vencer a Maratona, no Los Angeles Memorial Coliseum, com um pensamento: «esta (medalha de ouro) ninguém me tira!»
«Se querem pessoas que fizeram coisas importantes a transmitir referências aos jovens, isso custa dinheiro. Aguardo com paciência de chinês, mas neste País é tudo muito complicado. Disseram-nos que tudo se ia resolver», afirmou o antigo atleta sobre o cancelamento da avença estatal de 1.250 euros para divulgar a modalidade junto dos jovens, actividade que continua, junto de escolas e clubes.
«Cuido da minha Fundação, estamos a preparar a terceira edição da Carlos Lopes Gold Marathon (15 de Abril, em Lisboa), treino o núcleo do Sporting na Lourinhã e colaboro com o pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Sintra», disse, resumindo os seus dias, «sempre a correr, na luta, mas agora de outra forma».
O aniversário vai ser comemorado em família, como é o dia-a- dia, junto da sua mulher, também antiga atleta do Sporting, Teresa, com quem está casado há 34 anos, e dos três filhos: Nuno, 33 anos, Carlos, 26, e Bárbara, 20.
Sobre a recente descoberta de eritropoietina (EPO) numa análise antidoping a Fernando Silva, que deverá ser desapossado da medalha de prata dos Europeus de corta-mato de San Giorgio Su Legnano2006, Carlos Lopes mostra-se chocado, mas o atleta não é o máximo culpado.
«Choca-me ver isto numa modalidade que eu defendi. Agora, o atleta não é o máximo culpado. Quando as coisas acontecem, o atleta é que sofre, mas há outros que têm que ser responsabilizados, treinadores, dirigentes...», afirmou.
Aos atletas mais jovens, Lopes aconselhou a nunca abdicarem das habilitações académicas, pois «o desporto não deve ser uma forma de ganhar a vida, mas um modo de vivê-la, embora se se juntar o útil ao agradável, tanto melhor».
«Eu pratiquei desporto com todo o coração e não me dei nada mal», concluiu o homem que ficou em segundo lugar na primeira prova oficial em que competiu - a corrida São Silvestre de Viseu, em 1965 - e se despediu com um triunfo no Grande Prémio dos Reis, em Faro, já com a camisola do Imortal de Albufeira, em 1987.
Lusa/SOL
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Carlos Lopes, primeiro português a fazer tocar A Portuguesa nuns Jogos Olímpicos, e cujo nome ainda acompanha o recorde da Maratona em Olimpíadas, comemora domingo 60 anos em família, sempre a juntar o útil ao agradável
O primeiro atleta do Mundo a correr os 42,195 quilómetros abaixo das 02:08 horas, quando venceu a Maratona de Roterdão de 1985 (02:07.12 horas), é o mais velho de oito irmãos, nascido a 18 de Fevereiro de 1947, no lugar de Vildemoinhos, Viseu.
«Foi uma vida complicada, mas compensou muito, nomeadamente em termos desportivos. Faço um balanço extremamente positivo, mas tenho que continuar a trabalhar para me manter de pé», avaliou Carlos Lopes, em entrevista à Agência Lusa.
A trabalhar desde os 13 anos, como ajudante de pedreiro, Lopes iniciou-se no pequeno Lusitano Futebol Clube e transferiu-se para o Sporting e para Lisboa em 1967, acumulando vários empregos com as cargas de treino bidiárias: de serralheiro a torneiro mecânico, de contínuo, no extinto Diário Popular, a bancário.
Em cerca de duas décadas de alta competição, com o leão do Sporting ao peito, Carlos Lopes enriqueceu o palmarés com numerosos títulos nacionais, incluindo um recorde de 10 triunfos no corta-mato, mas foi com três triunfos em Mundiais de crosse e um segundo lugar nos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos Montreal1976 que se consagrou.
Após uma arreliadora lesão no tendão de Aquiles, Carlos Lopes regressaria ao mais alto nível, mantendo Portugal suspenso na madrugadora transmissão televisiva de 13 de Agosto de 1984, há 22 anos e meio, ao vencer a Maratona, no Los Angeles Memorial Coliseum, com um pensamento: «esta (medalha de ouro) ninguém me tira!»
«Se querem pessoas que fizeram coisas importantes a transmitir referências aos jovens, isso custa dinheiro. Aguardo com paciência de chinês, mas neste País é tudo muito complicado. Disseram-nos que tudo se ia resolver», afirmou o antigo atleta sobre o cancelamento da avença estatal de 1.250 euros para divulgar a modalidade junto dos jovens, actividade que continua, junto de escolas e clubes.
«Cuido da minha Fundação, estamos a preparar a terceira edição da Carlos Lopes Gold Marathon (15 de Abril, em Lisboa), treino o núcleo do Sporting na Lourinhã e colaboro com o pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Sintra», disse, resumindo os seus dias, «sempre a correr, na luta, mas agora de outra forma».
O aniversário vai ser comemorado em família, como é o dia-a- dia, junto da sua mulher, também antiga atleta do Sporting, Teresa, com quem está casado há 34 anos, e dos três filhos: Nuno, 33 anos, Carlos, 26, e Bárbara, 20.
Sobre a recente descoberta de eritropoietina (EPO) numa análise antidoping a Fernando Silva, que deverá ser desapossado da medalha de prata dos Europeus de corta-mato de San Giorgio Su Legnano2006, Carlos Lopes mostra-se chocado, mas o atleta não é o máximo culpado.
«Choca-me ver isto numa modalidade que eu defendi. Agora, o atleta não é o máximo culpado. Quando as coisas acontecem, o atleta é que sofre, mas há outros que têm que ser responsabilizados, treinadores, dirigentes...», afirmou.
Aos atletas mais jovens, Lopes aconselhou a nunca abdicarem das habilitações académicas, pois «o desporto não deve ser uma forma de ganhar a vida, mas um modo de vivê-la, embora se se juntar o útil ao agradável, tanto melhor».
«Eu pratiquei desporto com todo o coração e não me dei nada mal», concluiu o homem que ficou em segundo lugar na primeira prova oficial em que competiu - a corrida São Silvestre de Viseu, em 1965 - e se despediu com um triunfo no Grande Prémio dos Reis, em Faro, já com a camisola do Imortal de Albufeira, em 1987.
Lusa/SOL