Galiza: Carlos Lage considera "interessante" ideia de transmissão de televisões portuguesas

15-12-2007
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Cultura

Galiza: Carlos Lage considera "interessante" ideia de transmissão de televisões portuguesas

Porto, 14 Dez (Lusa) - O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Lage, considerou hoje "interessante" a ideia de transmissão das televisões portuguesas na Galiza, afirmando que vai analisar o assunto com o governo galego.

"Não conhecia, mas acho essa ideia interessante. Vamos ter muito em breve uma reunião com a Junta da Galiza e nessa altura poderei falar no assunto. É uma questão a explorar", disse à agência Lusa Carlos Lage.

Para o presidente da CCDRN, "é bem-vindo tudo o que possa intensificar as relações culturais e comunicativas entre Portugal e a Galiza".

Quarta-feira, o chefe do Governo de Espanha, José Luís Zapatero, referiu que o seu executivo está aberto a estudar a possibilidade de conseguir a transmissão de televisões portuguesas na Galiza, admitindo, porém, que esse processo é tecnicamente complexo.

As garantias de Zapatero foram dadas no parlamento em Madrid, onde referiu que a maior dificuldade do processo se relaciona com a falta de espaço radioeléctrico, dadas as licenças de transmissão já concedidas na Galiza.

"Posso confirmar que o governo está aberto a estudar a possibilidade de dar meios técnicos adicionais para a difusão da televisão portuguesa na Galiza. Mas este é um tema complexo, com dificuldades técnicas, jurídicas e económicas", afirmou.

"A Galiza tem já canais múltiplos e um dos problemas é não haver espaço radioeléctrico para responder a esta petição", acrescentou.

Quinta-feira, em comunicado, a Fundação Via Galega (FVG) congratulou-se com a abertura manifestada por José Luis Zapatero, salientando que, se houver vontade política, as dificuldades técnicas serão "facilmente" superadas.

A FVG adiantou que cabe agora à Junta da Galiza "dar um passo em frente" e proceder à "análise rigorosa e profunda" que o primeiro-ministro espanhol sublinhou ser necessária antes de se proceder à efectiva materialização do processo de recepção das televisões portuguesas em território galego.

A FVG é uma organização da Galiza vocacionada para a promoção de um mais estreito diálogo entre Espanha e os demais países e territórios do sistema linguístico galaico-português.

A fundação frisou que o Governo espanhol tem de dar cumprimento a um dos compromissos que assumiu quando ratificou a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, que num dos seus artigos diz que "deve ser garantida a recepção directa de emissões de rádio e televisão de países vizinhos numa língua utilizada de forma idêntica ou próxima de uma língua regional ou minoritária".

A FVG lembrou ainda que este preceito europeu "já se implementou de maneira efectiva" noutros estados que ratificaram a carta, como a Finlândia, em relação à vizinha Suécia, ou a Alemanha, relativamente a países vizinhos cujas línguas sejam também usadas em territórios germanos.

Zapatero admitiu que as dificuldades técnicas poderão ser ultrapassadas com a "sobreposição de ambas as redes de difusão na zona fronteiriça", cabendo agora "analisar o custo de instalar infra-estruturas" bem como questões como direitos de gestão, publicidade e temas de relações exteriores".

"Repito que há vontade do governo para que possamos abordar este tema, mas há um conjunto de elementos que torna complexo que esta proposta se materialize", sublinhou.

O assunto foi levantado na sessão de controlo ao governo pelo deputado do Bloco Nacionalista Galego (BNG), Francisco Rodriguez, que recordou a Zapatero que o galego e o português são "duas variantes da mesma língua" e que há razões "de tipo linguístico e cultural" que justificam a sua transmissão.

Rodriguez recordou que o apoio ao espaço galego-português decorre do "estipulado na Carta Europeia das Línguas Minoritárias".

Saudando a declaração de vontade de Zapatero, o deputado galego afirmou que há "que pôr mãos à obra e começar a trabalhar" no sentido de materializar a ideia, sendo para isso necessário que o tema se começasse a tratar no relacionamento bilateral com Portugal.

"É um tema muito importante para ambas as partes. E do ponto de vista galego, é essencial para a unidade e vitalidade da língua", disse.

"O senhor conhece também os prejuízos e estereótipos que temos uns povos sobre os outros, e no caso da Galiza é importante acabar com isso. Ao mesmo tempo pode ajudar a cimentar a relação económica fortíssima que já temos", disse o deputado galego a Zapatero.

Rodriguez afirmou que há "que romper verdadeiramente essa fronteira, que existe a nível politico, social, cultural e comunicativo", não se tratando de "recuperar a história passada" mas de "manter o melhor que houve no passado em que o Norte português e a Galiza estiveram muito próximos".

Zapatero voltou a responder, afirmando que o governo "tem o interesse máximo pelo apoio e difusão das línguas do Estado", sendo que "entre elas o galego necessita de um esforço maior".

Referiu que o tema deverá ser discutido na próxima cimeira luso-espanhola que se realizará em Janeiro em Braga.

FZ/VCP/ASP.

Lusa/Fim

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Galiza: Carlos Lage considera "interessante" ideia de transmissão de televisões portuguesas

Porto, 14 Dez (Lusa) - O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Lage, considerou hoje "interessante" a ideia de transmissão das televisões portuguesas na Galiza, afirmando que vai analisar o assunto com o governo galego.

"Não conhecia, mas acho essa ideia interessante. Vamos ter muito em breve uma reunião com a Junta da Galiza e nessa altura poderei falar no assunto. É uma questão a explorar", disse à agência Lusa Carlos Lage.

Para o presidente da CCDRN, "é bem-vindo tudo o que possa intensificar as relações culturais e comunicativas entre Portugal e a Galiza".

Quarta-feira, o chefe do Governo de Espanha, José Luís Zapatero, referiu que o seu executivo está aberto a estudar a possibilidade de conseguir a transmissão de televisões portuguesas na Galiza, admitindo, porém, que esse processo é tecnicamente complexo.

As garantias de Zapatero foram dadas no parlamento em Madrid, onde referiu que a maior dificuldade do processo se relaciona com a falta de espaço radioeléctrico, dadas as licenças de transmissão já concedidas na Galiza.

"Posso confirmar que o governo está aberto a estudar a possibilidade de dar meios técnicos adicionais para a difusão da televisão portuguesa na Galiza. Mas este é um tema complexo, com dificuldades técnicas, jurídicas e económicas", afirmou.

"A Galiza tem já canais múltiplos e um dos problemas é não haver espaço radioeléctrico para responder a esta petição", acrescentou.

Quinta-feira, em comunicado, a Fundação Via Galega (FVG) congratulou-se com a abertura manifestada por José Luis Zapatero, salientando que, se houver vontade política, as dificuldades técnicas serão "facilmente" superadas.

A FVG adiantou que cabe agora à Junta da Galiza "dar um passo em frente" e proceder à "análise rigorosa e profunda" que o primeiro-ministro espanhol sublinhou ser necessária antes de se proceder à efectiva materialização do processo de recepção das televisões portuguesas em território galego.

A FVG é uma organização da Galiza vocacionada para a promoção de um mais estreito diálogo entre Espanha e os demais países e territórios do sistema linguístico galaico-português.

A fundação frisou que o Governo espanhol tem de dar cumprimento a um dos compromissos que assumiu quando ratificou a Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, que num dos seus artigos diz que "deve ser garantida a recepção directa de emissões de rádio e televisão de países vizinhos numa língua utilizada de forma idêntica ou próxima de uma língua regional ou minoritária".

A FVG lembrou ainda que este preceito europeu "já se implementou de maneira efectiva" noutros estados que ratificaram a carta, como a Finlândia, em relação à vizinha Suécia, ou a Alemanha, relativamente a países vizinhos cujas línguas sejam também usadas em territórios germanos.

Zapatero admitiu que as dificuldades técnicas poderão ser ultrapassadas com a "sobreposição de ambas as redes de difusão na zona fronteiriça", cabendo agora "analisar o custo de instalar infra-estruturas" bem como questões como direitos de gestão, publicidade e temas de relações exteriores".

"Repito que há vontade do governo para que possamos abordar este tema, mas há um conjunto de elementos que torna complexo que esta proposta se materialize", sublinhou.

O assunto foi levantado na sessão de controlo ao governo pelo deputado do Bloco Nacionalista Galego (BNG), Francisco Rodriguez, que recordou a Zapatero que o galego e o português são "duas variantes da mesma língua" e que há razões "de tipo linguístico e cultural" que justificam a sua transmissão.

Rodriguez recordou que o apoio ao espaço galego-português decorre do "estipulado na Carta Europeia das Línguas Minoritárias".

Saudando a declaração de vontade de Zapatero, o deputado galego afirmou que há "que pôr mãos à obra e começar a trabalhar" no sentido de materializar a ideia, sendo para isso necessário que o tema se começasse a tratar no relacionamento bilateral com Portugal.

"É um tema muito importante para ambas as partes. E do ponto de vista galego, é essencial para a unidade e vitalidade da língua", disse.

"O senhor conhece também os prejuízos e estereótipos que temos uns povos sobre os outros, e no caso da Galiza é importante acabar com isso. Ao mesmo tempo pode ajudar a cimentar a relação económica fortíssima que já temos", disse o deputado galego a Zapatero.

Rodriguez afirmou que há "que romper verdadeiramente essa fronteira, que existe a nível politico, social, cultural e comunicativo", não se tratando de "recuperar a história passada" mas de "manter o melhor que houve no passado em que o Norte português e a Galiza estiveram muito próximos".

Zapatero voltou a responder, afirmando que o governo "tem o interesse máximo pelo apoio e difusão das línguas do Estado", sendo que "entre elas o galego necessita de um esforço maior".

Referiu que o tema deverá ser discutido na próxima cimeira luso-espanhola que se realizará em Janeiro em Braga.

FZ/VCP/ASP.

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