"A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo." Anais NinChurchil disse “As citações, quando gravadas na nossa memória, dão-nos bons pensamentos.“ E assim é , há momentos em que as palavras dos outros explicam melhor o nosso estado de alma que a nossa própria expressão. A vida contraiu-se e arrastou, inevitavelmente, a coragem. É sempre mais fácil recorrer ao refúgio a enganar-me a arrepiar caminho, impávido e sereno como se o mundo não pesasse excessivamente nas costas e não tivesse que deixá-lo cair (pairava sobre mim o pragmatismo ameaçador das palavras de Nietzsche “Sofrimento que não mata, torna-nos mais fortes” que recusei aceitar, queria um refúgio onde pudesse aceitar que há momentos em que nada mais há a fazer senão limitarmo-nos a sentir e obedecer às ordens (inconscientes?!?) do subconsciente).Nestas semanas, (a minha consciência temporal anda ainda um pouco desregulada), minutos houve que pareciam horas e horas que pareciam minutos. O pensamento não parava de realizar conjecturas e de se readaptar a uma nova realidade forçada.Aprendi (outra vez) que há momentos que são para doer (e tem mesmo que doer; caso não doa algo está mal), outros para convalescer e, finalmente, outros para renascer (nunca antes oito letras tinham pesado tanto).Malraux escreveu que "Não é a arranhar interminavelmente o indivíduo que acabamos por encontrar o homem", e de facto não o é. Interpretando “arranhar” seja pela via física, seja pela via metafórica, esquartejar um Homem não o mostra, não o qualifica, não é revelador do seu carácter. O Homem vale pelo conjunto, pelo todo, pela “Mens sana in corpore sano” e só é passível de avaliação justa quando não está a ser “arranhado”. Perante os arranhões, o Homem refugia-se nos instintos animalescos, sejam de protecção, defesa ou agressividade.Os arranhões não me reflectem, mas eu reflicto-os. Refazer o tempo, redifinir metas, reconstruir sonhos re, re, re… até que percebi que havia coisas que não podia re-, que tinha que as deixar ficar, tinham que arder, que se purificar de modo a que se transformem. Encontrei o que sou e criei o que quero ser, afinal “Quer queiramos quer não, vivemos com convicções e de convicções. O mais teoreticamente céptico existe apoiando-se num suporte de crenças sobre o que as coisas são. A vida é absoluta convicção.” (Ortega y Gasset).Simultaneamente, o mundo andava, nalguns sítios para o futuro, noutros em “looping”. Polémicas e mais polémicas, do apito à UNI, dos atentados no Iraque às ameaças de Ahmadinejad, às consequências do sonho americano, aos gatos que querem ladrar, às câmaras que deslizam nos orçamentos etc. etc. etc. é sempre o mesmo e mais do mesmo.E, à moda da “quadratura”, e as questões essenciais?No campo desportivo nada de novo, Vanessa Fernandes continua a ganhar provas no triatlo, Mourinho é o treinador mais bem pago do Mundo e só no Football Manager é que há um treinador melhor que ele, eu (mas aí até o Benfica é campeão, e com o Fernando Santos a treinar! Pelo que está completamente desfasado da realidade) e o futebol de Cristiano Ronaldo dá um novo sentido à expressão “pérola do Atlântico”. Portanto, os portugueses brilham lá fora, sempre mais que cá dentro, e até Durão Barroso já recebe prémios e louvores, pelo que se perspectiva um segundo mandato.Vai daí, e já que não me distraía com a actualidade noticiosa, tentei encher a cabeça com outras irrealidades e até futilidades. Vi alguns filmes que, apesar da mistura turbulenta de associações e referências, realizadas por neurónios cansados, devo recomendar: “O Último Rei da Escócia” (que dá que pensar, sobretudo ao nível das sociedades que não se sabem reger sem certos sistemas, por muito democraticamente que um líder seja eleito há países que acabam sempre na ditadura ou na submissão a terceiros; está enraizado, volta sempre aqui e não sabem viver sem ela, note-se o Iraque!), “Little Miss Sunshine” (o espelho da parte mais desprezível da cultura norte-americana, um “American Beauty” de estilo irónico-comediante; depois de ver o filme não é difícil perceber como ainda acontecem autênticos massacres nas escolas americanas, a mentalidade do “tenho que ser sempre o melhor” e a recusa do erro cria os assassinos), Babel (excelente mostra de três realidades completamente díspares mas ligadas por linha ténue; é a “aldeia global” na mais correcta acepção), entre outros.E com o tempo, a vida volta a expandir-se lentamente, volta a tomar forma, a reconhecer limites e limitações e a minha fé baseia-se agora na máxima de que “Só o homem é susceptível de magicar, de refazer a Criação à sua imagem... O homem corrige Deus.” (Teixeira de Pascoaes) e é isso que quero fazer.
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"A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo." Anais NinChurchil disse “As citações, quando gravadas na nossa memória, dão-nos bons pensamentos.“ E assim é , há momentos em que as palavras dos outros explicam melhor o nosso estado de alma que a nossa própria expressão. A vida contraiu-se e arrastou, inevitavelmente, a coragem. É sempre mais fácil recorrer ao refúgio a enganar-me a arrepiar caminho, impávido e sereno como se o mundo não pesasse excessivamente nas costas e não tivesse que deixá-lo cair (pairava sobre mim o pragmatismo ameaçador das palavras de Nietzsche “Sofrimento que não mata, torna-nos mais fortes” que recusei aceitar, queria um refúgio onde pudesse aceitar que há momentos em que nada mais há a fazer senão limitarmo-nos a sentir e obedecer às ordens (inconscientes?!?) do subconsciente).Nestas semanas, (a minha consciência temporal anda ainda um pouco desregulada), minutos houve que pareciam horas e horas que pareciam minutos. O pensamento não parava de realizar conjecturas e de se readaptar a uma nova realidade forçada.Aprendi (outra vez) que há momentos que são para doer (e tem mesmo que doer; caso não doa algo está mal), outros para convalescer e, finalmente, outros para renascer (nunca antes oito letras tinham pesado tanto).Malraux escreveu que "Não é a arranhar interminavelmente o indivíduo que acabamos por encontrar o homem", e de facto não o é. Interpretando “arranhar” seja pela via física, seja pela via metafórica, esquartejar um Homem não o mostra, não o qualifica, não é revelador do seu carácter. O Homem vale pelo conjunto, pelo todo, pela “Mens sana in corpore sano” e só é passível de avaliação justa quando não está a ser “arranhado”. Perante os arranhões, o Homem refugia-se nos instintos animalescos, sejam de protecção, defesa ou agressividade.Os arranhões não me reflectem, mas eu reflicto-os. Refazer o tempo, redifinir metas, reconstruir sonhos re, re, re… até que percebi que havia coisas que não podia re-, que tinha que as deixar ficar, tinham que arder, que se purificar de modo a que se transformem. Encontrei o que sou e criei o que quero ser, afinal “Quer queiramos quer não, vivemos com convicções e de convicções. O mais teoreticamente céptico existe apoiando-se num suporte de crenças sobre o que as coisas são. A vida é absoluta convicção.” (Ortega y Gasset).Simultaneamente, o mundo andava, nalguns sítios para o futuro, noutros em “looping”. Polémicas e mais polémicas, do apito à UNI, dos atentados no Iraque às ameaças de Ahmadinejad, às consequências do sonho americano, aos gatos que querem ladrar, às câmaras que deslizam nos orçamentos etc. etc. etc. é sempre o mesmo e mais do mesmo.E, à moda da “quadratura”, e as questões essenciais?No campo desportivo nada de novo, Vanessa Fernandes continua a ganhar provas no triatlo, Mourinho é o treinador mais bem pago do Mundo e só no Football Manager é que há um treinador melhor que ele, eu (mas aí até o Benfica é campeão, e com o Fernando Santos a treinar! Pelo que está completamente desfasado da realidade) e o futebol de Cristiano Ronaldo dá um novo sentido à expressão “pérola do Atlântico”. Portanto, os portugueses brilham lá fora, sempre mais que cá dentro, e até Durão Barroso já recebe prémios e louvores, pelo que se perspectiva um segundo mandato.Vai daí, e já que não me distraía com a actualidade noticiosa, tentei encher a cabeça com outras irrealidades e até futilidades. Vi alguns filmes que, apesar da mistura turbulenta de associações e referências, realizadas por neurónios cansados, devo recomendar: “O Último Rei da Escócia” (que dá que pensar, sobretudo ao nível das sociedades que não se sabem reger sem certos sistemas, por muito democraticamente que um líder seja eleito há países que acabam sempre na ditadura ou na submissão a terceiros; está enraizado, volta sempre aqui e não sabem viver sem ela, note-se o Iraque!), “Little Miss Sunshine” (o espelho da parte mais desprezível da cultura norte-americana, um “American Beauty” de estilo irónico-comediante; depois de ver o filme não é difícil perceber como ainda acontecem autênticos massacres nas escolas americanas, a mentalidade do “tenho que ser sempre o melhor” e a recusa do erro cria os assassinos), Babel (excelente mostra de três realidades completamente díspares mas ligadas por linha ténue; é a “aldeia global” na mais correcta acepção), entre outros.E com o tempo, a vida volta a expandir-se lentamente, volta a tomar forma, a reconhecer limites e limitações e a minha fé baseia-se agora na máxima de que “Só o homem é susceptível de magicar, de refazer a Criação à sua imagem... O homem corrige Deus.” (Teixeira de Pascoaes) e é isso que quero fazer.