Uma das qualidades que aprecio nas pessoas é o humor bom.
Não o bom humor, essa coisa de ser bem comportado, simpático e não incomodar os outros. Nada disso. Aqui fala-se de humor a sério, capacidade para nos arrancar um sorriso, uma gargalhada ou, no caso dos que dominam de facto essa arte, conduzir à reflexão.
Não se exige de um ministro que nos governe e, em simultâneo, domine esta arte do humor bom.
Por isso Augusto Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares que tutela a RTP, é tão estimável.
Além do trabalho que tem produzido na área da comunicação social, que é coisa para deixar marcas durante anos, revela-se uma pessoa capaz de nos divertir. O que muito agradeço.
Diz ele na edição de hoje do «Público», a propósito da compra dos direitos do campeonato português pela RTP: «Os eventos desportivos servem como factores de identidade portuguesa».
Acrescenta o ministro que «a RTP1 deve transmitir manifestações aglutinadoras das pessoas», acontecimentos de «generalizado interesse público, eventos que têm repercussão na cultura e mentalidade dos portugueses».
Por esta altura a sala já mal segura a barriga, tal o esforço para rir de uma forma civilizada. De facto, nada mais hilariante do que a tradução em imagens desta ideia do ministro: os portugueses de olhos na RTP, formando a sua identidade cultural e mentalidade a cada grande penalidade por assinalar, cartão vermelho por exibir ou pancadaria nas bancadas. Uma polémica entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, com o major Valentim Loureiro a gritar lá do fundo. Nada pode formar melhor a mentalidade de um português.
Os grandes cómicos guardam o melhor para o fim. O ministro merece pertencer a essa linhagem. Diz o jornal que no mesmo plano dos jogos do campeonato de futebol, mas na área política, estão por exemplo as comemorações do 25 de Abril ou as celebrações de Fátima no âmbito religioso.
É uma nova fórmula que nasce: Fátima, Futebol e 25 de Abril.
O ministro, agora num registo já mais sério que não o favorece, não se lembra «de alguma vez a RTP não ter apresentado as selecções». O que significa que não viu o Mundial 2006 na SIC e o Euro 2008 na TVI.
P.S.: Durante quatro anos, a TVI transmitiu os jogos de futebol do campeonato. Como se sabe, isso acarretou graves prejuízos para a identidade dos portugueses, que felizmente poderão agora recuperar dos danos causados.
NOTA: Além de director editorial do IOL PortugalDiário, sou editor de desporto da TVI. Mas acho que isso não me impede de elogiar as qualidades de uma pessoa quando as vejo.
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Uma das qualidades que aprecio nas pessoas é o humor bom.
Não o bom humor, essa coisa de ser bem comportado, simpático e não incomodar os outros. Nada disso. Aqui fala-se de humor a sério, capacidade para nos arrancar um sorriso, uma gargalhada ou, no caso dos que dominam de facto essa arte, conduzir à reflexão.
Não se exige de um ministro que nos governe e, em simultâneo, domine esta arte do humor bom.
Por isso Augusto Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares que tutela a RTP, é tão estimável.
Além do trabalho que tem produzido na área da comunicação social, que é coisa para deixar marcas durante anos, revela-se uma pessoa capaz de nos divertir. O que muito agradeço.
Diz ele na edição de hoje do «Público», a propósito da compra dos direitos do campeonato português pela RTP: «Os eventos desportivos servem como factores de identidade portuguesa».
Acrescenta o ministro que «a RTP1 deve transmitir manifestações aglutinadoras das pessoas», acontecimentos de «generalizado interesse público, eventos que têm repercussão na cultura e mentalidade dos portugueses».
Por esta altura a sala já mal segura a barriga, tal o esforço para rir de uma forma civilizada. De facto, nada mais hilariante do que a tradução em imagens desta ideia do ministro: os portugueses de olhos na RTP, formando a sua identidade cultural e mentalidade a cada grande penalidade por assinalar, cartão vermelho por exibir ou pancadaria nas bancadas. Uma polémica entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, com o major Valentim Loureiro a gritar lá do fundo. Nada pode formar melhor a mentalidade de um português.
Os grandes cómicos guardam o melhor para o fim. O ministro merece pertencer a essa linhagem. Diz o jornal que no mesmo plano dos jogos do campeonato de futebol, mas na área política, estão por exemplo as comemorações do 25 de Abril ou as celebrações de Fátima no âmbito religioso.
É uma nova fórmula que nasce: Fátima, Futebol e 25 de Abril.
O ministro, agora num registo já mais sério que não o favorece, não se lembra «de alguma vez a RTP não ter apresentado as selecções». O que significa que não viu o Mundial 2006 na SIC e o Euro 2008 na TVI.
P.S.: Durante quatro anos, a TVI transmitiu os jogos de futebol do campeonato. Como se sabe, isso acarretou graves prejuízos para a identidade dos portugueses, que felizmente poderão agora recuperar dos danos causados.
NOTA: Além de director editorial do IOL PortugalDiário, sou editor de desporto da TVI. Mas acho que isso não me impede de elogiar as qualidades de uma pessoa quando as vejo.