AL TEJO: CRÓNICAS DE OPINIÃO DA RÁDIO DIANA

28-10-2008
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Não havia necessidade Eduardo Luciano Quarta, 06 Dezembro 2006 Correspondendo ao convite do Senhor Presidente da Câmara, assisti, no passado sábado, à sessão solene evocativa da passagem de duas décadas sobre o reconhecimento do Centro Histórico de Évora como Património Mundial. Confesso-vos que não sou muito dado a sessões solenes. Normalmente são momentos em que raramente se diz o que se pensa, tendo os intervenientes o cuidado de procurar palavras que possam gerar consenso sobre a efeméride que se está a comemorar.Na sessão solene de sábado tudo correu de forma quase perfeita. O senhor Presidente da Câmara, no seu discurso, elogiou a cidade, falou sobre a importância da atracção de um turismo de qualidade por oposição a um turismo de massas, fez referências elogiosas ao historiador Túlio Espanca, ao Grupo Pró-Évora como pioneiro do associativismo em defesa do património e a Abílio Fernandes pela importância do seu papel no processo que culminou na elevação do Centro Histórico de Évora a Património da Humanidade.Foi uma intervenção típica de uma sessão solene evitando a polémica e optando pelo reconhecimento do que é consensual.A terminar a cerimónia foi dada a palavra ao Senhor Ministro Augusto Santos Silva. Pegou na palavra, despiu a pele de ministro e vestiu a pele de professor. Relembrou a sua formação de base em história, falou sobre a evolução do conceito de património durante o século passado, pontuando a sua intervenção com pequenas estórias e memórias pessoais. Por fim, voltou a vestir a pele de ministro para lembrar a importância dos aspectos culturais para o desenvolvimento económico e para referir que sem o investimento que as autarquias locais realizam nessa área, o nosso país seria certamente muito mais pobre.E tudo teria ficado bem se Augusto Santos Silva tivesse terminado a sua intervenção por aqui. Mas há coisas que são mais fortes que nós e o Senhor Ministro não resistiu à tentação de despir essa pele e de vestir a pele de homem do PS, para dar Évora como exemplo de crescimento do investimento na área da cultura, sublinhando, principalmente nos últimos mandatos autárquicos. Esta afirmação dita a terminar a sua intervenção, enquanto procurava com o olhar o actual detentor do cargo de Presidente da Câmara, para além de deselegante porque proferida numa Sessão Solene, pareceu-me, logo no momento, destituída de verdade.Bastaria ao senhor ministro dar uma espreitadela aos últimos orçamentos para perceber que entre o orçamento de 2005 e o aprovado ontem para 2007, com a abstenção do vereador do PSD e o voto contra dos vereadores da CDU, o valor inscrito na rubrica animação e programação cultural diminuiu 792.093 euros.Afinal, parece que a tendência é a da diminuição do peso da programação cultural no orçamento municipal e, contrariamente ao anunciado pelo Senhor Ministro, principalmente nos últimos mandatos autárquicos.Estava tudo a correr tão bem… o Professor Doutor Santos Silva poderia ter mantido a sua intervenção na área da defesa do património vivo, do peso da cultura nas economias, no elogio generalizado ao papel das autarquias e até eu teria batido palmas.


Não havia necessidade Eduardo Luciano Quarta, 06 Dezembro 2006 Correspondendo ao convite do Senhor Presidente da Câmara, assisti, no passado sábado, à sessão solene evocativa da passagem de duas décadas sobre o reconhecimento do Centro Histórico de Évora como Património Mundial. Confesso-vos que não sou muito dado a sessões solenes. Normalmente são momentos em que raramente se diz o que se pensa, tendo os intervenientes o cuidado de procurar palavras que possam gerar consenso sobre a efeméride que se está a comemorar.Na sessão solene de sábado tudo correu de forma quase perfeita. O senhor Presidente da Câmara, no seu discurso, elogiou a cidade, falou sobre a importância da atracção de um turismo de qualidade por oposição a um turismo de massas, fez referências elogiosas ao historiador Túlio Espanca, ao Grupo Pró-Évora como pioneiro do associativismo em defesa do património e a Abílio Fernandes pela importância do seu papel no processo que culminou na elevação do Centro Histórico de Évora a Património da Humanidade.Foi uma intervenção típica de uma sessão solene evitando a polémica e optando pelo reconhecimento do que é consensual.A terminar a cerimónia foi dada a palavra ao Senhor Ministro Augusto Santos Silva. Pegou na palavra, despiu a pele de ministro e vestiu a pele de professor. Relembrou a sua formação de base em história, falou sobre a evolução do conceito de património durante o século passado, pontuando a sua intervenção com pequenas estórias e memórias pessoais. Por fim, voltou a vestir a pele de ministro para lembrar a importância dos aspectos culturais para o desenvolvimento económico e para referir que sem o investimento que as autarquias locais realizam nessa área, o nosso país seria certamente muito mais pobre.E tudo teria ficado bem se Augusto Santos Silva tivesse terminado a sua intervenção por aqui. Mas há coisas que são mais fortes que nós e o Senhor Ministro não resistiu à tentação de despir essa pele e de vestir a pele de homem do PS, para dar Évora como exemplo de crescimento do investimento na área da cultura, sublinhando, principalmente nos últimos mandatos autárquicos. Esta afirmação dita a terminar a sua intervenção, enquanto procurava com o olhar o actual detentor do cargo de Presidente da Câmara, para além de deselegante porque proferida numa Sessão Solene, pareceu-me, logo no momento, destituída de verdade.Bastaria ao senhor ministro dar uma espreitadela aos últimos orçamentos para perceber que entre o orçamento de 2005 e o aprovado ontem para 2007, com a abstenção do vereador do PSD e o voto contra dos vereadores da CDU, o valor inscrito na rubrica animação e programação cultural diminuiu 792.093 euros.Afinal, parece que a tendência é a da diminuição do peso da programação cultural no orçamento municipal e, contrariamente ao anunciado pelo Senhor Ministro, principalmente nos últimos mandatos autárquicos.Estava tudo a correr tão bem… o Professor Doutor Santos Silva poderia ter mantido a sua intervenção na área da defesa do património vivo, do peso da cultura nas economias, no elogio generalizado ao papel das autarquias e até eu teria batido palmas.

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