Lisboa, 21 Set (Lusa) - Uma psicóloga que dá apoio a elementos da PSP e familiares considera, a propósito do suicídio de mais um polícia registado hoje, que a saída do agregado familiar é um dos factores mais perturbadores para os elementos das forças policiais.
Um polícia suicidou-se hoje com a arma de serviço em casa, em Carnaxide, arredores de Lisboa, no dia em que fazia 31 anos, fazendo aumentar para 23 o número de efectivos da PSP que puseram termo à vida nos últimos sete anos.
A Polícia de Segurança Pública é uma força de carácter civil que dispõe de cerca de 22 mil efectivos, que trabalham nos principais centros urbanos.
Contudo, a grande maioria dos elementos que ingressam na PSP são originários de zonas rurais ou de fora dos meios urbanos, com uma cultura muito diferente daquela com que se acabam de confrontar nas áreas para onde vão trabalhar, explicou a psicóloga Sandra Coelho à agência Lusa.
"Passam a vida a querer voltar às suas origens", constata a especialista, que diz dar apoio a cerca de 20 consultas semanais a polícias e familiares, que solicitam apoio psicológico.
O polícia que se suicidou hoje era de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, mas residia em Carnaxide, junto a Lisboa, com a mulher e um filho, segundo o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP).
A situação em que os novos agentes passam a viver nos grandes meios urbanos promove o seu isolamento social, o que faz sentir ainda mais a falta da família, acrescenta a psicóloga contratada pelo SPP para apoiar os seus sócios.
Perante esta realidade, "uns procuram ajuda, outros não. Depende do orgulho, da vergonha", acrescida pela pressão de serem "polícias 24 horas por dia" e terem que ser "exemplos para a sociedade", acrescentou.
"Não conseguem chegar a casa e libertar-se da farda como a maioria das pessoas", salientou ainda.
A esta pressão acresce o stress da profissão, causado pela violência com que lidam, quer afecte os outros ou eles próprios.
E, neste âmbito, "sentem-se desamparados na estrutura que integram [PSP]", acrescentou Sandra Coelho.
AMN.
Lusa/fim
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Lisboa, 21 Set (Lusa) - Uma psicóloga que dá apoio a elementos da PSP e familiares considera, a propósito do suicídio de mais um polícia registado hoje, que a saída do agregado familiar é um dos factores mais perturbadores para os elementos das forças policiais.
Um polícia suicidou-se hoje com a arma de serviço em casa, em Carnaxide, arredores de Lisboa, no dia em que fazia 31 anos, fazendo aumentar para 23 o número de efectivos da PSP que puseram termo à vida nos últimos sete anos.
A Polícia de Segurança Pública é uma força de carácter civil que dispõe de cerca de 22 mil efectivos, que trabalham nos principais centros urbanos.
Contudo, a grande maioria dos elementos que ingressam na PSP são originários de zonas rurais ou de fora dos meios urbanos, com uma cultura muito diferente daquela com que se acabam de confrontar nas áreas para onde vão trabalhar, explicou a psicóloga Sandra Coelho à agência Lusa.
"Passam a vida a querer voltar às suas origens", constata a especialista, que diz dar apoio a cerca de 20 consultas semanais a polícias e familiares, que solicitam apoio psicológico.
O polícia que se suicidou hoje era de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, mas residia em Carnaxide, junto a Lisboa, com a mulher e um filho, segundo o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP).
A situação em que os novos agentes passam a viver nos grandes meios urbanos promove o seu isolamento social, o que faz sentir ainda mais a falta da família, acrescenta a psicóloga contratada pelo SPP para apoiar os seus sócios.
Perante esta realidade, "uns procuram ajuda, outros não. Depende do orgulho, da vergonha", acrescida pela pressão de serem "polícias 24 horas por dia" e terem que ser "exemplos para a sociedade", acrescentou.
"Não conseguem chegar a casa e libertar-se da farda como a maioria das pessoas", salientou ainda.
A esta pressão acresce o stress da profissão, causado pela violência com que lidam, quer afecte os outros ou eles próprios.
E, neste âmbito, "sentem-se desamparados na estrutura que integram [PSP]", acrescentou Sandra Coelho.
AMN.
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