O Ministério da Administração Interna vai analisar um programa, Risco Zero, que tem como objectivo a diminuição da sinistralidade nas estradas portuguesas. A maior novidade deste programa é a proposta de utilização genérica de dísticos que propõe a divisão em três categorias, identificadas com cores:- Dístico verde: risco mínimo do condutor, nenhum acidente, em que a culpa lhe tenha sido atribuída, nos últimos três anos; ou apenas um acidente, por sua culpa, nos últimos dez anos.- Dístico laranja: condutor de risco médio, condutores responsáveis por dois acidentes, ou foram responsáveis por três sinistros nos últimos dez anos.- Dístico vermelho: condutor de elevado risco, condutores que provocaram mais de dois acidentes no último ano ou que nos últimos dez tenham provocado quatro ou mais acidentes.Será esta, portanto, a classificação dos condutores, que é uma parte integrante do programa Risco Zero.É provável que muitos discordem de soluções desta natureza. Dir-se-á que se trata de uma classificação gratuita, ou que a aplicação desses dísticos vai discriminar negativamente cidadãos com direitos iguais. Mas esta medida poderá ser , pelo menos, o princípio de uma discussão mais alargada sobre esta questão – a sinistralidade das nossas estradas implica a aplicação de medidas mais radicais, implica a adopção de outras medidas que não se cinjam apenas à aplicação de programas de prevenção mais ou menos incipientes.Infelizmente, são as próprias autoridades a não se entenderem quanto às medidas a aplicar no sentido de evitar as elevadas taxas de sinistralidade. Recorde-se da petição levada a cabo por um grupo de cidadãos que visava um aumento da velocidade em zona de radares em Lisboa, e que foi uma medida acatada pelas autoridades. Resultado: aumentou-se a velocidade nessas zonas. São medidas desta natureza que provocam confusão e potenciam comportamentos de risco.A sinistralidade nas estradas não é apenas o resultado de má sinalização ou de estradas perigosas; são essencialmente os comportamentos de risco que causam grande parte dos acidentes: o excesso de velocidade, condução sob o efeito do álcool, manobras perigosas; e eu acrescentaria o excesso de confiança de muitos condutores – excesso de confiança a roçar a imbecilidade.Por conseguinte, e para finalizar, esta iniciativa pode ser positiva no sentido de lançar a discussão. A medida, porém, poderia resultar apenas porque vivemos num país de aparências e de fáceis embaraços, imagine-se, portanto, a vergonha de possuir um dístico vermelho bem visível no nosso automóvel. O que é que os vizinhos iriam pensar de nós? Mas apesar de tudo reconhecem-se riscos neste programa. E além do mais, a medida será inconstitucional e até poderá ser contraproducente, no sentido de ter resultados negativos ao nível da animosidade que já se verificam nas estradas. Na verdade, os condutores mais perigosos devem ser discriminados, e em última instância, têm de ficar sem carta. Seja como for, um sistema de pontuação da carta - medida adoptada noutros países europeus, seria uma medida mais correcta.
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O Ministério da Administração Interna vai analisar um programa, Risco Zero, que tem como objectivo a diminuição da sinistralidade nas estradas portuguesas. A maior novidade deste programa é a proposta de utilização genérica de dísticos que propõe a divisão em três categorias, identificadas com cores:- Dístico verde: risco mínimo do condutor, nenhum acidente, em que a culpa lhe tenha sido atribuída, nos últimos três anos; ou apenas um acidente, por sua culpa, nos últimos dez anos.- Dístico laranja: condutor de risco médio, condutores responsáveis por dois acidentes, ou foram responsáveis por três sinistros nos últimos dez anos.- Dístico vermelho: condutor de elevado risco, condutores que provocaram mais de dois acidentes no último ano ou que nos últimos dez tenham provocado quatro ou mais acidentes.Será esta, portanto, a classificação dos condutores, que é uma parte integrante do programa Risco Zero.É provável que muitos discordem de soluções desta natureza. Dir-se-á que se trata de uma classificação gratuita, ou que a aplicação desses dísticos vai discriminar negativamente cidadãos com direitos iguais. Mas esta medida poderá ser , pelo menos, o princípio de uma discussão mais alargada sobre esta questão – a sinistralidade das nossas estradas implica a aplicação de medidas mais radicais, implica a adopção de outras medidas que não se cinjam apenas à aplicação de programas de prevenção mais ou menos incipientes.Infelizmente, são as próprias autoridades a não se entenderem quanto às medidas a aplicar no sentido de evitar as elevadas taxas de sinistralidade. Recorde-se da petição levada a cabo por um grupo de cidadãos que visava um aumento da velocidade em zona de radares em Lisboa, e que foi uma medida acatada pelas autoridades. Resultado: aumentou-se a velocidade nessas zonas. São medidas desta natureza que provocam confusão e potenciam comportamentos de risco.A sinistralidade nas estradas não é apenas o resultado de má sinalização ou de estradas perigosas; são essencialmente os comportamentos de risco que causam grande parte dos acidentes: o excesso de velocidade, condução sob o efeito do álcool, manobras perigosas; e eu acrescentaria o excesso de confiança de muitos condutores – excesso de confiança a roçar a imbecilidade.Por conseguinte, e para finalizar, esta iniciativa pode ser positiva no sentido de lançar a discussão. A medida, porém, poderia resultar apenas porque vivemos num país de aparências e de fáceis embaraços, imagine-se, portanto, a vergonha de possuir um dístico vermelho bem visível no nosso automóvel. O que é que os vizinhos iriam pensar de nós? Mas apesar de tudo reconhecem-se riscos neste programa. E além do mais, a medida será inconstitucional e até poderá ser contraproducente, no sentido de ter resultados negativos ao nível da animosidade que já se verificam nas estradas. Na verdade, os condutores mais perigosos devem ser discriminados, e em última instância, têm de ficar sem carta. Seja como for, um sistema de pontuação da carta - medida adoptada noutros países europeus, seria uma medida mais correcta.