Os 7 segredos de Mourinho

16-03-2008
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Os 7 segredos de Mourinho

Usa todas as armas disponíveis para baralhar os adversários e para espicaçar os seus jogadores. Não tem medo de ser mal visto e odiado, desde que isso signifique vitórias para a equipa que lidera. Eis a receita da fama de José Mourinho, que em quatro anos consegue conquistar o mundo do futebol. Um treinador a caminho de Inglaterra Alterar tamanho Em questões de dinheiro, ele é forreta. Mas nas palavras não tem por hábito economizar. Lendo as entrevistas que deu ao longo dos dois anos e meio que leva como treinador do FC Porto, e o livro que o seu amigo Luís Lourenço escreveu, encontram-se, em linguagem descodificada, as pistas para o sucesso do treinador da moda: José Mourinho. Em questões de dinheiro, ele é forreta. Mas nas palavras não tem por hábito economizar. Lendo as entrevistas que deu ao longo dos dois anos e meio que leva como treinador do FC Porto, e o livro que o seu amigo Luís Lourenço escreveu, encontram-se, em linguagem descodificada, as pistas para o sucesso do treinador da moda: José Mourinho.

1. É esperto e obcecado

JOÃO CARLOS SANTOS O último jogo da fase de grupos da Liga de Campeões era só para cumprir calendário. O Porto tinha o apuramento garantido. Apesar disso, e apesar de Costinha já ter um amarelo, Mourinho fê-lo alinhar. Como era previsível, o trinco viu o segundo amarelo que o inibiu de jogar na primeira mão dos oitavos-de-final. Mourinho errou? Não. Viu mais longe do que toda a gente que lhe criticou a opção. O último jogo da fase de grupos da Liga de Campeões era só para cumprir calendário. O Porto tinha o apuramento garantido. Apesar disso, e apesar de Costinha já ter um amarelo, Mourinho fê-lo alinhar. Como era previsível, o trinco viu o segundo amarelo que o inibiu de jogar na primeira mão dos oitavos-de-final. Mourinho errou? Não. Viu mais longe do que toda a gente que lhe criticou a opção. Numa entrevista ao «JN», a 20 de Janeiro, cinco semanas antes do jogo com o Manchester, explicou tudo: «Vou dizer-lhe uma coisa e você vai dizer-me que eu sou um gajo esperto. Eu sabia que não ia ganhar a Madrid por 4-0. Eu sabia que ia ficar em segundo e sabia que o primeiro jogo dos oitavos-de-final era em casa. Ora, eu prefiro ter o Costinha no segundo jogo. Pela intensidade do jogo era possível que Costinha visse um amarelo na primeira mão e depois estava desgraçado para a segunda». Na verdade, Costinha marcou o golo no jogo de Manchester que deu a vitória ao FC Porto. Mourinho tem a visão do jogador de xadrez, que pensa não só na próxima jogada mas também olha para três ou quatro jogadas à frente. Vive o futebol a tempo inteiro.

2. Personaliza o tratamento

Jardim Gonçalves gosta de lembrar que é injusto tratar todos os filhos da mesma maneira - como eles são todos diferentes devem ser tratados de forma diversa. E baseou nesta constatação a segmentação que foi uma das mais sólidas bases para o sucesso do BCP. Mourinho sabe isso de trás para a frente e da frente para trás e por isso dispensa a cada jogador um tratamento personalizado. Há jogadores que, no momento de os lançar na equipa, põe o máximo de pressão em cima deles, dizendo-lhes que não vão ter uma segunda oportunidade, se desperdiçarem esta. E há outros para quem o discurso é radicalmente diferente - assegura-lhes que mesmo que o jogo lhes corra mal têm o lugar garantido na semana seguinte. Jardim Gonçalves gosta de lembrar que é injusto tratar todos os filhos da mesma maneira - como eles são todos diferentes devem ser tratados de forma diversa. E baseou nesta constatação a segmentação que foi uma das mais sólidas bases para o sucesso do BCP. Mourinho sabe isso de trás para a frente e da frente para trás e por isso dispensa a cada jogador um tratamento personalizado. Há jogadores que, no momento de os lançar na equipa, põe o máximo de pressão em cima deles, dizendo-lhes que não vão ter uma segunda oportunidade, se desperdiçarem esta. E há outros para quem o discurso é radicalmente diferente - assegura-lhes que mesmo que o jogo lhes corra mal têm o lugar garantido na semana seguinte. É assim que ele consegue um ambiente espectacular no balneário - até os suplentes o adoram, o que é essencial, pois é dos livros que os que são titulares estão sempre com o treinador.

3. É um líder e sabe motivar

Num dos primeiros treinos que dirigiu no Benfica, logo aos dois minutos, Maniche teve uma entrada duríssima sobre um colega, foi expulso e Mourinho mandou-o correr à volta do campo. O jogador não calou o descontentamento e demorou oito minutos a dar duas voltas - cerca de 800 metros. Mourinho mandou-o para o banho. No dia seguinte, quando Maniche chegou ao treino, chamou-o e disse-lhe: «Das duas uma. Ou tens um problema na cabeça, e precisas de o resolver, ou tens um problema físico e precisas, na mesma, de arranjar uma solução. Por isso vais treinar com a equipa B e quando achares que já não tens problemas com a cabeça ou o físico vens ter comigo». Quatro dias depois, Maniche pediu desculpa ao treinador. Pagou uma multa de 200 contos e foi reintegrado no Benfica. Poucas semanas depois o jogador era capitão do Benfica. Num dos primeiros treinos que dirigiu no Benfica, logo aos dois minutos, Maniche teve uma entrada duríssima sobre um colega, foi expulso e Mourinho mandou-o correr à volta do campo. O jogador não calou o descontentamento e demorou oito minutos a dar duas voltas - cerca de 800 metros. Mourinho mandou-o para o banho. No dia seguinte, quando Maniche chegou ao treino, chamou-o e disse-lhe:. Quatro dias depois, Maniche pediu desculpa ao treinador. Pagou uma multa de 200 contos e foi reintegrado no Benfica. Poucas semanas depois o jogador era capitão do Benfica.

4. Soube construir o seu mito

Faltava um minuto para o final do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça UEFA com a Lazio. O FC Porto ganhava por 4-1 e um jogador da Lazio preparava-se para fazer um lançamento de linha lateral quando Mourinho o agarrou, impedindo-o de movimentar a bola - e foi expulso. Faltava um minuto para o final do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça UEFA com a Lazio. O FC Porto ganhava por 4-1 e um jogador da Lazio preparava-se para fazer um lançamento de linha lateral quando Mourinho o agarrou, impedindo-o de movimentar a bola - e foi expulso. «Fui bem expulso porque não tive ‘fair play’. Com o seu lançamento, iria criar uma situação de três contra três. Muitos pensarão que foi uma situação de conflito, mas não foi. Também não foi uma situação de descontrolo emocional, mas uma consequência de uma análise rápida do jogo. Não sei se ganhei a eliminatória naquele momento, não faço a mínima ideia se iria ou não ser golo, mas a minha acção foi instintiva». A divulgação deste seu sacrifício em função dos altos interesses da equipa ajuda a prestigiá-lo junto dos jogadores e a anular o «handicap» de não ter sido um jogador famoso. RUI OCHÔA A carreira de treinadordo ex-jogador medianotem sido sempre ascendente: «Primeiro de tudoquero ganhar», diz Na sua ainda curta carreira como treinador principal, Mourinho amealhou alguns episódios em que ele fica bem na fotografia - e que por isso adora contar. Como, por exemplo, o do regresso à Luz, ao comando do FC Porto, dois anos depois de ter saído de lá batendo com a porta na cara de Manuel Vilarinho. Na sua ainda curta carreira como treinador principal, Mourinho amealhou alguns episódios em que ele fica bem na fotografia - e que por isso adora contar. Como, por exemplo, o do regresso à Luz, ao comando do FC Porto, dois anos depois de ter saído de lá batendo com a porta na cara de Manuel Vilarinho. «Sabia claramente que quando entrasse em campo teria uma estrondosa recepção... pela negativa, claro está. Por isso fiz questão de entrar sozinho. O estádio já estava cheio. Faltava ainda cerca de uma hora e meia para o início do jogo. Foi fantástico. Vivi uma sensação linda. Nunca fui um jogador de primeiro nível para sentir, por exemplo, o que Figo sentiu quando regressou a Barcelona e, portanto, não tinha bem a noção do que seria ter 80 mil pessoas a assobiar-me e a apupar-me», diz o treinador no livro que leva o seu nome como título. Mourinho não esconde que apreciou a experiência: «Senti-me a pessoa mais importante do mundo ao ouvir em uníssono o coro de assobios e vaias com que os adeptos benfiquistas me receberam. Ao descarregarem em cima de mim, acabaram por poupar a equipa, o que também foi importante».

5. Joga com as emoções

Na semana do seu primeiro FC Porto-Benfica, Manuel Vilarinho disse que tinha sonhado que ia ganhar às Antas por 3-0. Mourinho afixou na parede do balneário uma fotocópia destas declarações. Intenção? «Agitar o orgulho dos meus jogadores». Resultado? Bom, o FC Porto ganhou por 3-2. Na semana do seu primeiro FC Porto-Benfica, Manuel Vilarinho disse que tinha sonhado que ia ganhar às Antas por 3-0. Mourinho afixou na parede do balneário uma fotocópia destas declarações. Intenção?. Resultado? Bom, o FC Porto ganhou por 3-2. Esta medicina de espicaçar os seus jogadores nas vésperas de um grande jogo, já a usara com êxito no Benfica. Nas vésperas do jogo com o Sporting (ganhou por 3-0) foi ao Masters de Ténis, no Pavilhão Atlântico, e tropeçou num grupo enorme de jogadores leoninos. No treino do dia seguinte tratou logo de envenenar os seus jogadores, contando-lhes que os do Sporting passavam a vida no Masters, pois «deviam estar a pensar que nos iriam ganhar por meia dúzia. Os jogadores do Benfica sentiram-se desprezados pelo adversário e isso jogou a nosso favor». As receitas a aplicar dependem da análise que faz de cada situação. Nos casos em que a sua equipa é teoricamente inferior ao adversário, Mourinho defende que se deve evitar provocar o mais forte, «para poder aproveitar a eventualidade de o seu adversário estar adormecido». «Acho que é importante jogar com as emoções, faz parte da nossa profissão, e, quando se é líder de um grupo, seja em que área profissional for, é importante termos essa capacidade e preocupação», teoriza.

6. Usa a comunicação social

ARMANDO FRANÇA/AP Depois do apito finalda final de Sevilha,onde o Porto ganhoua Taça UEFA, Mourinhodeu asas à sua alegria Na época passada, na semana que antecedeu o jogo decisivo do FC Porto na Luz, aproveitou umas declarações de Simão Sabrosa - «Estamos mais fortes que o Porto» - para marcar o ponto que lhe interessava. O único medo que tinha do Benfica era o das bolas paradas. Para condicionar o árbitro a não marcar faltas simuladas nas imediações da sua grande área, Mourinho abriu uma polémica com Simão: «Se estão mais fortes que isso se traduza em estarem menos tempo no chão». Na época passada, na semana que antecedeu o jogo decisivo do FC Porto na Luz, aproveitou umas declarações de Simão Sabrosa -- para marcar o ponto que lhe interessava. O único medo que tinha do Benfica era o das bolas paradas. Para condicionar o árbitro a não marcar faltas simuladas nas imediações da sua grande área, Mourinho abriu uma polémica com Simão: Mourinho é um mestre em usar os «media» para mandar recados e fazer passar mensagens em todas as direcções - para dentro da equipa, para o adversário, para os árbitros e para o público. «É evidente que a comunicação social é para nós um veículo fantástico de comunicação e de influenciar as opiniões dos outros, os sentimentos, até os níveis de confiança dos outros. Penso que posso utilizar os meus contactos com os ‘media’ para poder condicionar determinados pensamentos».

7. Tem a teoria de jogo certa

A pressão alta é a marca de água da estratégia de jogo de José Mourinho. As suas equipas jogam em 4x4x2, em 4x3x3 - ou até num 4x3x2 flexível, ensaiado nos treinos para estarem preparados para actuarem em desvantagem numérica de dez contra onze. Mas há uma coisa de que ele não abdica nos momentos decisivos - a pressão junto da baliza adversária, jogando com a equipa curta, com as linhas muito próximas. Se os avançados estão a fazer pressão sobre a saída de bola da equipa adversária isso implica que a defesa esteja bastante adiantada no terreno, com 40 metros de espaço vazio atrás deles. Um sistema eficaz mas perigoso, que exige que todos os jogadores corram, solidariamente, pressionem e estejam atentos e vigilantes a qualquer descompensação. A pressão alta é a marca de água da estratégia de jogo de José Mourinho. As suas equipas jogam em 4x4x2, em 4x3x3 - ou até num 4x3x2 flexível, ensaiado nos treinos para estarem preparados para actuarem em desvantagem numérica de dez contra onze. Mas há uma coisa de que ele não abdica nos momentos decisivos - a pressão junto da baliza adversária, jogando com a equipa curta, com as linhas muito próximas. Se os avançados estão a fazer pressão sobre a saída de bola da equipa adversária isso implica que a defesa esteja bastante adiantada no terreno, com 40 metros de espaço vazio atrás deles. Um sistema eficaz mas perigoso, que exige que todos os jogadores corram, solidariamente, pressionem e estejam atentos e vigilantes a qualquer descompensação. Um dos exemplos do sucesso absoluto desta táctica foi a vitória na Corunha, onde o Deportivo nunca tinha sofrido um golo. Os «dragões» esconderam a bola, dispuseram de uma posse de bola excessiva, trocando entre si a bola como se se tratasse de uma equipa de andebol que prepara pacientemente o ataque, descansando: «Com o ritmo de jogo que impomos, descansar é indispensável. Caso contrário ninguém aguenta uma partida. A melhor maneira de o fazer correndo menos riscos é descansar com a posse de bola». E quando o adversário se distrai, levantando um pouco a persiana defensiva ou cometendo um erro, o Porto aproveita - e faz um golo.

Textos de Jorge Fiel Mourinho por ele próprio «Faço a barba duas vezes por semana» «Não sou homossexual. Quem achar que sou que me traga a irmã» «Gosto de praia e de neve, mas não tenho tempo para hóbis» « Sou de direita. Ser de direita em Setúbal é quase mais difícil do que ser portista em Lisboa» «Sinto-me estupidamente tranquilo»

ADVERSÁRIO: «O adversário é inimigo. Nem gosto muito de os cumprimentar antes dos jogos. E quando os colegas treinadores me desejam boa sorte não respondo» AMBIÇÃO: «A nossa imaginação não tem limites, a confiança que vamos ganhando também não, e tudo o que nos possa acontecer de bom não será uma surpresa. Nada nos deixará de boca aberta» ÁRBITROS: «Não tenho medo nenhum dos nossos árbitros» COMPETÊNCIA: «Estou tão convencido das minhas potencialidades, das minhas capacidades e das minhas competências que não é por ganhar ou não ganhar títulos que vou ser mais ou menos autoconfiante e mais ou menos determinado» FC PORTO: «Quer queiram quer não eu passei a ser um treinador marcante na história do FC Porto. Quando regressar daqui a dez anos, vou ser aplaudido, vou ser bem recebido e vou ser querido» FUTURO: «A equipa do FC Porto não vai sofrer quando eu sair. É uma equipa com grande futuro. Se tivesse 55 anos, se calhar, o que devia fazer era ganhar a final e ir gozar com os filhos. Mas tenho uma carreira pela frente e quero mais desafios» IMAGEM: «Tenho de admitir que a imagem que passa de mim será a de uma pessoa pouco simpática, um bocadinho arrogante, inconveniente, às vezes» JOGADORES: «Não tenho paciência para jogadores mimados» LIMITE: «Nem eu sei qual é o limite. Há cinco anos se me dissessem que tudo isto tinha acontecido tão depressa até eu próprio, que sou optimista por natureza, poria algumas reservas» MERCADO: «Nunca se deve dizer não vendo este jogador mas sim este jogador vale xis» PERDER: «Há que ser realista. Conheço o futebol por dentro e por fora, conheço o mundo do futebol desde que nasci, sei que um treinador por mais competente que seja, tem sempre uma época má. Vai chegar o momento em que vou ter um período mau ou uma época má. E quando isso acontecer vou encarar essa situação com toda a naturalidade» POLÍTICOS: «Quando eu vejo um político a ser entrevistado após um jogo de futebol e a tecer considerações sobre o trabalho de um jogador ou de um treinador, a maior parte das vezes dá-me vontade de rir» SCOLARI: «Portugal teve dois anos para se preparar para o Euro 2004 e isso, para um treinador, é fantástico. Scolari teve dois anos para trabalhar sem pressão, construir uma equipa, testar jogadores contra equipas mais fracas, olhar para os jogadores em diferentes situações. Ele pôde dispor de condições privilegiadas. A selecção não está a jogar bem. Não se percebe bem qual é a filosofia. Os resultados não são bons. Quando se olha para a forma como estão a jogar ninguém acredita muito na vitória final» SONO: «Antes dos jogos estou muito tranquilo, na noite anterior ainda estou mais. Durmo sempre muito bem. Tenho um sono fácil: posso estar num avião e começar a dormir antes de levantar voo. Depois do jogo é mais complicado. Porque são todas as emoções e imagens do jogo que ficam retidas; é o desejo de ir para casa e agarrar-me ao vídeo para, no treino do dia seguinte, se tiver de fazer alguma reflexão ou estudo, poder estar completamente identificado. De facto, depois do jogo é complicado para mim dormir» SMS: «Digam ao Deco que tou fodido, que tem de produzir muito mais!!!» (SMS enviada para o banco no jogo Lazio-FC Porto que assistiu na bancada por ter sido expulso no jogo da primeira mão)

As 10 profecias de Mourinho JOÃO CARLOS SANTOS 1. «Tenho a certeza que, na próxima temporada, vamos ser campeões nacionais» 25 Janeiro 2002 Um ano e quatro meses depois cumpria a sua primeira promessa, feita no dia em que foi apresentado como treinador dos «dragões», e o FC Porto interrompia um jejum de três anos, sagrando-se campeão nacional ao derrotar nas Antas, a 4 de Maio de 2003, o Santa Clara por 5-0. 2. «Não estejas aos saltos que isto ainda não acabou» 20 Março 2003 O FC Porto perdeu nas Antas por 1-0 com o Panathinaikos, na primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA. No final do jogo, Mourinho dirigiu-se ao banco contrário para cumprimentar Sérgio Markarian, o técnico uruguaio da equipa grega. Deparou com os gregos a festejarem efusivamente a vitória e o uruguaio de mãos voltadas para os céus dizendo repetidamente: «Obrigado, Senhor». Mourinho interrompeu a celebração: «Não estejas aos saltos que isto ainda não acabou!» Depois foi até à claque dos Superdragões e fez-lhes sinal para terem calma. Na segunda mão, o Porto qualificou-se para as meias-finais, ao derrotar o Panathinaikos em Atenas, tornando-se a primeira equipa portuguesa a triunfar na Grécia. O JOGO 3. «As finais fizeram-se para ganhar» 19 Maio 2003 Dois dias depois, Mourinho tornou-se o primeiro treinador português a conquistar a Taça UEFA, derrotando o Celtic por 3-2 na final de Sevilha. 4. «Inesquecível!... Mas que ninguém nos diga irrepetível» 21 Maio 2003 O JOGO No calor da festa em Sevilha, após juntar a vitória na Taça UEFA ao título de campeão nacional, avisou que era possível ainda fazer melhor. No calor da festa em Sevilha, após juntar a vitória na Taça UEFA ao título de campeão nacional, avisou que era possível ainda fazer melhor. Um ano depois voltou a ser campeão nacional e vai disputar a final da Liga dos Campeões com o Mónaco. 5. «Sinto-me frustrado e alguém vai ter de pagar. Quem? O próximo» 30 Agosto 2003 Depois de ter perdido por 1-0 (golo de Shevchenko), no Mónaco, a Supertaça Europeia para o Milan AC, Mourinho prometeu desforrar-se no próximo adversário. Dias depois, a 2 de Setembro, os «dragões» golearam o Sporting por 4-1 num jogo a contar para o campeonato nacional. 6. «Não digo, porque me recuso a dizer, mas penso! Penso que vamos ser campeões, mas não digo!» 30 Agosto 2003 Oito meses depois, a 24 de Abril de 2004, o pensamento de Mourinho tornava-se uma realidade e o FC Porto conquistava o seu 20º título de campeão nacional de futebol. 7. «O meu sonho é treinar um grande de Inglaterra» 17 Outubro 2003 Cerca de sete meses depois de ter confessado este seu sonho numa entrevista à BBC, Mourinho admite que não vai ficar no FC Porto e a imprensa internacional noticia que ele tem um acordo com o multimilionário russo Roman Abramovich para treinar o Chelsea (segundo classificado da Liga inglesa e semifinalista derrotado na Liga dos Campeões) a partir da próxima época. 8. «Venha o Manchester» 9 Dezembro 2003 Antes do sorteio, questionado sobre qual a equipa que preferia defrontar nos oitavos de final da Liga dos Campeões, José Mourinho optou por aquela que era a mais forte, o poderoso Manchester United. O sorteio fez-lhe a vontade e o FC Porto eliminou o clube mais rico do mundo, vencendo por 2-1 no Dragão e empatando 1-1 na segunda mão, em Old Trafford. O JOGO 9. «Arriscamo-nos a ser campeões no hotel» 18 Abril 2004 O FC Porto acabava de empatar a zero em Aveiro com o Beira-Mar e estava a uma vitória de ser matematicamente campeão - a não ser que o Sporting perdesse em Leiria no sábado seguinte, o que aconteceu. Os «dragões» fizeram a festa do bicampeonato no Hotel Porto Tivoli quando estavam em estágio para o jogo com o Alverca. O JOGO 10. «Vamos estar na final!» 3 Maio 2004 Nas vésperas do encontro decisivo para o acesso à final, Javier Irureta, o treinador do Deportivo, invocou a tradição e a estatística para fundamentar o seu favoritismo. Na Corunha, para a Liga dos Campeões, o Depor tinha ganho os jogos todos e nunca sofrera um golo. Para bom entendedor esta frase bastava, já que, na primeira mão, no Dragão, o jogo terminara empatado a zero. Mourinho respondeu-lhe nos seguintes termos: «Em casa, para a Liga dos Campeões, o Corunha ganhou os jogos todos e nunca sofreu um golo. O que diz a lógica? Vai voltar a ganhar sem sofrer golos. Mas as estatísticas também dizem que nesta Liga dos Campeões não perdemos nenhum jogo fora e marcamos sempre pelo menos um golo». A regra que prevaleceu foi a do FC Porto, que no dia seguinte ganhou 1-0 no Riazor, garantindo assim o acesso à final da Liga dos Campeões. E cumpriu-se mais uma profecia de José Mourinho.

PRIMEIRA E ÚLTIMA

Ruptura entre Mourinho e Pinto da Costa

ÚNICA

Os 7 segredos de Mourinho

Os 7 segredos de Mourinho

Usa todas as armas disponíveis para baralhar os adversários e para espicaçar os seus jogadores. Não tem medo de ser mal visto e odiado, desde que isso signifique vitórias para a equipa que lidera. Eis a receita da fama de José Mourinho, que em quatro anos consegue conquistar o mundo do futebol. Um treinador a caminho de Inglaterra Alterar tamanho Em questões de dinheiro, ele é forreta. Mas nas palavras não tem por hábito economizar. Lendo as entrevistas que deu ao longo dos dois anos e meio que leva como treinador do FC Porto, e o livro que o seu amigo Luís Lourenço escreveu, encontram-se, em linguagem descodificada, as pistas para o sucesso do treinador da moda: José Mourinho. Em questões de dinheiro, ele é forreta. Mas nas palavras não tem por hábito economizar. Lendo as entrevistas que deu ao longo dos dois anos e meio que leva como treinador do FC Porto, e o livro que o seu amigo Luís Lourenço escreveu, encontram-se, em linguagem descodificada, as pistas para o sucesso do treinador da moda: José Mourinho.

1. É esperto e obcecado

JOÃO CARLOS SANTOS O último jogo da fase de grupos da Liga de Campeões era só para cumprir calendário. O Porto tinha o apuramento garantido. Apesar disso, e apesar de Costinha já ter um amarelo, Mourinho fê-lo alinhar. Como era previsível, o trinco viu o segundo amarelo que o inibiu de jogar na primeira mão dos oitavos-de-final. Mourinho errou? Não. Viu mais longe do que toda a gente que lhe criticou a opção. O último jogo da fase de grupos da Liga de Campeões era só para cumprir calendário. O Porto tinha o apuramento garantido. Apesar disso, e apesar de Costinha já ter um amarelo, Mourinho fê-lo alinhar. Como era previsível, o trinco viu o segundo amarelo que o inibiu de jogar na primeira mão dos oitavos-de-final. Mourinho errou? Não. Viu mais longe do que toda a gente que lhe criticou a opção. Numa entrevista ao «JN», a 20 de Janeiro, cinco semanas antes do jogo com o Manchester, explicou tudo: «Vou dizer-lhe uma coisa e você vai dizer-me que eu sou um gajo esperto. Eu sabia que não ia ganhar a Madrid por 4-0. Eu sabia que ia ficar em segundo e sabia que o primeiro jogo dos oitavos-de-final era em casa. Ora, eu prefiro ter o Costinha no segundo jogo. Pela intensidade do jogo era possível que Costinha visse um amarelo na primeira mão e depois estava desgraçado para a segunda». Na verdade, Costinha marcou o golo no jogo de Manchester que deu a vitória ao FC Porto. Mourinho tem a visão do jogador de xadrez, que pensa não só na próxima jogada mas também olha para três ou quatro jogadas à frente. Vive o futebol a tempo inteiro.

2. Personaliza o tratamento

Jardim Gonçalves gosta de lembrar que é injusto tratar todos os filhos da mesma maneira - como eles são todos diferentes devem ser tratados de forma diversa. E baseou nesta constatação a segmentação que foi uma das mais sólidas bases para o sucesso do BCP. Mourinho sabe isso de trás para a frente e da frente para trás e por isso dispensa a cada jogador um tratamento personalizado. Há jogadores que, no momento de os lançar na equipa, põe o máximo de pressão em cima deles, dizendo-lhes que não vão ter uma segunda oportunidade, se desperdiçarem esta. E há outros para quem o discurso é radicalmente diferente - assegura-lhes que mesmo que o jogo lhes corra mal têm o lugar garantido na semana seguinte. Jardim Gonçalves gosta de lembrar que é injusto tratar todos os filhos da mesma maneira - como eles são todos diferentes devem ser tratados de forma diversa. E baseou nesta constatação a segmentação que foi uma das mais sólidas bases para o sucesso do BCP. Mourinho sabe isso de trás para a frente e da frente para trás e por isso dispensa a cada jogador um tratamento personalizado. Há jogadores que, no momento de os lançar na equipa, põe o máximo de pressão em cima deles, dizendo-lhes que não vão ter uma segunda oportunidade, se desperdiçarem esta. E há outros para quem o discurso é radicalmente diferente - assegura-lhes que mesmo que o jogo lhes corra mal têm o lugar garantido na semana seguinte. É assim que ele consegue um ambiente espectacular no balneário - até os suplentes o adoram, o que é essencial, pois é dos livros que os que são titulares estão sempre com o treinador.

3. É um líder e sabe motivar

Num dos primeiros treinos que dirigiu no Benfica, logo aos dois minutos, Maniche teve uma entrada duríssima sobre um colega, foi expulso e Mourinho mandou-o correr à volta do campo. O jogador não calou o descontentamento e demorou oito minutos a dar duas voltas - cerca de 800 metros. Mourinho mandou-o para o banho. No dia seguinte, quando Maniche chegou ao treino, chamou-o e disse-lhe: «Das duas uma. Ou tens um problema na cabeça, e precisas de o resolver, ou tens um problema físico e precisas, na mesma, de arranjar uma solução. Por isso vais treinar com a equipa B e quando achares que já não tens problemas com a cabeça ou o físico vens ter comigo». Quatro dias depois, Maniche pediu desculpa ao treinador. Pagou uma multa de 200 contos e foi reintegrado no Benfica. Poucas semanas depois o jogador era capitão do Benfica. Num dos primeiros treinos que dirigiu no Benfica, logo aos dois minutos, Maniche teve uma entrada duríssima sobre um colega, foi expulso e Mourinho mandou-o correr à volta do campo. O jogador não calou o descontentamento e demorou oito minutos a dar duas voltas - cerca de 800 metros. Mourinho mandou-o para o banho. No dia seguinte, quando Maniche chegou ao treino, chamou-o e disse-lhe:. Quatro dias depois, Maniche pediu desculpa ao treinador. Pagou uma multa de 200 contos e foi reintegrado no Benfica. Poucas semanas depois o jogador era capitão do Benfica.

4. Soube construir o seu mito

Faltava um minuto para o final do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça UEFA com a Lazio. O FC Porto ganhava por 4-1 e um jogador da Lazio preparava-se para fazer um lançamento de linha lateral quando Mourinho o agarrou, impedindo-o de movimentar a bola - e foi expulso. Faltava um minuto para o final do jogo da primeira mão das meias-finais da Taça UEFA com a Lazio. O FC Porto ganhava por 4-1 e um jogador da Lazio preparava-se para fazer um lançamento de linha lateral quando Mourinho o agarrou, impedindo-o de movimentar a bola - e foi expulso. «Fui bem expulso porque não tive ‘fair play’. Com o seu lançamento, iria criar uma situação de três contra três. Muitos pensarão que foi uma situação de conflito, mas não foi. Também não foi uma situação de descontrolo emocional, mas uma consequência de uma análise rápida do jogo. Não sei se ganhei a eliminatória naquele momento, não faço a mínima ideia se iria ou não ser golo, mas a minha acção foi instintiva». A divulgação deste seu sacrifício em função dos altos interesses da equipa ajuda a prestigiá-lo junto dos jogadores e a anular o «handicap» de não ter sido um jogador famoso. RUI OCHÔA A carreira de treinadordo ex-jogador medianotem sido sempre ascendente: «Primeiro de tudoquero ganhar», diz Na sua ainda curta carreira como treinador principal, Mourinho amealhou alguns episódios em que ele fica bem na fotografia - e que por isso adora contar. Como, por exemplo, o do regresso à Luz, ao comando do FC Porto, dois anos depois de ter saído de lá batendo com a porta na cara de Manuel Vilarinho. Na sua ainda curta carreira como treinador principal, Mourinho amealhou alguns episódios em que ele fica bem na fotografia - e que por isso adora contar. Como, por exemplo, o do regresso à Luz, ao comando do FC Porto, dois anos depois de ter saído de lá batendo com a porta na cara de Manuel Vilarinho. «Sabia claramente que quando entrasse em campo teria uma estrondosa recepção... pela negativa, claro está. Por isso fiz questão de entrar sozinho. O estádio já estava cheio. Faltava ainda cerca de uma hora e meia para o início do jogo. Foi fantástico. Vivi uma sensação linda. Nunca fui um jogador de primeiro nível para sentir, por exemplo, o que Figo sentiu quando regressou a Barcelona e, portanto, não tinha bem a noção do que seria ter 80 mil pessoas a assobiar-me e a apupar-me», diz o treinador no livro que leva o seu nome como título. Mourinho não esconde que apreciou a experiência: «Senti-me a pessoa mais importante do mundo ao ouvir em uníssono o coro de assobios e vaias com que os adeptos benfiquistas me receberam. Ao descarregarem em cima de mim, acabaram por poupar a equipa, o que também foi importante».

5. Joga com as emoções

Na semana do seu primeiro FC Porto-Benfica, Manuel Vilarinho disse que tinha sonhado que ia ganhar às Antas por 3-0. Mourinho afixou na parede do balneário uma fotocópia destas declarações. Intenção? «Agitar o orgulho dos meus jogadores». Resultado? Bom, o FC Porto ganhou por 3-2. Na semana do seu primeiro FC Porto-Benfica, Manuel Vilarinho disse que tinha sonhado que ia ganhar às Antas por 3-0. Mourinho afixou na parede do balneário uma fotocópia destas declarações. Intenção?. Resultado? Bom, o FC Porto ganhou por 3-2. Esta medicina de espicaçar os seus jogadores nas vésperas de um grande jogo, já a usara com êxito no Benfica. Nas vésperas do jogo com o Sporting (ganhou por 3-0) foi ao Masters de Ténis, no Pavilhão Atlântico, e tropeçou num grupo enorme de jogadores leoninos. No treino do dia seguinte tratou logo de envenenar os seus jogadores, contando-lhes que os do Sporting passavam a vida no Masters, pois «deviam estar a pensar que nos iriam ganhar por meia dúzia. Os jogadores do Benfica sentiram-se desprezados pelo adversário e isso jogou a nosso favor». As receitas a aplicar dependem da análise que faz de cada situação. Nos casos em que a sua equipa é teoricamente inferior ao adversário, Mourinho defende que se deve evitar provocar o mais forte, «para poder aproveitar a eventualidade de o seu adversário estar adormecido». «Acho que é importante jogar com as emoções, faz parte da nossa profissão, e, quando se é líder de um grupo, seja em que área profissional for, é importante termos essa capacidade e preocupação», teoriza.

6. Usa a comunicação social

ARMANDO FRANÇA/AP Depois do apito finalda final de Sevilha,onde o Porto ganhoua Taça UEFA, Mourinhodeu asas à sua alegria Na época passada, na semana que antecedeu o jogo decisivo do FC Porto na Luz, aproveitou umas declarações de Simão Sabrosa - «Estamos mais fortes que o Porto» - para marcar o ponto que lhe interessava. O único medo que tinha do Benfica era o das bolas paradas. Para condicionar o árbitro a não marcar faltas simuladas nas imediações da sua grande área, Mourinho abriu uma polémica com Simão: «Se estão mais fortes que isso se traduza em estarem menos tempo no chão». Na época passada, na semana que antecedeu o jogo decisivo do FC Porto na Luz, aproveitou umas declarações de Simão Sabrosa -- para marcar o ponto que lhe interessava. O único medo que tinha do Benfica era o das bolas paradas. Para condicionar o árbitro a não marcar faltas simuladas nas imediações da sua grande área, Mourinho abriu uma polémica com Simão: Mourinho é um mestre em usar os «media» para mandar recados e fazer passar mensagens em todas as direcções - para dentro da equipa, para o adversário, para os árbitros e para o público. «É evidente que a comunicação social é para nós um veículo fantástico de comunicação e de influenciar as opiniões dos outros, os sentimentos, até os níveis de confiança dos outros. Penso que posso utilizar os meus contactos com os ‘media’ para poder condicionar determinados pensamentos».

7. Tem a teoria de jogo certa

A pressão alta é a marca de água da estratégia de jogo de José Mourinho. As suas equipas jogam em 4x4x2, em 4x3x3 - ou até num 4x3x2 flexível, ensaiado nos treinos para estarem preparados para actuarem em desvantagem numérica de dez contra onze. Mas há uma coisa de que ele não abdica nos momentos decisivos - a pressão junto da baliza adversária, jogando com a equipa curta, com as linhas muito próximas. Se os avançados estão a fazer pressão sobre a saída de bola da equipa adversária isso implica que a defesa esteja bastante adiantada no terreno, com 40 metros de espaço vazio atrás deles. Um sistema eficaz mas perigoso, que exige que todos os jogadores corram, solidariamente, pressionem e estejam atentos e vigilantes a qualquer descompensação. A pressão alta é a marca de água da estratégia de jogo de José Mourinho. As suas equipas jogam em 4x4x2, em 4x3x3 - ou até num 4x3x2 flexível, ensaiado nos treinos para estarem preparados para actuarem em desvantagem numérica de dez contra onze. Mas há uma coisa de que ele não abdica nos momentos decisivos - a pressão junto da baliza adversária, jogando com a equipa curta, com as linhas muito próximas. Se os avançados estão a fazer pressão sobre a saída de bola da equipa adversária isso implica que a defesa esteja bastante adiantada no terreno, com 40 metros de espaço vazio atrás deles. Um sistema eficaz mas perigoso, que exige que todos os jogadores corram, solidariamente, pressionem e estejam atentos e vigilantes a qualquer descompensação. Um dos exemplos do sucesso absoluto desta táctica foi a vitória na Corunha, onde o Deportivo nunca tinha sofrido um golo. Os «dragões» esconderam a bola, dispuseram de uma posse de bola excessiva, trocando entre si a bola como se se tratasse de uma equipa de andebol que prepara pacientemente o ataque, descansando: «Com o ritmo de jogo que impomos, descansar é indispensável. Caso contrário ninguém aguenta uma partida. A melhor maneira de o fazer correndo menos riscos é descansar com a posse de bola». E quando o adversário se distrai, levantando um pouco a persiana defensiva ou cometendo um erro, o Porto aproveita - e faz um golo.

Textos de Jorge Fiel Mourinho por ele próprio «Faço a barba duas vezes por semana» «Não sou homossexual. Quem achar que sou que me traga a irmã» «Gosto de praia e de neve, mas não tenho tempo para hóbis» « Sou de direita. Ser de direita em Setúbal é quase mais difícil do que ser portista em Lisboa» «Sinto-me estupidamente tranquilo»

ADVERSÁRIO: «O adversário é inimigo. Nem gosto muito de os cumprimentar antes dos jogos. E quando os colegas treinadores me desejam boa sorte não respondo» AMBIÇÃO: «A nossa imaginação não tem limites, a confiança que vamos ganhando também não, e tudo o que nos possa acontecer de bom não será uma surpresa. Nada nos deixará de boca aberta» ÁRBITROS: «Não tenho medo nenhum dos nossos árbitros» COMPETÊNCIA: «Estou tão convencido das minhas potencialidades, das minhas capacidades e das minhas competências que não é por ganhar ou não ganhar títulos que vou ser mais ou menos autoconfiante e mais ou menos determinado» FC PORTO: «Quer queiram quer não eu passei a ser um treinador marcante na história do FC Porto. Quando regressar daqui a dez anos, vou ser aplaudido, vou ser bem recebido e vou ser querido» FUTURO: «A equipa do FC Porto não vai sofrer quando eu sair. É uma equipa com grande futuro. Se tivesse 55 anos, se calhar, o que devia fazer era ganhar a final e ir gozar com os filhos. Mas tenho uma carreira pela frente e quero mais desafios» IMAGEM: «Tenho de admitir que a imagem que passa de mim será a de uma pessoa pouco simpática, um bocadinho arrogante, inconveniente, às vezes» JOGADORES: «Não tenho paciência para jogadores mimados» LIMITE: «Nem eu sei qual é o limite. Há cinco anos se me dissessem que tudo isto tinha acontecido tão depressa até eu próprio, que sou optimista por natureza, poria algumas reservas» MERCADO: «Nunca se deve dizer não vendo este jogador mas sim este jogador vale xis» PERDER: «Há que ser realista. Conheço o futebol por dentro e por fora, conheço o mundo do futebol desde que nasci, sei que um treinador por mais competente que seja, tem sempre uma época má. Vai chegar o momento em que vou ter um período mau ou uma época má. E quando isso acontecer vou encarar essa situação com toda a naturalidade» POLÍTICOS: «Quando eu vejo um político a ser entrevistado após um jogo de futebol e a tecer considerações sobre o trabalho de um jogador ou de um treinador, a maior parte das vezes dá-me vontade de rir» SCOLARI: «Portugal teve dois anos para se preparar para o Euro 2004 e isso, para um treinador, é fantástico. Scolari teve dois anos para trabalhar sem pressão, construir uma equipa, testar jogadores contra equipas mais fracas, olhar para os jogadores em diferentes situações. Ele pôde dispor de condições privilegiadas. A selecção não está a jogar bem. Não se percebe bem qual é a filosofia. Os resultados não são bons. Quando se olha para a forma como estão a jogar ninguém acredita muito na vitória final» SONO: «Antes dos jogos estou muito tranquilo, na noite anterior ainda estou mais. Durmo sempre muito bem. Tenho um sono fácil: posso estar num avião e começar a dormir antes de levantar voo. Depois do jogo é mais complicado. Porque são todas as emoções e imagens do jogo que ficam retidas; é o desejo de ir para casa e agarrar-me ao vídeo para, no treino do dia seguinte, se tiver de fazer alguma reflexão ou estudo, poder estar completamente identificado. De facto, depois do jogo é complicado para mim dormir» SMS: «Digam ao Deco que tou fodido, que tem de produzir muito mais!!!» (SMS enviada para o banco no jogo Lazio-FC Porto que assistiu na bancada por ter sido expulso no jogo da primeira mão)

As 10 profecias de Mourinho JOÃO CARLOS SANTOS 1. «Tenho a certeza que, na próxima temporada, vamos ser campeões nacionais» 25 Janeiro 2002 Um ano e quatro meses depois cumpria a sua primeira promessa, feita no dia em que foi apresentado como treinador dos «dragões», e o FC Porto interrompia um jejum de três anos, sagrando-se campeão nacional ao derrotar nas Antas, a 4 de Maio de 2003, o Santa Clara por 5-0. 2. «Não estejas aos saltos que isto ainda não acabou» 20 Março 2003 O FC Porto perdeu nas Antas por 1-0 com o Panathinaikos, na primeira mão dos quartos de final da Taça UEFA. No final do jogo, Mourinho dirigiu-se ao banco contrário para cumprimentar Sérgio Markarian, o técnico uruguaio da equipa grega. Deparou com os gregos a festejarem efusivamente a vitória e o uruguaio de mãos voltadas para os céus dizendo repetidamente: «Obrigado, Senhor». Mourinho interrompeu a celebração: «Não estejas aos saltos que isto ainda não acabou!» Depois foi até à claque dos Superdragões e fez-lhes sinal para terem calma. Na segunda mão, o Porto qualificou-se para as meias-finais, ao derrotar o Panathinaikos em Atenas, tornando-se a primeira equipa portuguesa a triunfar na Grécia. O JOGO 3. «As finais fizeram-se para ganhar» 19 Maio 2003 Dois dias depois, Mourinho tornou-se o primeiro treinador português a conquistar a Taça UEFA, derrotando o Celtic por 3-2 na final de Sevilha. 4. «Inesquecível!... Mas que ninguém nos diga irrepetível» 21 Maio 2003 O JOGO No calor da festa em Sevilha, após juntar a vitória na Taça UEFA ao título de campeão nacional, avisou que era possível ainda fazer melhor. No calor da festa em Sevilha, após juntar a vitória na Taça UEFA ao título de campeão nacional, avisou que era possível ainda fazer melhor. Um ano depois voltou a ser campeão nacional e vai disputar a final da Liga dos Campeões com o Mónaco. 5. «Sinto-me frustrado e alguém vai ter de pagar. Quem? O próximo» 30 Agosto 2003 Depois de ter perdido por 1-0 (golo de Shevchenko), no Mónaco, a Supertaça Europeia para o Milan AC, Mourinho prometeu desforrar-se no próximo adversário. Dias depois, a 2 de Setembro, os «dragões» golearam o Sporting por 4-1 num jogo a contar para o campeonato nacional. 6. «Não digo, porque me recuso a dizer, mas penso! Penso que vamos ser campeões, mas não digo!» 30 Agosto 2003 Oito meses depois, a 24 de Abril de 2004, o pensamento de Mourinho tornava-se uma realidade e o FC Porto conquistava o seu 20º título de campeão nacional de futebol. 7. «O meu sonho é treinar um grande de Inglaterra» 17 Outubro 2003 Cerca de sete meses depois de ter confessado este seu sonho numa entrevista à BBC, Mourinho admite que não vai ficar no FC Porto e a imprensa internacional noticia que ele tem um acordo com o multimilionário russo Roman Abramovich para treinar o Chelsea (segundo classificado da Liga inglesa e semifinalista derrotado na Liga dos Campeões) a partir da próxima época. 8. «Venha o Manchester» 9 Dezembro 2003 Antes do sorteio, questionado sobre qual a equipa que preferia defrontar nos oitavos de final da Liga dos Campeões, José Mourinho optou por aquela que era a mais forte, o poderoso Manchester United. O sorteio fez-lhe a vontade e o FC Porto eliminou o clube mais rico do mundo, vencendo por 2-1 no Dragão e empatando 1-1 na segunda mão, em Old Trafford. O JOGO 9. «Arriscamo-nos a ser campeões no hotel» 18 Abril 2004 O FC Porto acabava de empatar a zero em Aveiro com o Beira-Mar e estava a uma vitória de ser matematicamente campeão - a não ser que o Sporting perdesse em Leiria no sábado seguinte, o que aconteceu. Os «dragões» fizeram a festa do bicampeonato no Hotel Porto Tivoli quando estavam em estágio para o jogo com o Alverca. O JOGO 10. «Vamos estar na final!» 3 Maio 2004 Nas vésperas do encontro decisivo para o acesso à final, Javier Irureta, o treinador do Deportivo, invocou a tradição e a estatística para fundamentar o seu favoritismo. Na Corunha, para a Liga dos Campeões, o Depor tinha ganho os jogos todos e nunca sofrera um golo. Para bom entendedor esta frase bastava, já que, na primeira mão, no Dragão, o jogo terminara empatado a zero. Mourinho respondeu-lhe nos seguintes termos: «Em casa, para a Liga dos Campeões, o Corunha ganhou os jogos todos e nunca sofreu um golo. O que diz a lógica? Vai voltar a ganhar sem sofrer golos. Mas as estatísticas também dizem que nesta Liga dos Campeões não perdemos nenhum jogo fora e marcamos sempre pelo menos um golo». A regra que prevaleceu foi a do FC Porto, que no dia seguinte ganhou 1-0 no Riazor, garantindo assim o acesso à final da Liga dos Campeões. E cumpriu-se mais uma profecia de José Mourinho.

PRIMEIRA E ÚLTIMA

Ruptura entre Mourinho e Pinto da Costa

ÚNICA

Os 7 segredos de Mourinho

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