Com uma indulgência que se aproxima do Ideal Evangélico de perdão das insuficiências alheias, o Meu Amigo João Távora joga-me a bola numa destas simpáticas correntes, a propósito de tema que não consigo passar em branco. Pergunta-me quais os últimos cinco livros que li. Quem me conhece sabe que sou um leitor caótico, que se atira sem faca ou garfo a quase tudo o que tem à mão, desde que veja algum interesse. E, para mal dos meus muitos pecados, vejo interesse em coisas inimagináveis. Sempre achei que algo sobre o que não haja sido escrito um livro é tópico de importância nula. Mas manda a Prudência que se não conceda importância a tudo aquilo a que foram consagrados volumes. Como o critério é o da acidentalidade cronológica, não me sendo pedidas grandes sugestões caucionantes, sinto-me à vontade para abrir esta confissão sob a forma de mensagem, como a linguagem do suporte agora impinge. Vamos a isso!Uma infirmação da imagem amoralista que Wilde tem, muito por via de dandismos e fio condutor blagueur que adoptou. O Socialismo, aqui, vem como via de realização do individualismo em face da revolta que a miséria desperta por... inestética. Claro que não se trata do Socialismo que se tornou conhecido na História, como rolo compressor da individualidade, mas de um sonho de usar toda a produção da Colectividade para eliminar a escassez de que sofre parte dela, acreditando, antes das descobertas das gradações da Utilidade Marginal, que, assim, a felicidade seria transversalmente assegurada.*Este deixou-me algum amargor indigesto. trata-se de tentativa de explicação de aitudes públicas por peripécias biográficas com a habitual arbitrariedade do entretecimento de Psicanálises no terreno da História. Há algumas menções deste período do começo da decadência Grega que ainda quero confirmar noutras fontes, mas, para já, sinto alguma insatisfação lendo um exercício tão fanático de destruição da imagem de Magnitude.*Uma impagável revisitação de referências que todos, mais ou menos, partilhamos, numa perspectiva em que a ironia perante as conformações dos meios culturais que tentam padronizar é uma constante. Tenho, porém, a objectar quanto à dedicatória, que reza assim:Dedicado a Anne Conrad-Antoville, primeira-violoncelo da Orquestra Sinfónica Eureka (Califórnia), que preferiu a compaixão à cultura ao demitir-se do seu cargo para não ter de tocar Pedro e o Lobo, obra orquestral que ensina os nossos pré-adultos a recearem e desprezarem os lobos e outros predadores selvagens. O texto estaria perfeito, na eventualidade de se não ver nele uma peça humorística, pois a atitude descrita não é da tipologia das cumplicidades dos que se tranquilizam com uniformizações discursivas em que pouco arriscam e querem impor, antes é da linhagem das renúncias que apenas ao próprio respeitam, precedidas pelo Exemplo único do transbordante e universal Amor de São Francisco de Assis.*Esta foi uma releitura de volume importantíssimo, consagrado a um dos Autores que tenho na bagagem para a tal ilha tranquila. É referido por todo o cão, gato, cobra ou papagaio que estuda Eça, mas muitos dos seus capítulos, fulcrais para o estudo do Homem e do Tempo, não vêem reproduzidas as respectivas informações nos trabalhos posteriores. Tem para nós o adicional acicate de acrescentar um ponto à colecção de fantasias impingidas como verdades por Teófilo Braga, de que um Amigo Comum anda a fazer colecção.*Temendo que o contributo conceptual do Ministro Lino tenha mais Futuro do que o seu projectismo de grandes Obras de Estado, fui seduzido pelo título destas memórias de um administrador do Sudão no período de presença inglesa. É curioso seguir o trajecto da pacificação destas imensidões, num período em que o pano de fundo era o das rivalidades coloniais, surgindo em revista, diante dos nossos olhos, regiões como Darfour, hoje familiares pelos flagelos da fome e do extermínio.E devo dizer que estou ávido por cuscar o que andam a lera To F.Santoso BOSo Gazeteiroo JSM Peço, por conseguinte, a Cada Um que dê cá mais Cinco. Livros e Bloguistas.
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Com uma indulgência que se aproxima do Ideal Evangélico de perdão das insuficiências alheias, o Meu Amigo João Távora joga-me a bola numa destas simpáticas correntes, a propósito de tema que não consigo passar em branco. Pergunta-me quais os últimos cinco livros que li. Quem me conhece sabe que sou um leitor caótico, que se atira sem faca ou garfo a quase tudo o que tem à mão, desde que veja algum interesse. E, para mal dos meus muitos pecados, vejo interesse em coisas inimagináveis. Sempre achei que algo sobre o que não haja sido escrito um livro é tópico de importância nula. Mas manda a Prudência que se não conceda importância a tudo aquilo a que foram consagrados volumes. Como o critério é o da acidentalidade cronológica, não me sendo pedidas grandes sugestões caucionantes, sinto-me à vontade para abrir esta confissão sob a forma de mensagem, como a linguagem do suporte agora impinge. Vamos a isso!Uma infirmação da imagem amoralista que Wilde tem, muito por via de dandismos e fio condutor blagueur que adoptou. O Socialismo, aqui, vem como via de realização do individualismo em face da revolta que a miséria desperta por... inestética. Claro que não se trata do Socialismo que se tornou conhecido na História, como rolo compressor da individualidade, mas de um sonho de usar toda a produção da Colectividade para eliminar a escassez de que sofre parte dela, acreditando, antes das descobertas das gradações da Utilidade Marginal, que, assim, a felicidade seria transversalmente assegurada.*Este deixou-me algum amargor indigesto. trata-se de tentativa de explicação de aitudes públicas por peripécias biográficas com a habitual arbitrariedade do entretecimento de Psicanálises no terreno da História. Há algumas menções deste período do começo da decadência Grega que ainda quero confirmar noutras fontes, mas, para já, sinto alguma insatisfação lendo um exercício tão fanático de destruição da imagem de Magnitude.*Uma impagável revisitação de referências que todos, mais ou menos, partilhamos, numa perspectiva em que a ironia perante as conformações dos meios culturais que tentam padronizar é uma constante. Tenho, porém, a objectar quanto à dedicatória, que reza assim:Dedicado a Anne Conrad-Antoville, primeira-violoncelo da Orquestra Sinfónica Eureka (Califórnia), que preferiu a compaixão à cultura ao demitir-se do seu cargo para não ter de tocar Pedro e o Lobo, obra orquestral que ensina os nossos pré-adultos a recearem e desprezarem os lobos e outros predadores selvagens. O texto estaria perfeito, na eventualidade de se não ver nele uma peça humorística, pois a atitude descrita não é da tipologia das cumplicidades dos que se tranquilizam com uniformizações discursivas em que pouco arriscam e querem impor, antes é da linhagem das renúncias que apenas ao próprio respeitam, precedidas pelo Exemplo único do transbordante e universal Amor de São Francisco de Assis.*Esta foi uma releitura de volume importantíssimo, consagrado a um dos Autores que tenho na bagagem para a tal ilha tranquila. É referido por todo o cão, gato, cobra ou papagaio que estuda Eça, mas muitos dos seus capítulos, fulcrais para o estudo do Homem e do Tempo, não vêem reproduzidas as respectivas informações nos trabalhos posteriores. Tem para nós o adicional acicate de acrescentar um ponto à colecção de fantasias impingidas como verdades por Teófilo Braga, de que um Amigo Comum anda a fazer colecção.*Temendo que o contributo conceptual do Ministro Lino tenha mais Futuro do que o seu projectismo de grandes Obras de Estado, fui seduzido pelo título destas memórias de um administrador do Sudão no período de presença inglesa. É curioso seguir o trajecto da pacificação destas imensidões, num período em que o pano de fundo era o das rivalidades coloniais, surgindo em revista, diante dos nossos olhos, regiões como Darfour, hoje familiares pelos flagelos da fome e do extermínio.E devo dizer que estou ávido por cuscar o que andam a lera To F.Santoso BOSo Gazeteiroo JSM Peço, por conseguinte, a Cada Um que dê cá mais Cinco. Livros e Bloguistas.