Quando o Mundial estava a dar as últimas ( a expresão é muito adequada, dada a astenia do futebol praticado), lembro-me de ter lido, já não sei onde, nem a que propósito, que o sr. Blair, talvez tomado pela nostalgia do império, dera o seu "apoio" à ideia de uma "selecção britânica". Num mundo marcado pelo mercado, uma selecção "britânica" seria uma espécie de opa da anglofilia para fazer render o peixe á margem da Fifa, presumo. Confesso que não aprofundei o sentido da declaração de Blair, nem cuidei de saber de onde vinha e que alcance e propósito tinha a proposta de uma selecção que traduzisse para os relvados a noção estratégica de potência regional. Mas logo me ocorreu que (nós, os brasileiros tão tristonhos depois do fracasso na Alemanha, os promissores angolanos, os patrícios de Eusébio e os de Xanana, que prefiro lembrar como guarda-redes da Académica do que como ponta de lança timorense da Austrália; enfim, dispenso a rapaziada observadora da Guiné Equatorial) podiamos surpreender o mundo com a selecção da CPLP. Vendo bem talvez fosse a única plataforma de eficácia capaz de vingar em torno da sigla, e Laurentino Dias e António Braga tinham com que se ocupar. A operacionalidade logistica está garantida: em caso de eventual final de competição em Bissau, Nino telefonaria ao amigo Kadafi a pedir limusinas para o transporte dos vips. Em Dili, Camberra desenrascaria. E talvez o Blatter passasse a olhar para nós com outro respeito. E até mesmo o Bush que, como já se percebeu, não é bom da bola.
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Quando o Mundial estava a dar as últimas ( a expresão é muito adequada, dada a astenia do futebol praticado), lembro-me de ter lido, já não sei onde, nem a que propósito, que o sr. Blair, talvez tomado pela nostalgia do império, dera o seu "apoio" à ideia de uma "selecção britânica". Num mundo marcado pelo mercado, uma selecção "britânica" seria uma espécie de opa da anglofilia para fazer render o peixe á margem da Fifa, presumo. Confesso que não aprofundei o sentido da declaração de Blair, nem cuidei de saber de onde vinha e que alcance e propósito tinha a proposta de uma selecção que traduzisse para os relvados a noção estratégica de potência regional. Mas logo me ocorreu que (nós, os brasileiros tão tristonhos depois do fracasso na Alemanha, os promissores angolanos, os patrícios de Eusébio e os de Xanana, que prefiro lembrar como guarda-redes da Académica do que como ponta de lança timorense da Austrália; enfim, dispenso a rapaziada observadora da Guiné Equatorial) podiamos surpreender o mundo com a selecção da CPLP. Vendo bem talvez fosse a única plataforma de eficácia capaz de vingar em torno da sigla, e Laurentino Dias e António Braga tinham com que se ocupar. A operacionalidade logistica está garantida: em caso de eventual final de competição em Bissau, Nino telefonaria ao amigo Kadafi a pedir limusinas para o transporte dos vips. Em Dili, Camberra desenrascaria. E talvez o Blatter passasse a olhar para nós com outro respeito. E até mesmo o Bush que, como já se percebeu, não é bom da bola.