O blog do Manelito Caracol: Sombras

30-09-2009
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  Levanto as mãos amargas em direcção ao céu. Cravo um sorriso forçado na cara, numa espécie de praga divina, que me faz esquecer as palavras que tinha reservado para este momento. Grito-as, recebo o seu eco e seguro-as novamente com força, como alguém que volta depois de uma viagem, como alguém que volta, arrependido, mas feliz. Deito-as então no chão, como sombras, mesmo ao lado de tantas outras que eu até já tinha esquecido. São mais agora, mesmo que isso não signifique que são melhores. Enquanto me afasto das palavras esfumadas no chão, relembro o eco que fizeram soar. Estridente. Intenso. Altamente irreflectido, capaz de torturar um alguém que não o esperasse. Ecoam durante algum tempo na minha cabeça e nos segundos estranhos das minhas mãos. Quero livrar-me delas, para sempre, mas não passam de sombras. E as sombras não são nada. Não há como nos livrarmos delas. São apenas sombras de alguma coisa. Quer seja de uma coisa bela e brilhante, ou de coisa escura e monstruosa, a sua sombra terá sempre o mesmo aspecto: será negra, esbatida, misteriosa e irremediavelmente sombria…


  Levanto as mãos amargas em direcção ao céu. Cravo um sorriso forçado na cara, numa espécie de praga divina, que me faz esquecer as palavras que tinha reservado para este momento. Grito-as, recebo o seu eco e seguro-as novamente com força, como alguém que volta depois de uma viagem, como alguém que volta, arrependido, mas feliz. Deito-as então no chão, como sombras, mesmo ao lado de tantas outras que eu até já tinha esquecido. São mais agora, mesmo que isso não signifique que são melhores. Enquanto me afasto das palavras esfumadas no chão, relembro o eco que fizeram soar. Estridente. Intenso. Altamente irreflectido, capaz de torturar um alguém que não o esperasse. Ecoam durante algum tempo na minha cabeça e nos segundos estranhos das minhas mãos. Quero livrar-me delas, para sempre, mas não passam de sombras. E as sombras não são nada. Não há como nos livrarmos delas. São apenas sombras de alguma coisa. Quer seja de uma coisa bela e brilhante, ou de coisa escura e monstruosa, a sua sombra terá sempre o mesmo aspecto: será negra, esbatida, misteriosa e irremediavelmente sombria…

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