[des]Sempre concebi um comício partidário como um ritual, mais ou menos parolo, destinado a demonstrar a convicção dos que já estão convictamente convencidos. Nunca me passou pela cabeça foi que um comício pudesse dilapidar ideias e arruinar mitos.A pretexto de sair à rua e tomar café na esplanada aventuro-me para assistir a mais uma “missa” do Doutor Louçã e acólitos.O meu espanto primordial foi não ter reconhecido por entre a ululante chusma a malta Chapitô que costuma animar eventos do género. Nem sombras de rastas, poucas minorias, gente com ar lavadinho e perfumadinho, enfim, com um ar civilizado. Fora uns tradicionais gays do Chiado, nada de exótico a assinalar.É verdade que senti as minhas expectativas defraudadas. Fantasiava com homens a lançar fogo da boca, meninas a brincar com massas, trapos á lá Arafat, e todo um rol de folclore muito apreciado por aquelas bandas (ideológicas). Nem sequer um aroma a ganza!, só um jambé abandonado pelo chão do Largo do Carmo! Um jambé abandonado!!! Heresia!!!Mas o pior, meus senhores, o pior foi quando, depois de por lá cirandar, não reconheci a minha querida Joana Amaral Dias . Tanta esperança que eu depositava naquela festarola e nada! Passada a alegre campanha eleitoral a ouvir falar dos atributos físicos dos candidatos, alimentava a fé de testemunhar a fenomenológica (em sentido Merlau-Pontyano) compleição física da menina Joana ! Nada! Só a desenxabida Ana Drago e o direito à sua barriga. Que desilusão! Joana , volta que estás perdoada.Quanto ao evento político, esse preencheu cabalmente todas as minhas suposições.O Doutor Louçã com o indicador esticado a acusar a direita de qualquer coisa que não percebi, com o fervor de quem ostenta uma verdade moral suprema, irredutível e infalível. Com o característico olhar de quem se prepara para o supremo prazer de fuzilar alguém. A piadinha fácil, um pouco melhor que as do PC, mas ainda assim fácil, que animou a malta.O Dr. Portas, além de ter que levar a toda a hora com a “culpa” de ser irmão do outro Portas (e neste particular merece toda a minha compaixão cristã), alinhavou um discurso convicto, bem intencionado, que qualquer cândido homem de boa-vontade poderá subscrever! Apenas um reparo Dr. Portas, não pergunte muita vez nem muito alto à assistência se desejam a americanização da Europa, porque eventualmente encontrará alguém com mais tomates que eu e que lhe consiga gritar que Sim!, que queremos a americanização da Europa!, e arruinará a sua festa.p.s. A minha vaga intenção de votar no Dr. Portas derrocou quando no final da unânime celebração um grupelho começou a cantarolar a Internacional. Até aí não haveria problema. O problema foi que eles cantaram essa ode inter-classista sem se desmancharem a rir. O que, convenhamos, ou é estóica tarefa de algum folgazão, ou então, sendo a sério, é mais uma peça de mau-gosto do folclore da “esquerda”.
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[des]Sempre concebi um comício partidário como um ritual, mais ou menos parolo, destinado a demonstrar a convicção dos que já estão convictamente convencidos. Nunca me passou pela cabeça foi que um comício pudesse dilapidar ideias e arruinar mitos.A pretexto de sair à rua e tomar café na esplanada aventuro-me para assistir a mais uma “missa” do Doutor Louçã e acólitos.O meu espanto primordial foi não ter reconhecido por entre a ululante chusma a malta Chapitô que costuma animar eventos do género. Nem sombras de rastas, poucas minorias, gente com ar lavadinho e perfumadinho, enfim, com um ar civilizado. Fora uns tradicionais gays do Chiado, nada de exótico a assinalar.É verdade que senti as minhas expectativas defraudadas. Fantasiava com homens a lançar fogo da boca, meninas a brincar com massas, trapos á lá Arafat, e todo um rol de folclore muito apreciado por aquelas bandas (ideológicas). Nem sequer um aroma a ganza!, só um jambé abandonado pelo chão do Largo do Carmo! Um jambé abandonado!!! Heresia!!!Mas o pior, meus senhores, o pior foi quando, depois de por lá cirandar, não reconheci a minha querida Joana Amaral Dias . Tanta esperança que eu depositava naquela festarola e nada! Passada a alegre campanha eleitoral a ouvir falar dos atributos físicos dos candidatos, alimentava a fé de testemunhar a fenomenológica (em sentido Merlau-Pontyano) compleição física da menina Joana ! Nada! Só a desenxabida Ana Drago e o direito à sua barriga. Que desilusão! Joana , volta que estás perdoada.Quanto ao evento político, esse preencheu cabalmente todas as minhas suposições.O Doutor Louçã com o indicador esticado a acusar a direita de qualquer coisa que não percebi, com o fervor de quem ostenta uma verdade moral suprema, irredutível e infalível. Com o característico olhar de quem se prepara para o supremo prazer de fuzilar alguém. A piadinha fácil, um pouco melhor que as do PC, mas ainda assim fácil, que animou a malta.O Dr. Portas, além de ter que levar a toda a hora com a “culpa” de ser irmão do outro Portas (e neste particular merece toda a minha compaixão cristã), alinhavou um discurso convicto, bem intencionado, que qualquer cândido homem de boa-vontade poderá subscrever! Apenas um reparo Dr. Portas, não pergunte muita vez nem muito alto à assistência se desejam a americanização da Europa, porque eventualmente encontrará alguém com mais tomates que eu e que lhe consiga gritar que Sim!, que queremos a americanização da Europa!, e arruinará a sua festa.p.s. A minha vaga intenção de votar no Dr. Portas derrocou quando no final da unânime celebração um grupelho começou a cantarolar a Internacional. Até aí não haveria problema. O problema foi que eles cantaram essa ode inter-classista sem se desmancharem a rir. O que, convenhamos, ou é estóica tarefa de algum folgazão, ou então, sendo a sério, é mais uma peça de mau-gosto do folclore da “esquerda”.