NOVA FRENTE

01-10-2009
marcar artigo

Não me tem passado despercebido o conjunto de postais que o Manuel Azinhal vem alinhando sobre o seu óbito blogosférico. A avaliar pelos incentivos e reptos que sempre lançou a outros, não consentindo desânimo nem deserção, só a bruxa Maya avançaria que seria ele o próximo desistente. O caso não me deixa apático. Somos contemporâneos de dias nesta geringonça do Blogger. Aprendi muito com ele. Num país de intelectuais a martelo, aprecio o seu saber, solidez e cultura. Que me lembre, em escassos meses o Sexo dos Anjos granjeou muita freguesia. Se tem perdido visitantes, se o projecto vem definhando, como anuncia o autor — está aí o retrato chapado do Portugalinho.

Sigo o diagnóstico do próprio bloguista: o "produto" claudicou, não por falta de qualidade, mas por falta de “mercado”. Estamos sozinhos — eis o ponto. Corrijo. Estamos praticamente sozinhos. É assim porque insistimos em militar na oposição, a única que existe, fora dos interesses instalados do Bloco Central — que vai do CDS ao Bloco de Esquerda, passando pelo PSD, pelo PS e ainda pelos comunistas, tão apreciados nesta III República.

Estamos completamente fora deste sistema de prebendas em que uns levam o governo e os outros se aboletam na Caixa Geral de Depósitos, em rotativismo de tachos e mordomias. Isto seria uma prática mafiosa em qualquer parte. Aqui, no cantinho, recebe o nome de equilíbrio democrático. Pateticamente, teimamos em manter as mãos limpas — como nos recomenda a Ministra da Saúde a propósito da gripe suína.

Do Azinhal, que não conheço pessoalmente, mantenho a ideia de um nacionalista integral — e integérrimo. Nunca nestes seis anos se negou ele a acudir a um camarada em transe ou simplesmente baldo de amparo. Pôs todo o seu préstimo em campo; desfez-se em postais para esclarecer dúvidas ou calmar rivalidades; deu-se com tudo o que era seu e o que não era seu. Num registo raro, intercedeu por toda a gente da área nacionalista, grandes e pequenos, novos e velhos, hoje em prol de um evento identitário, amanhã de um jovem bloguista mais desbocado.

Escrevi lá em cima que só a bruxa Maya anteciparia esta retirada. Nem tanto assim, calhando. Quando o Azinhal, sempre circunspecto sobre a sua vida privada, começou de publicar no Facebook algumas fotografias do seu pachorrento cão, eu pressenti no meu íntimo o fim do blogue. Às vezes, só por este afecto aos bichos se denuncia o desenganado ou o misantropo. O homem que fixa a sua afeição nos animais é porque anda desiludido dos homens — e, porventura, dos blogues. Ao fim de seis anos que encarou como um projecto, uma empresa, sente-se vencido. E isto preocupa-me. Há fortes motivos para acreditar que os Vencidos da Vida não foram extraídos da geração de 70 do século XIX, mas das gerações de 50 e 60 do século passado. Menos que um grupo jantante do Hotel Bragança, os Vencidos da Vida são um grupo blogante destes últimos anos. Vencidos, nós todos, que entre os 40 e os 50 anos vagueamos perdidos entre um país que foi e outro que nunca será.

O blogue do Azinhal vai fazer-me falta.

Não me tem passado despercebido o conjunto de postais que o Manuel Azinhal vem alinhando sobre o seu óbito blogosférico. A avaliar pelos incentivos e reptos que sempre lançou a outros, não consentindo desânimo nem deserção, só a bruxa Maya avançaria que seria ele o próximo desistente. O caso não me deixa apático. Somos contemporâneos de dias nesta geringonça do Blogger. Aprendi muito com ele. Num país de intelectuais a martelo, aprecio o seu saber, solidez e cultura. Que me lembre, em escassos meses o Sexo dos Anjos granjeou muita freguesia. Se tem perdido visitantes, se o projecto vem definhando, como anuncia o autor — está aí o retrato chapado do Portugalinho.

Sigo o diagnóstico do próprio bloguista: o "produto" claudicou, não por falta de qualidade, mas por falta de “mercado”. Estamos sozinhos — eis o ponto. Corrijo. Estamos praticamente sozinhos. É assim porque insistimos em militar na oposição, a única que existe, fora dos interesses instalados do Bloco Central — que vai do CDS ao Bloco de Esquerda, passando pelo PSD, pelo PS e ainda pelos comunistas, tão apreciados nesta III República.

Estamos completamente fora deste sistema de prebendas em que uns levam o governo e os outros se aboletam na Caixa Geral de Depósitos, em rotativismo de tachos e mordomias. Isto seria uma prática mafiosa em qualquer parte. Aqui, no cantinho, recebe o nome de equilíbrio democrático. Pateticamente, teimamos em manter as mãos limpas — como nos recomenda a Ministra da Saúde a propósito da gripe suína.

Do Azinhal, que não conheço pessoalmente, mantenho a ideia de um nacionalista integral — e integérrimo. Nunca nestes seis anos se negou ele a acudir a um camarada em transe ou simplesmente baldo de amparo. Pôs todo o seu préstimo em campo; desfez-se em postais para esclarecer dúvidas ou calmar rivalidades; deu-se com tudo o que era seu e o que não era seu. Num registo raro, intercedeu por toda a gente da área nacionalista, grandes e pequenos, novos e velhos, hoje em prol de um evento identitário, amanhã de um jovem bloguista mais desbocado.

Escrevi lá em cima que só a bruxa Maya anteciparia esta retirada. Nem tanto assim, calhando. Quando o Azinhal, sempre circunspecto sobre a sua vida privada, começou de publicar no Facebook algumas fotografias do seu pachorrento cão, eu pressenti no meu íntimo o fim do blogue. Às vezes, só por este afecto aos bichos se denuncia o desenganado ou o misantropo. O homem que fixa a sua afeição nos animais é porque anda desiludido dos homens — e, porventura, dos blogues. Ao fim de seis anos que encarou como um projecto, uma empresa, sente-se vencido. E isto preocupa-me. Há fortes motivos para acreditar que os Vencidos da Vida não foram extraídos da geração de 70 do século XIX, mas das gerações de 50 e 60 do século passado. Menos que um grupo jantante do Hotel Bragança, os Vencidos da Vida são um grupo blogante destes últimos anos. Vencidos, nós todos, que entre os 40 e os 50 anos vagueamos perdidos entre um país que foi e outro que nunca será.

O blogue do Azinhal vai fazer-me falta.

marcar artigo