NOVA FRENTE

21-07-2005
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1. O bom jornalista deve tratar todos os assuntos de modo distanciado e descomprometido. Pode pertencer a organizações políticas ou de outra natureza (de preferência, esquerdistas), visto que se trata de um cidadão no pleno gozo dos seus direitos constitucionais, mas tem que escrever as notícias com rigor, isenção e imparcialidade.

Exceptuam-se desta obrigação os jornalistas encarregados de escrever sobre o nacionalismo, os quais devem fazer por todos os meios possíveis (e impossíveis...) a denúncia pública dessa praga ideológica.

2. O bom jornalista deve ser rigoroso no uso de terminologia com determinada carga semântica. Cuidado com a utilização de vocábulos como: "terroristas", "rebeldes", "extremistas", "imperialistas", "progressistas", "fundamentalistas", ou "bandidos". A descrição de acontecimentos ou organizações não deve ser confundida com juízos de valor. O distanciamento deve ser regra na abordagem de assuntos com carga ideológica. É imperioso evitar a tentação de qualificar o Bloco de Esquerda como sendo uma organização política de «extrema-esquerda», porque tal pode ferir as susceptibilidades dos democratas mais louçãos.

Todavia, ao escrever sobre organizações nacionalistas, o jornalista deve espalhar pelo texto os seguintes vocábulos por cada 2000 caracteres: seis vezes «extrema-direita», cinco vezes «nazi», quatro vezes «xenófobo», três vezes «racista», e duas vezes «skinhead».

3. O bom jornalista deve cobrir certos eventos, como manifestações e comícios, com distanciamento e equidade. A avaliação do número de presenças numa manifestação de rua ou num comício político constitui, por vezes, tarefa difícil. À míngua de dados claros, o jornalista deve ouvir "ambas as partes": os organizadores e as autoridades policiais.

No caso de manifestações de cariz nacionalista, porém, só deve ouvir a polícia, descontando ao número fornecido por esta cerca de 50% dos manifestantes, a título de Imposto Informativo Revolucionário.

4. O bom jornalista deve saber que o princípio do contraditório é uma regra de ouro da informação. Por isso, todas as partes têm que ser ouvidas e confrontadas.

No caso de nacionalistas, não é preciso tais démarches. Tome-se como verdade de fé que são violentos por natureza, para além de "fascistas", "nazis", "racistas" e "xenófobos".

5. O bom jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da raça. Por isso, ninguém deve ser qualificado pela sua origem étnica, sobretudo nas épocas em que se verifica o recrudescimento da violência dos imigangues*. Assim, a frase "um assaltante de etnia cigana roubou..." deve ser substituída por estoutra: "um jovem roubou..." Por vezes é necessário alterar toda a estrutura do título. A manchete: "Cova da Moura: cabo-verdeano preso por esfaquear..." deve imprimir-se deste feitio: "Jovem da Amadora detido pela polícia..."

Se, ao invés, a vítima for de uma minoria étnica e o agressor de tez branca, aí sim, o jornalista deve ressalvar o facto, denunciando o «crime racista e xenófobo».

6. O bom jornalista sabe que todas as pessoas sob acusação criminal não provada devem ser sempre tratadas como "acusadas" ou "suspeitas"; do mesmo modo que as que já cumpriram pena se consideram reintegradas socialmente. É por isso que os jornalistas não devem especular com o facto de Helena Carmo, destacada militante do Bloco de Esquerda, ter sido em tempos condenada nos tribunais pelo crime de terrorismo.

Contudo, no caso de nacionalistas, é conveniente espiolhar o registo criminal de dirigentes, militantes, e até de simpatizantes. E no caso de algum deles ter passado pela barra dos tribunais, o jornalista deve divulgar a acusação aos quatro ventos, com o benemérito propósito de desacreditar a organização envolvida.

7. O bom jornalista deve saber que a fotografia é fundamental na definição do estilo informativo e gráfico. Se "uma imagem vale mais do que mil palavras", a fotografia pode ser a parte essencial da notícia. Ela deve retratar fielmente o ocorrido, dando um aspecto geral do evento ou revelando uma característica básica da sua essência.

No caso de manifestações nacionalistas, a fotografia a publicar — para além de não dever exprimir a grandeza do evento, com vista a não propagandear ideias espúrias — tem que exibir invariavelmente braços ao alto e rostos agressivos — transmitindo assim uma ideia negativa de «violência» e «ódio».

8. O bom jornalista, depois de escrever as suas peças, deve sempre colocar a si próprio a questão clássica: — Será que fiz tudo o que estava ao meu alcance para ganhar o Prémio "Anti-Fascista do Ano"?

* Neologismo para designar gangues de imigrantes. Deve ser evitado pelo “bom jornalista”.

1. O bom jornalista deve tratar todos os assuntos de modo distanciado e descomprometido. Pode pertencer a organizações políticas ou de outra natureza (de preferência, esquerdistas), visto que se trata de um cidadão no pleno gozo dos seus direitos constitucionais, mas tem que escrever as notícias com rigor, isenção e imparcialidade.

Exceptuam-se desta obrigação os jornalistas encarregados de escrever sobre o nacionalismo, os quais devem fazer por todos os meios possíveis (e impossíveis...) a denúncia pública dessa praga ideológica.

2. O bom jornalista deve ser rigoroso no uso de terminologia com determinada carga semântica. Cuidado com a utilização de vocábulos como: "terroristas", "rebeldes", "extremistas", "imperialistas", "progressistas", "fundamentalistas", ou "bandidos". A descrição de acontecimentos ou organizações não deve ser confundida com juízos de valor. O distanciamento deve ser regra na abordagem de assuntos com carga ideológica. É imperioso evitar a tentação de qualificar o Bloco de Esquerda como sendo uma organização política de «extrema-esquerda», porque tal pode ferir as susceptibilidades dos democratas mais louçãos.

Todavia, ao escrever sobre organizações nacionalistas, o jornalista deve espalhar pelo texto os seguintes vocábulos por cada 2000 caracteres: seis vezes «extrema-direita», cinco vezes «nazi», quatro vezes «xenófobo», três vezes «racista», e duas vezes «skinhead».

3. O bom jornalista deve cobrir certos eventos, como manifestações e comícios, com distanciamento e equidade. A avaliação do número de presenças numa manifestação de rua ou num comício político constitui, por vezes, tarefa difícil. À míngua de dados claros, o jornalista deve ouvir "ambas as partes": os organizadores e as autoridades policiais.

No caso de manifestações de cariz nacionalista, porém, só deve ouvir a polícia, descontando ao número fornecido por esta cerca de 50% dos manifestantes, a título de Imposto Informativo Revolucionário.

4. O bom jornalista deve saber que o princípio do contraditório é uma regra de ouro da informação. Por isso, todas as partes têm que ser ouvidas e confrontadas.

No caso de nacionalistas, não é preciso tais démarches. Tome-se como verdade de fé que são violentos por natureza, para além de "fascistas", "nazis", "racistas" e "xenófobos".

5. O bom jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da raça. Por isso, ninguém deve ser qualificado pela sua origem étnica, sobretudo nas épocas em que se verifica o recrudescimento da violência dos imigangues*. Assim, a frase "um assaltante de etnia cigana roubou..." deve ser substituída por estoutra: "um jovem roubou..." Por vezes é necessário alterar toda a estrutura do título. A manchete: "Cova da Moura: cabo-verdeano preso por esfaquear..." deve imprimir-se deste feitio: "Jovem da Amadora detido pela polícia..."

Se, ao invés, a vítima for de uma minoria étnica e o agressor de tez branca, aí sim, o jornalista deve ressalvar o facto, denunciando o «crime racista e xenófobo».

6. O bom jornalista sabe que todas as pessoas sob acusação criminal não provada devem ser sempre tratadas como "acusadas" ou "suspeitas"; do mesmo modo que as que já cumpriram pena se consideram reintegradas socialmente. É por isso que os jornalistas não devem especular com o facto de Helena Carmo, destacada militante do Bloco de Esquerda, ter sido em tempos condenada nos tribunais pelo crime de terrorismo.

Contudo, no caso de nacionalistas, é conveniente espiolhar o registo criminal de dirigentes, militantes, e até de simpatizantes. E no caso de algum deles ter passado pela barra dos tribunais, o jornalista deve divulgar a acusação aos quatro ventos, com o benemérito propósito de desacreditar a organização envolvida.

7. O bom jornalista deve saber que a fotografia é fundamental na definição do estilo informativo e gráfico. Se "uma imagem vale mais do que mil palavras", a fotografia pode ser a parte essencial da notícia. Ela deve retratar fielmente o ocorrido, dando um aspecto geral do evento ou revelando uma característica básica da sua essência.

No caso de manifestações nacionalistas, a fotografia a publicar — para além de não dever exprimir a grandeza do evento, com vista a não propagandear ideias espúrias — tem que exibir invariavelmente braços ao alto e rostos agressivos — transmitindo assim uma ideia negativa de «violência» e «ódio».

8. O bom jornalista, depois de escrever as suas peças, deve sempre colocar a si próprio a questão clássica: — Será que fiz tudo o que estava ao meu alcance para ganhar o Prémio "Anti-Fascista do Ano"?

* Neologismo para designar gangues de imigrantes. Deve ser evitado pelo “bom jornalista”.

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