O ensino superior nos programas eleitoraisEstive a ler os programas eleitorais dos candidatos às eleições legislativas que actualmente têm assento parlamentar, com especial incidência no que concerne ao ensino superior (reflexo da minha actividade como docente universitário).Para começar, realço o facto de o CDS/PP ainda não ter disponível (pelo menos que seja do meu conhecimento) o seu programa eleitoral na sua página. A própria lógica seguida pelo partido de primeiro apresentar os ministros e depois o programa pareceu-me francamente infeliz. Deu-me a entender que o partido ainda não tem ideias consolidadas sobre o que quer para o país relativamente ao ensino superior. Fica-se por declarações a roçar a pura demagogia sobre a necessidade de acabar com os cursos que geram licenciados desempregados. Parece que o CDS/PP só estudou o programa para as áreas onde ambiciona poder fazer parte do governo, e o ensino superior não é uma delas.(Nota: sobre o programa do CDS/PP, ver adenda no fim do texto.)Se olharmos para os outros dois partidos que ambicionam ser parceiros de coligação, verificamos que o PCP consegue ser bastante mais consistente que o Bloco de Esquerda, se bem que, em muitas áreas, defendam os mesmos princípios, nomeadamente no que toca à aversão ao Processo de Bolonha ou na defesa de um sistema único (sem a actual separação Univesidade/Politécnico). De notar que o PS, possível parceiro de coligação, tem posições diferentes relativamente a esta matéria. Penso que a maior qualidade do programa do PCS, não deverá ser alheia à presença da deputada Luísa Mesquita, figura incontornável do PCP na área da educação e grande conhecedora dos temas do ensino superior. Se estou enganado, corrijam-me.O PSD acaba por ser a grande desilusão. Um candidato a governar o país não pode apresentar um programa tão fraco, tão ausente de ideias, tão abstracto. O PSD parece estar a esconder o programa, como se a sua revelação fosse resultar na perda de mais votos. É claro que se o seu objectivo é manter a actual política (como é visível nas poucas partes onde se atreve a levantar o véu) o resultado seria mesmo esse. Mas quem quer governar o país tem que acreditar nas suas convicções, fazer com que o país acredite, não esconder os pontos mais polémicos.Por último, o programa do grande favorito das sondagens. O PS apostou forte nestas eleições. Mesmo que se critique a sua actuação como sendo um remake do guterrismo, o PS mostrou saber ouvir e leu bem alguns dos actuais problemas do ensino superior. Mostrou cautela em algumas posições (por exemplo, ao não assumir um sistema único, mas apontando para uma convergência no nível de qualidade). Também não assumiu completamente o que vai fazer relativamente à organização do ensino superior, mas declarou que vai alterar as más leis do anterior governo, o que já é um bom sinal. Se não optar pela cegueira política da coligação actual, pode ser que o ensino superior possa dar alguns passos necessários em frente.Adenda 03/02/2005Entretanto, apareceu finalmente o programa do CDS/PP. Com quatro parágrafos apenas sobre o ensino superior, pergunto-me se valeu a pena esperar tanto. Ainda por cima porque os pontos em si nada trazem de novo, e não respondem aos problemas essenciais do ensino superior.
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O ensino superior nos programas eleitoraisEstive a ler os programas eleitorais dos candidatos às eleições legislativas que actualmente têm assento parlamentar, com especial incidência no que concerne ao ensino superior (reflexo da minha actividade como docente universitário).Para começar, realço o facto de o CDS/PP ainda não ter disponível (pelo menos que seja do meu conhecimento) o seu programa eleitoral na sua página. A própria lógica seguida pelo partido de primeiro apresentar os ministros e depois o programa pareceu-me francamente infeliz. Deu-me a entender que o partido ainda não tem ideias consolidadas sobre o que quer para o país relativamente ao ensino superior. Fica-se por declarações a roçar a pura demagogia sobre a necessidade de acabar com os cursos que geram licenciados desempregados. Parece que o CDS/PP só estudou o programa para as áreas onde ambiciona poder fazer parte do governo, e o ensino superior não é uma delas.(Nota: sobre o programa do CDS/PP, ver adenda no fim do texto.)Se olharmos para os outros dois partidos que ambicionam ser parceiros de coligação, verificamos que o PCP consegue ser bastante mais consistente que o Bloco de Esquerda, se bem que, em muitas áreas, defendam os mesmos princípios, nomeadamente no que toca à aversão ao Processo de Bolonha ou na defesa de um sistema único (sem a actual separação Univesidade/Politécnico). De notar que o PS, possível parceiro de coligação, tem posições diferentes relativamente a esta matéria. Penso que a maior qualidade do programa do PCS, não deverá ser alheia à presença da deputada Luísa Mesquita, figura incontornável do PCP na área da educação e grande conhecedora dos temas do ensino superior. Se estou enganado, corrijam-me.O PSD acaba por ser a grande desilusão. Um candidato a governar o país não pode apresentar um programa tão fraco, tão ausente de ideias, tão abstracto. O PSD parece estar a esconder o programa, como se a sua revelação fosse resultar na perda de mais votos. É claro que se o seu objectivo é manter a actual política (como é visível nas poucas partes onde se atreve a levantar o véu) o resultado seria mesmo esse. Mas quem quer governar o país tem que acreditar nas suas convicções, fazer com que o país acredite, não esconder os pontos mais polémicos.Por último, o programa do grande favorito das sondagens. O PS apostou forte nestas eleições. Mesmo que se critique a sua actuação como sendo um remake do guterrismo, o PS mostrou saber ouvir e leu bem alguns dos actuais problemas do ensino superior. Mostrou cautela em algumas posições (por exemplo, ao não assumir um sistema único, mas apontando para uma convergência no nível de qualidade). Também não assumiu completamente o que vai fazer relativamente à organização do ensino superior, mas declarou que vai alterar as más leis do anterior governo, o que já é um bom sinal. Se não optar pela cegueira política da coligação actual, pode ser que o ensino superior possa dar alguns passos necessários em frente.Adenda 03/02/2005Entretanto, apareceu finalmente o programa do CDS/PP. Com quatro parágrafos apenas sobre o ensino superior, pergunto-me se valeu a pena esperar tanto. Ainda por cima porque os pontos em si nada trazem de novo, e não respondem aos problemas essenciais do ensino superior.