… quando um dia elogiou a capacidade de comunicação e de liderança de Paulo Portas. O tempo veio dar-lhe razão. Com efeito, Paulo Portas é o líder das oposições mais eficaz e ameaça poder concretizar o seu objectivo de vir a liderar toda a direita. Esta hipótese ganha cada vez mais forma à medida que a crise de liderança do PSD se prolonga e se acentuam as suas divisões internas, facilitando a atracção do eleitorado mais à direita do PSD pelo CDS, o que poderá vir a pôr em causa a continuidade do PSD como partido de centro-direita alternante do PS no poder. A crise do PSD começou a acentuar-se quando dirigentes como Manuela Ferreira Leite, no início do mandato anterior, afirmaram que era muito difícil fazer oposição ao governo de José Sócrates, porque este estava a aplicar as políticas defendidas pelo PSD. Aí, o PSD abriu as portas à deslocação da parte do seu eleitorado mais ao centro para o PS e entreabriu as portas à deslocação do seu eleitorado mais à direita para o CDS. Paulo Portas não só soube aproveitar esta oportunidade como, depois, aproveitou a afirmação de Manuela Ferreira Leite, já como líder do PSD, de que à oposição cabia criticar o governo e não apresentar propostas alternativas. Aproveitou este disparate da líder do PSD para apresentar o CDS como partido de direita, sem ambiguidades, com políticas e propostas alternativas claras às do governo, reforçando a sua credibilidade no eleitorado mais conservador.Podemos estar perante uma desejável clarificação da arrumação ideológica das forças políticas e, consequentemente a uma rearrumação do eleitorado, com um partido de direita (CDS), que absorva a ala direita do PSD, um partido social-democrata (PS), que já absorveu grande parte da ala social-democrata do PSD, e uma força de esquerda (BE/PCP), que atraia parte da ala socialista do PS, que corporize a esquerda grande, de que fala Francisco Louçã.As eleições realizadas este ano abriram esta perspectiva. O quadro governativo delas resultante e a situação actual dos partidos poderão ajudar a fazer esse caminho. Se tal vier a acontecer talvez se volte a falar na maioria de esquerda, que Álvaro Cunhal tanto ambicionou.
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… quando um dia elogiou a capacidade de comunicação e de liderança de Paulo Portas. O tempo veio dar-lhe razão. Com efeito, Paulo Portas é o líder das oposições mais eficaz e ameaça poder concretizar o seu objectivo de vir a liderar toda a direita. Esta hipótese ganha cada vez mais forma à medida que a crise de liderança do PSD se prolonga e se acentuam as suas divisões internas, facilitando a atracção do eleitorado mais à direita do PSD pelo CDS, o que poderá vir a pôr em causa a continuidade do PSD como partido de centro-direita alternante do PS no poder. A crise do PSD começou a acentuar-se quando dirigentes como Manuela Ferreira Leite, no início do mandato anterior, afirmaram que era muito difícil fazer oposição ao governo de José Sócrates, porque este estava a aplicar as políticas defendidas pelo PSD. Aí, o PSD abriu as portas à deslocação da parte do seu eleitorado mais ao centro para o PS e entreabriu as portas à deslocação do seu eleitorado mais à direita para o CDS. Paulo Portas não só soube aproveitar esta oportunidade como, depois, aproveitou a afirmação de Manuela Ferreira Leite, já como líder do PSD, de que à oposição cabia criticar o governo e não apresentar propostas alternativas. Aproveitou este disparate da líder do PSD para apresentar o CDS como partido de direita, sem ambiguidades, com políticas e propostas alternativas claras às do governo, reforçando a sua credibilidade no eleitorado mais conservador.Podemos estar perante uma desejável clarificação da arrumação ideológica das forças políticas e, consequentemente a uma rearrumação do eleitorado, com um partido de direita (CDS), que absorva a ala direita do PSD, um partido social-democrata (PS), que já absorveu grande parte da ala social-democrata do PSD, e uma força de esquerda (BE/PCP), que atraia parte da ala socialista do PS, que corporize a esquerda grande, de que fala Francisco Louçã.As eleições realizadas este ano abriram esta perspectiva. O quadro governativo delas resultante e a situação actual dos partidos poderão ajudar a fazer esse caminho. Se tal vier a acontecer talvez se volte a falar na maioria de esquerda, que Álvaro Cunhal tanto ambicionou.