O Cachimbo de Magritte: Um debate inútil?

07-08-2010
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Não vi o debate de ontem, na RTP, entre os candidatos à liderança laranja, mas se o resumo no telejornal da 2 espelha o que se passou, então compreende-se que os eleitores ainda não vejam o PSD como alternativa ao comatoso PS. O Alexandre tem razão: não ouvi discutir uma única ideia para o país. Talvez o resumo seja infiel e injusto, mas parece-me que tudo andou à volta da votação do PEC, ou não, da demissão do PGR, ou não, da moção de censura, ou não, e dos números de circo de Aguiar-Branco. Sobre os problemas reais do país, só o tiro no escuro de Passos Coelho, que nos explicará como reduzir o défice sem aumentar impostos depois de um grupo de sábios lá no Olimpo fazer as contas. Suponho que as contas ainda não estejam feitas porque o Dr. Jekill passa o tempo no twitter, mas Passos não o diz na carta enviada há dias aos militantes pedindo "que lhe confiem o seu voto" (sic, a bold, não vá alguém esquecer-se de ter fé no messias) porque passou os últimos dois anos a "trabalhar, estudar, conhecer melhor, debater e preparar-se" (sic, a bold, não vá alguém etc.). Está à vista. Aliás, Passos mostrou a sua fibra de estadista quando, acusado por Rangel de ter estado ao lado do Governo em diversas ocasiões (além de trabalhar e estudar, acrescento), fez cara de mau e lhe atirou com um "Mas como é que diz isso sem se rir?". Momento alto do debate, sem dúvida. Por todo o país, as tascas levantaram-se em aplausos delirantes ao sofisticado argumento. Entretanto, Aguiar-Branco resolveu acabar com as ilusões que eu ainda tinha sobre ele. Quis vingar-se de Rangel e irritou-o, mas à custa de uma notícia que Rangel desmentiu. Insistiu na vitimização (que continua hoje através de um email aos militantes sobre uma "campanha" para acabar com a sua candidatura, uma acusação gravíssima ao Conselho de Jurisdição Nacional a reboque da saga das assinaturas do último fim-de-semana; sempre quero ver como é que isto acaba: ou Aguiar-Branco tem provas do que afirma e obriga Morais Sarmento a demitir-se, ou não tem provas e está a dar um tristíssimo espectáculo). Atirou-se a Passos Coelho com a exigência de uma declaração de apoio à recandidatura de Cavaco a Belém, e Passos lá disse que sim a saca-rolhas, como se isso fosse uma questão. Se Passos ganhar, não tem outra saída. Aguiar-Branco sabe-o, mas vinha com a coisa na manga para clamar vitória. Que lhe faça bom proveito: suspeito que seja a última. Rangel confirmou as razões pelas quais votarei nele, mas deixou-se enredar no debate. Ainda procura o tom certo. É um bom tribuno, mas reage mal sob pressão. Se a rábula de Aguiar-Branco é uma falsidade, só há uma resposta possível: dizer-lhe nos olhos que está a mentir. Rangel não o fez. Sempre apoiei Manuela Ferreira Leite, apesar de tudo o que correu mal, porque para ela uma mentira é uma mentira. E di-lo. Perdeu eleições assim? Pois, mas deixa saudades.


Não vi o debate de ontem, na RTP, entre os candidatos à liderança laranja, mas se o resumo no telejornal da 2 espelha o que se passou, então compreende-se que os eleitores ainda não vejam o PSD como alternativa ao comatoso PS. O Alexandre tem razão: não ouvi discutir uma única ideia para o país. Talvez o resumo seja infiel e injusto, mas parece-me que tudo andou à volta da votação do PEC, ou não, da demissão do PGR, ou não, da moção de censura, ou não, e dos números de circo de Aguiar-Branco. Sobre os problemas reais do país, só o tiro no escuro de Passos Coelho, que nos explicará como reduzir o défice sem aumentar impostos depois de um grupo de sábios lá no Olimpo fazer as contas. Suponho que as contas ainda não estejam feitas porque o Dr. Jekill passa o tempo no twitter, mas Passos não o diz na carta enviada há dias aos militantes pedindo "que lhe confiem o seu voto" (sic, a bold, não vá alguém esquecer-se de ter fé no messias) porque passou os últimos dois anos a "trabalhar, estudar, conhecer melhor, debater e preparar-se" (sic, a bold, não vá alguém etc.). Está à vista. Aliás, Passos mostrou a sua fibra de estadista quando, acusado por Rangel de ter estado ao lado do Governo em diversas ocasiões (além de trabalhar e estudar, acrescento), fez cara de mau e lhe atirou com um "Mas como é que diz isso sem se rir?". Momento alto do debate, sem dúvida. Por todo o país, as tascas levantaram-se em aplausos delirantes ao sofisticado argumento. Entretanto, Aguiar-Branco resolveu acabar com as ilusões que eu ainda tinha sobre ele. Quis vingar-se de Rangel e irritou-o, mas à custa de uma notícia que Rangel desmentiu. Insistiu na vitimização (que continua hoje através de um email aos militantes sobre uma "campanha" para acabar com a sua candidatura, uma acusação gravíssima ao Conselho de Jurisdição Nacional a reboque da saga das assinaturas do último fim-de-semana; sempre quero ver como é que isto acaba: ou Aguiar-Branco tem provas do que afirma e obriga Morais Sarmento a demitir-se, ou não tem provas e está a dar um tristíssimo espectáculo). Atirou-se a Passos Coelho com a exigência de uma declaração de apoio à recandidatura de Cavaco a Belém, e Passos lá disse que sim a saca-rolhas, como se isso fosse uma questão. Se Passos ganhar, não tem outra saída. Aguiar-Branco sabe-o, mas vinha com a coisa na manga para clamar vitória. Que lhe faça bom proveito: suspeito que seja a última. Rangel confirmou as razões pelas quais votarei nele, mas deixou-se enredar no debate. Ainda procura o tom certo. É um bom tribuno, mas reage mal sob pressão. Se a rábula de Aguiar-Branco é uma falsidade, só há uma resposta possível: dizer-lhe nos olhos que está a mentir. Rangel não o fez. Sempre apoiei Manuela Ferreira Leite, apesar de tudo o que correu mal, porque para ela uma mentira é uma mentira. E di-lo. Perdeu eleições assim? Pois, mas deixa saudades.

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