O Cachimbo de Magritte: Poder e representação

28-12-2009
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Numa fase em que dentro do PSD se anda a pedir por uma discussão séria, que permita repensar as direcções políticas do partido, tenho a sensação de que os critérios dessa discussão estão, logo de origem, enviesados. Luís Filipe Menezes, por exemplo, num artigo publicado ontem no Público e insuportável devido ao uso repetido de pontos de exclamação, pedia que o PSD de 2009 fosse esquecido, por ser “anti-Estado social, anti-ousadia económica e timorato nas questões de costumes e valores”. Ora, tirando o facto de ninguém (nem o próprio Menezes) saber explicar objectivamente o que significa ser-se ousado economicamente, e timorato quanto aos valores e costumes, é falso que o PSD tenha ido às legislativas com um programa eleitoral contra o Estado Social. Ou seja, parte da ‘reflexão’ está a ser feita com argumentos fracos, senão inteiramente falsos, cujos objectivos são (apenas) apoiar este ou aquele. É, por si, uma prática que inviabiliza qualquer tipo de discussão.Claro que isso não é forçosamente um problema para alguns, nomeadamente aqueles que julgam serem os próximos a assumir as rédeas do partido. A “fuga para a frente” e a ausência de discussão favorece-os, mas não ao partido. Como em tudo, a imprudência tem custos e permite que mais facilmente se cometam erros. E o maior erro parece-me ser o facto da discussão (a pouca que existe) estar a ser guiada com base em votos e não em políticas. A pergunta que o PSD tem de se colocar não é “como conseguir mais votos”, mas sim “como representar melhor os valores e as políticas em que acredita”. A primeira, de objectivos imediatos, pode levar a uma vitória eleitoral mas conduz certamente a uma descaracterização política. A segunda permite a consolidação política do partido, e progressivamente que mais cidadãos se revejam nas suas propostas.São perguntas diferentes, que expõem uma nuance que parece esquecida: o fim de um partido não é o poder, mas a representação política. Enquanto esta nuance não for imposta no debate, o PSD continuará sem rumo próprio, à mercê do líder do momento.


Numa fase em que dentro do PSD se anda a pedir por uma discussão séria, que permita repensar as direcções políticas do partido, tenho a sensação de que os critérios dessa discussão estão, logo de origem, enviesados. Luís Filipe Menezes, por exemplo, num artigo publicado ontem no Público e insuportável devido ao uso repetido de pontos de exclamação, pedia que o PSD de 2009 fosse esquecido, por ser “anti-Estado social, anti-ousadia económica e timorato nas questões de costumes e valores”. Ora, tirando o facto de ninguém (nem o próprio Menezes) saber explicar objectivamente o que significa ser-se ousado economicamente, e timorato quanto aos valores e costumes, é falso que o PSD tenha ido às legislativas com um programa eleitoral contra o Estado Social. Ou seja, parte da ‘reflexão’ está a ser feita com argumentos fracos, senão inteiramente falsos, cujos objectivos são (apenas) apoiar este ou aquele. É, por si, uma prática que inviabiliza qualquer tipo de discussão.Claro que isso não é forçosamente um problema para alguns, nomeadamente aqueles que julgam serem os próximos a assumir as rédeas do partido. A “fuga para a frente” e a ausência de discussão favorece-os, mas não ao partido. Como em tudo, a imprudência tem custos e permite que mais facilmente se cometam erros. E o maior erro parece-me ser o facto da discussão (a pouca que existe) estar a ser guiada com base em votos e não em políticas. A pergunta que o PSD tem de se colocar não é “como conseguir mais votos”, mas sim “como representar melhor os valores e as políticas em que acredita”. A primeira, de objectivos imediatos, pode levar a uma vitória eleitoral mas conduz certamente a uma descaracterização política. A segunda permite a consolidação política do partido, e progressivamente que mais cidadãos se revejam nas suas propostas.São perguntas diferentes, que expõem uma nuance que parece esquecida: o fim de um partido não é o poder, mas a representação política. Enquanto esta nuance não for imposta no debate, o PSD continuará sem rumo próprio, à mercê do líder do momento.

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