Viajar na Maionese: E depois do adeus

13-11-2009
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E depois do adeus

Ainda nem acordámos do sonho do EURO e já temos de lidar com a dura realidade. Com a saída pouco airosa do chefe do Governo quem será o senhor que se segue? O Presidente Sampaio começou hoje a ouvir os partidos e tem pouco tempo para anunciar a sua decisão. Durão Barroso já apresentou a sua demissão e segue para Bruxelas na próxima segunda-feira, dia 12. A questão que se coloca é linear mas delicada: eleições antecipadas ou Santana Lopes? Vejamos os argumentos:

"O grande argumento a favor das eleições antecipadas é a dúvida sobre se a actual maioria parlamentar ainda reflecte o sentido do voto popular e se os partidos da coligação continuam a ser maioritários em termos de voto. A dúvida torna-se mais legítima, uma vez que o primeiro-ministro se demite menos de um mês após a coligação PSD-CDS ter sofrido uma pesada derrota nas eleições de deputados para o Parlamento Europeu. A estabilidade da coligação é outro dos argumentos que concorre a este favor, uma vez que na sequência dos maus resultados começou a ser visível alguma instabilidade entre os partidos que compõem a coligação, da qual o famoso comunicado da comissão política do CDS-PP a anunciar que se o partido tivesse ido sozinho a votos teria eleito à mesma dois deputados ao Parlamento Europeu foi exemplar." in Público

O Presidente da República corre também o risco, ao não convocar eleições antecipadas, de ficar directamente ligado à prestação do novo executivo de coligação que poderá vir a ser encabeçado por um personagem polémico e que não reune o consenso dentro do próprio partido. O novo presidente do PSD, e candidato ao posto de PM, veio já a público, em entrevista à RTP, se referir ao governo como "seu" e anunciar possíveis mudanças: mais ministérios e menos secretarias de Estado, manutenção do peso do CDS, mas noutras pastas, Morais Sarmento e José Luís Arnaut continuarão no executivo, o ministro dos Negócios Estrangeiros não terá "dúvidas sobre o projecto europeu" e haverá pessoas novas no meio político, pessoas como António Borges, Ernâni Lopes, Mira Amaral e Eduardo Catroga.

O único argumento que me ocorre a favor da manutenção do governo é a garantia da estabilidade das políticas em fase de implementação mas com a hipótese de novos chefes para as pastas quem é que nos garante a continuidade das políticas? E já agora, quem é que o Santana Lopes pensa que é para vir a público desprespeitar o nosso PR, que como sabemos ainda não opinou, tomando como certa a sua subida a PM?

A decisão é difícil e assusta pensar que o país pode em breve voltar a parar. Ao mesmo tempo tremo só de pensar no Santana Lopes como PM. Ambas as opções não servem o país. A ver vamos, venha o diabo e escolha, perdão, venha o PR e escolha...

Posted by diogosss1 at julho 6, 2004 02:57 PM

E depois do adeus

Ainda nem acordámos do sonho do EURO e já temos de lidar com a dura realidade. Com a saída pouco airosa do chefe do Governo quem será o senhor que se segue? O Presidente Sampaio começou hoje a ouvir os partidos e tem pouco tempo para anunciar a sua decisão. Durão Barroso já apresentou a sua demissão e segue para Bruxelas na próxima segunda-feira, dia 12. A questão que se coloca é linear mas delicada: eleições antecipadas ou Santana Lopes? Vejamos os argumentos:

"O grande argumento a favor das eleições antecipadas é a dúvida sobre se a actual maioria parlamentar ainda reflecte o sentido do voto popular e se os partidos da coligação continuam a ser maioritários em termos de voto. A dúvida torna-se mais legítima, uma vez que o primeiro-ministro se demite menos de um mês após a coligação PSD-CDS ter sofrido uma pesada derrota nas eleições de deputados para o Parlamento Europeu. A estabilidade da coligação é outro dos argumentos que concorre a este favor, uma vez que na sequência dos maus resultados começou a ser visível alguma instabilidade entre os partidos que compõem a coligação, da qual o famoso comunicado da comissão política do CDS-PP a anunciar que se o partido tivesse ido sozinho a votos teria eleito à mesma dois deputados ao Parlamento Europeu foi exemplar." in Público

O Presidente da República corre também o risco, ao não convocar eleições antecipadas, de ficar directamente ligado à prestação do novo executivo de coligação que poderá vir a ser encabeçado por um personagem polémico e que não reune o consenso dentro do próprio partido. O novo presidente do PSD, e candidato ao posto de PM, veio já a público, em entrevista à RTP, se referir ao governo como "seu" e anunciar possíveis mudanças: mais ministérios e menos secretarias de Estado, manutenção do peso do CDS, mas noutras pastas, Morais Sarmento e José Luís Arnaut continuarão no executivo, o ministro dos Negócios Estrangeiros não terá "dúvidas sobre o projecto europeu" e haverá pessoas novas no meio político, pessoas como António Borges, Ernâni Lopes, Mira Amaral e Eduardo Catroga.

O único argumento que me ocorre a favor da manutenção do governo é a garantia da estabilidade das políticas em fase de implementação mas com a hipótese de novos chefes para as pastas quem é que nos garante a continuidade das políticas? E já agora, quem é que o Santana Lopes pensa que é para vir a público desprespeitar o nosso PR, que como sabemos ainda não opinou, tomando como certa a sua subida a PM?

A decisão é difícil e assusta pensar que o país pode em breve voltar a parar. Ao mesmo tempo tremo só de pensar no Santana Lopes como PM. Ambas as opções não servem o país. A ver vamos, venha o diabo e escolha, perdão, venha o PR e escolha...

Posted by diogosss1 at julho 6, 2004 02:57 PM

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