Deputado manifestou a sua disponibilidade para concorrer à liderança. Mas disse que este não é ainda o "momento útil". José Lello, do Secretariado Nacional, lançou-lhe o repto
A menos de um ano do congresso ordinário do PS, António José Seguro quebra o silêncio e fala claro: "Se houver um momento em que eu considere que seja útil dar o meu contributo ao PS e ao país, em torno do projecto e das ideias que defendo, assumirei as minhas responsabilidades". Ontem, em entrevista ao Expresso, Seguro diz-se disponível para avançar para a liderança do PS, ao contrário do que aconteceu em 2004, mas também diz que "este não é o momento".
A disponibilidade do ex-líder parlamentar do PS não representa uma novidade. "Era o segredo mais mal guardado da vida partidária dos últimos anos. Os sinais eram muitos e há muito que estava escrito que António José Seguro seria candidato à liderança do PS", afirma Pedro Adão e Silva, ex-dirigente socialista que não acredita que o deputado entre no combate do próximo ano, até porque a questão da sucessão no PS não se coloca.
Bem mais duro, José Lello, da direcção nacional do PS, acusa Seguro de se "estar a pôr em bico dos pés" e lamenta que "uma pessoa tão cautelosa" quanto ele se "deixe instrumentalizar". E desafia-o a avançar já no próximo congresso. "Escusa de estar nervoso, o que precisa é de estar preparado para o congresso, e se estiver preparado vai à luta. É assim que se faz no PS", declara o dirigente, deixando um recado: "[Seguro] escusa de antecipar um combate político que só vai ser no próximo ano. Se ele quiser ir à luta, é bom, é estimulante e é democrático".
Ressalvando que a questão da sucessão no PS não está em causa, Lello critica a inoportunidade da entrevista - "o Governo vive um momento particularmente difícil" -, e chega mesmo a falar de "oportunismo político inaceitável". Duro nas críticas, o dirigente afirma que a atitude de Seguro "não é boa nem em termos de solidariedade partidária, nem em termos do interesse nacional".
Reacções suaves
Para Vitalino Canas, do Secretariado Nacional, António José Seguro "é um valor importante dentro do PS" e a "clarificação que assumiu é importante". Como amigo, o ex-secretário de Estado confessou que leu "com gosto" a entrevista e registou uma outra ideia - as frases de Seguro em que este garante que "não vai criar dificuldades, neste momento", à liderança de José Sócrates.
Mas para aqueles que, como o deputado Mota Andrade, são próximos do ex-líder da JS, "o país e o PS vão ter de contar no futuro com António José Seguro". Quanto a timings, deixa-os por conta do ex-ministro do PS, mas vai dizendo que o momento só deveria colocar-se no "pós-Sócrates".
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Parco em comentários, o líder parlamentar, Francisco Assis, alerta para a necessidade de o partido se concentrar no difícil momento que o país atravessa, ao mesmo tempo que defende o reforço da coesão no PS. "A minha missão não é interpretar as declarações dos meus colegas. Cada um saberá qual é o momento útil para agir. Mas neste momento não há nenhum problema de liderança no PS", disse Assis, em declarações ao PÚBLICO.
Por seu lado, o líder da distrital socialista de Coimbra, Vítor Baptista, não acredita que Seguro vá avançar já."Depois do que o ouvi dizer na última reunião da Comissão Política Nacional, não acredito que esteja no seu horizonte qualquer candidatura imediata à liderança do partido - e "imediata" quer dizer próximo congresso", precisa.
Ontem em Ponte da Barca, José Sócrates ignorou a entrevista. Mas um dirigente próximo do líder admitiu que a disponibilidade de Seguro, "em letra de forma, apenas vem confirmar o que muito sabiam: que "está disponível" a candidatar-se. O que este dirigente espera é que esta afirmação de Seguro não venha a alterar a sua atitude de low profile dos últimos anos perante Sócrates e o Governo.
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Deputado manifestou a sua disponibilidade para concorrer à liderança. Mas disse que este não é ainda o "momento útil". José Lello, do Secretariado Nacional, lançou-lhe o repto
A menos de um ano do congresso ordinário do PS, António José Seguro quebra o silêncio e fala claro: "Se houver um momento em que eu considere que seja útil dar o meu contributo ao PS e ao país, em torno do projecto e das ideias que defendo, assumirei as minhas responsabilidades". Ontem, em entrevista ao Expresso, Seguro diz-se disponível para avançar para a liderança do PS, ao contrário do que aconteceu em 2004, mas também diz que "este não é o momento".
A disponibilidade do ex-líder parlamentar do PS não representa uma novidade. "Era o segredo mais mal guardado da vida partidária dos últimos anos. Os sinais eram muitos e há muito que estava escrito que António José Seguro seria candidato à liderança do PS", afirma Pedro Adão e Silva, ex-dirigente socialista que não acredita que o deputado entre no combate do próximo ano, até porque a questão da sucessão no PS não se coloca.
Bem mais duro, José Lello, da direcção nacional do PS, acusa Seguro de se "estar a pôr em bico dos pés" e lamenta que "uma pessoa tão cautelosa" quanto ele se "deixe instrumentalizar". E desafia-o a avançar já no próximo congresso. "Escusa de estar nervoso, o que precisa é de estar preparado para o congresso, e se estiver preparado vai à luta. É assim que se faz no PS", declara o dirigente, deixando um recado: "[Seguro] escusa de antecipar um combate político que só vai ser no próximo ano. Se ele quiser ir à luta, é bom, é estimulante e é democrático".
Ressalvando que a questão da sucessão no PS não está em causa, Lello critica a inoportunidade da entrevista - "o Governo vive um momento particularmente difícil" -, e chega mesmo a falar de "oportunismo político inaceitável". Duro nas críticas, o dirigente afirma que a atitude de Seguro "não é boa nem em termos de solidariedade partidária, nem em termos do interesse nacional".
Reacções suaves
Para Vitalino Canas, do Secretariado Nacional, António José Seguro "é um valor importante dentro do PS" e a "clarificação que assumiu é importante". Como amigo, o ex-secretário de Estado confessou que leu "com gosto" a entrevista e registou uma outra ideia - as frases de Seguro em que este garante que "não vai criar dificuldades, neste momento", à liderança de José Sócrates.
Mas para aqueles que, como o deputado Mota Andrade, são próximos do ex-líder da JS, "o país e o PS vão ter de contar no futuro com António José Seguro". Quanto a timings, deixa-os por conta do ex-ministro do PS, mas vai dizendo que o momento só deveria colocar-se no "pós-Sócrates".
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Parco em comentários, o líder parlamentar, Francisco Assis, alerta para a necessidade de o partido se concentrar no difícil momento que o país atravessa, ao mesmo tempo que defende o reforço da coesão no PS. "A minha missão não é interpretar as declarações dos meus colegas. Cada um saberá qual é o momento útil para agir. Mas neste momento não há nenhum problema de liderança no PS", disse Assis, em declarações ao PÚBLICO.
Por seu lado, o líder da distrital socialista de Coimbra, Vítor Baptista, não acredita que Seguro vá avançar já."Depois do que o ouvi dizer na última reunião da Comissão Política Nacional, não acredito que esteja no seu horizonte qualquer candidatura imediata à liderança do partido - e "imediata" quer dizer próximo congresso", precisa.
Ontem em Ponte da Barca, José Sócrates ignorou a entrevista. Mas um dirigente próximo do líder admitiu que a disponibilidade de Seguro, "em letra de forma, apenas vem confirmar o que muito sabiam: que "está disponível" a candidatar-se. O que este dirigente espera é que esta afirmação de Seguro não venha a alterar a sua atitude de low profile dos últimos anos perante Sócrates e o Governo.