"MEXERICO" (terminologia adoptada por José Lello para referir o livro) da Página 126"Transportei o falecido ex-ministro das Finanças, Sousa Franco, emdiversas ocasiões, algumas das quais acompanhado da simpática MatildeSousa Franco. Na maior parte dos casos, deslocava-se a reuniõesem Wall Street. Havia entre mim e o então responsável pela pasta dasFinanças bastante empatia e eu gostava de o escutar a dissertar sobreHistória ou museus, apoiado entre os dois bancos da frente para poderouvir e falar melhor.Transportei-o na sua última visita a Nova Iorque, acompanhadopelo então secretário de Estado do Tesouro, Teixeira dos Santos, e ochefe de gabinete, Rudolfo Lavrador. Pouco depois de Sousa Francoabandonar o cargo, o semanário Independente publicou uma notícia quedenunciava gastos muito avultados em transportes de limusina emNova Iorque. O ex-ministro e a comitiva eram acusados de teremgasto uma fortuna na viagem. Quando peguei no jornal, vi o que sepassara. A visita fora organizada por uma agência de viagens. Alguémda mesma falara comigo uns dias antes e pedira os carros, perguntandoquanto era a sua percentagem de comissão. Eu explicara que dezpor cento era o razoável. Quando enviei as contas do transporte deSousa Franco, alguém, à revelia, inflacionou tudo à ordem dos 100 porcento. A conta apresentada ao ministério não tinha nada a ver comaquela enviada por mim.126 pedro faria e nuno ferreiraComo me encontrava em Lisboa, dirigi-me ao gabinete do entãoprimeiro-ministro António Guterres e clarifiquei o assunto. Nessemesmo dia, desloquei-me ao gabinete do novo ministro das Finanças,Pina Moura, e expliquei ao novo secretário de Estado do Tesouro,António Nogueira Leite, o que se passara. A agência inflacionara aconta.Esta acabou por devolver a verba que cobrara a mais, mas o mal jáestava feito. Alguém procurara denegrir a imagem de um homem sérioe honesto. Continuo sem perceber quem teria tido o prazer sádicode prejudicar a imagem de alguém como Sousa Franco"."Não leio literatura dessa, de mexericos" (José Lello em declarações ao Público)
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"MEXERICO" (terminologia adoptada por José Lello para referir o livro) da Página 126"Transportei o falecido ex-ministro das Finanças, Sousa Franco, emdiversas ocasiões, algumas das quais acompanhado da simpática MatildeSousa Franco. Na maior parte dos casos, deslocava-se a reuniõesem Wall Street. Havia entre mim e o então responsável pela pasta dasFinanças bastante empatia e eu gostava de o escutar a dissertar sobreHistória ou museus, apoiado entre os dois bancos da frente para poderouvir e falar melhor.Transportei-o na sua última visita a Nova Iorque, acompanhadopelo então secretário de Estado do Tesouro, Teixeira dos Santos, e ochefe de gabinete, Rudolfo Lavrador. Pouco depois de Sousa Francoabandonar o cargo, o semanário Independente publicou uma notícia quedenunciava gastos muito avultados em transportes de limusina emNova Iorque. O ex-ministro e a comitiva eram acusados de teremgasto uma fortuna na viagem. Quando peguei no jornal, vi o que sepassara. A visita fora organizada por uma agência de viagens. Alguémda mesma falara comigo uns dias antes e pedira os carros, perguntandoquanto era a sua percentagem de comissão. Eu explicara que dezpor cento era o razoável. Quando enviei as contas do transporte deSousa Franco, alguém, à revelia, inflacionou tudo à ordem dos 100 porcento. A conta apresentada ao ministério não tinha nada a ver comaquela enviada por mim.126 pedro faria e nuno ferreiraComo me encontrava em Lisboa, dirigi-me ao gabinete do entãoprimeiro-ministro António Guterres e clarifiquei o assunto. Nessemesmo dia, desloquei-me ao gabinete do novo ministro das Finanças,Pina Moura, e expliquei ao novo secretário de Estado do Tesouro,António Nogueira Leite, o que se passara. A agência inflacionara aconta.Esta acabou por devolver a verba que cobrara a mais, mas o mal jáestava feito. Alguém procurara denegrir a imagem de um homem sérioe honesto. Continuo sem perceber quem teria tido o prazer sádicode prejudicar a imagem de alguém como Sousa Franco"."Não leio literatura dessa, de mexericos" (José Lello em declarações ao Público)