Entre as brumas da memória: Das tubas, clamor sem fim

03-08-2010
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Eu detesto comemorações solenes, quase temo não evitar as do 10 de Junho, que são já amanhã, e fujo quando abro o portal oficial da Comissão do Centenário da República.
Mas desde ontem já passei nem sei quanto tempo a discutir - oralmente, por e-mail e no Facebook -, a terrível ameaça que poderá constituir para a defesa da nossa memória histórica o facto de, esta tarde, umas dezenas de crianças de uma escola da Barroca desfilarem com fardas da antiga Mocidade Portuguesa, numa encenação relacionada com a vida em Portugal nos últimos 100 anos.
Mas será que não se pode representar fases «desagradáveis» da História, sem que sejam interpretadas como laudatórias? Há que apagá-las da fotografia à boa maneira soviética? Há algum perigo de fascização daquelas crianças? De quererem passar a vestir-se assim todos os dias, renunciando aos sapatos All Star ou às mochilas da Hello Kitty? E os habitantes de Aveiro vão a correr fundar um partido nazi clandestino, influenciados pelo espectáculo a que assistiram?
Parece-me haver em todo este alarido uma grande vaga de sensacionalismo e de oportunismo bacoco, muito curiosamente alimentado, em grande parte, por quem nunca se mostrou especialmente ocupado, ou preocupado, com vários atentados recentes à preservação da tal memória da nossa história recente.
(Importante ler e também e SOBRETUDO.)

P.S. - Publiquei este post à 1:14 e coloquei-o no Facebook. São 3:00am neste momento, a discussão ainda dura e já lá estão 45 comentários. A blogosfera é bem mais calma e deita-se cedo... Quem tiver acesso, pode ver aqui os comentários no Facebook.
Às 22:45: 83 comentários....

Eu detesto comemorações solenes, quase temo não evitar as do 10 de Junho, que são já amanhã, e fujo quando abro o portal oficial da Comissão do Centenário da República.
Mas desde ontem já passei nem sei quanto tempo a discutir - oralmente, por e-mail e no Facebook -, a terrível ameaça que poderá constituir para a defesa da nossa memória histórica o facto de, esta tarde, umas dezenas de crianças de uma escola da Barroca desfilarem com fardas da antiga Mocidade Portuguesa, numa encenação relacionada com a vida em Portugal nos últimos 100 anos.
Mas será que não se pode representar fases «desagradáveis» da História, sem que sejam interpretadas como laudatórias? Há que apagá-las da fotografia à boa maneira soviética? Há algum perigo de fascização daquelas crianças? De quererem passar a vestir-se assim todos os dias, renunciando aos sapatos All Star ou às mochilas da Hello Kitty? E os habitantes de Aveiro vão a correr fundar um partido nazi clandestino, influenciados pelo espectáculo a que assistiram?
Parece-me haver em todo este alarido uma grande vaga de sensacionalismo e de oportunismo bacoco, muito curiosamente alimentado, em grande parte, por quem nunca se mostrou especialmente ocupado, ou preocupado, com vários atentados recentes à preservação da tal memória da nossa história recente.
(Importante ler e também e SOBRETUDO.)

P.S. - Publiquei este post à 1:14 e coloquei-o no Facebook. São 3:00am neste momento, a discussão ainda dura e já lá estão 45 comentários. A blogosfera é bem mais calma e deita-se cedo... Quem tiver acesso, pode ver aqui os comentários no Facebook.
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