"Passaram já alguns anos. Sena Santos desapareceu de circulação e a verdade é que muitos já nem se lembram dele. Aparece, em pequeníssimas letras, num trabalho de transcrição para um jornal acolhedor, e mais nada. Ora se a nossa culpa pode ser inextinguível, a culpa objectiva, social (a não ser que se tenha morto o pai e a mãe, ou a mulher e os filhos) tende a desvanecer-se. É isso que deveria estar a acontecer com Sena Santos. Não o tenho visto, não sei nada dele. Mas sinto a sua falta, o que é de certo modo uma forma de presença. Creio que é altura de termos de novo Sena Santos no programa da manhã de uma qualquer rádio - eu lá estarei a ouvir. Ninguém era capaz de falar com tanta facilidade e desenvoltura de cinema ou ópera, de futebol ou política, de questões locais ou dos grandes problemas internacionais. E não conheço ninguém capaz de suscitar ao microfone aquela espécie de ritmo contagiante que era a grande marca radiofónica de Sena Santos. Espero ouvi-lo muito em breve - porque o jornalismo radiofónico precisa de gente assim". Eduardo Prado Coelho, Público, 9 de Outubro de 2006
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"Passaram já alguns anos. Sena Santos desapareceu de circulação e a verdade é que muitos já nem se lembram dele. Aparece, em pequeníssimas letras, num trabalho de transcrição para um jornal acolhedor, e mais nada. Ora se a nossa culpa pode ser inextinguível, a culpa objectiva, social (a não ser que se tenha morto o pai e a mãe, ou a mulher e os filhos) tende a desvanecer-se. É isso que deveria estar a acontecer com Sena Santos. Não o tenho visto, não sei nada dele. Mas sinto a sua falta, o que é de certo modo uma forma de presença. Creio que é altura de termos de novo Sena Santos no programa da manhã de uma qualquer rádio - eu lá estarei a ouvir. Ninguém era capaz de falar com tanta facilidade e desenvoltura de cinema ou ópera, de futebol ou política, de questões locais ou dos grandes problemas internacionais. E não conheço ninguém capaz de suscitar ao microfone aquela espécie de ritmo contagiante que era a grande marca radiofónica de Sena Santos. Espero ouvi-lo muito em breve - porque o jornalismo radiofónico precisa de gente assim". Eduardo Prado Coelho, Público, 9 de Outubro de 2006