Enquanto houver um sorriso de simpatia, uma palavra de carinho,
um pequeno gesto de amor, sempre existirá o Natal.
De súbito sabemos que é já tarde. Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa. De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós. Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo? Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm. Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber. O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante. E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho. Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias. E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa. Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí. Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir… Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos. E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta. (Paulo Geraldo)
Realmente... apreciando a dimensão, o sorriso maroto e o teor das leituras da sua azougada namorada, quem não compreende o pobre homem? Vá lá ele parece que consegue mexer os olhinhos Catingueiro
Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Jorge de Sena
A primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde ficou hoje marcada por uma troca de ofensas entre a deputada social-democrata Maria José Nogueira Pinto e o deputado socialista Ricardo Gonçalves que levou o presidente a ameaçar suspender os trabalhos. Palhaço disse ela. Então não fáz parte do mesmo circo? Pois é espelho meu, espelho meu, há alguém mais bonito que eu?
Em Copenhaga políticos & burocratas de todo o mundo começaram a encenar a sua farsa. Nesse teatro de fantoches está tudo invertido. Dizem-se preocupados com a poluição do planeta mas o gás com que se preocupam (CO2) não é poluente. E os seus acólitos dos media rufam os tambores do medo. Em tom ridiculamente grandiloquente, o Público fez uma reportagem onde de diz que em "14 dias vão definir a opinião da História sobre uma geração" (!?).
Mas esses media & politicos muito corajosos no combate a moinhos de vento são absolutamente covardes e omissos em relação aos problemas reais e dantescos que enfrenta a humanidade. Quando é que, por exemplo, alguma vez o Público publicou matérias sobre as toneladas de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) que o imperialismo anda a espalhar por todo o mundo? O envenenamento físico, químico e radiológico provocado pelo DU é irreversível e tem consequências ao longo de todas as gerações vindouras. Mas disso não falam eles. Preferem omitir, esconder, silenciar. São saltimbancos ao serviço de quem lhes paga. Prossegue assim a impostura global .
Trinta e seis anos depois de ter sido assassinado no estádio Chile, onde foi submetido a cinco dias consecutivos de tortura, o cantautor chileno Victor Jara terá desde hoje até às dez horas do próximo sábado um velório simbólico na sede da fundação com o seu nome, na Praça Brasil, em Santiago do Chile. Sábado, depois de um vasto conjunto de iniciativas culturais com música e poesia, será feito o funeral para o cemitério Geral, onde os seus restos mortais foram exumados.
Vítor Jara foi detido a 11 de Setembro de 1973, horas depois de iniciado o golpe de Estado desencadeado por Augusto Pinochet contra o governo de unidade popular de Salvador Allende. Levado para o estádio onde passaram a ser concentrados os prisioneiros por falta de espaço nas prisões, o também dramaturgo foi submetido a várias sessões de tortura e acabou por ser assassinado.
Destacado militante comunista, Jara era um conhecido apoiante do presidente socialista Salvador Allende. A documentação revelada o ano passado pela justiça chilena demonstra que o cantor foi torturado, as suas mãos - com que tocava viola - esmagadas à coronhada e, finalmente, abatido a tiro. A investigação ao brutal assassínio deste símbolo internacional da resistência contra o regime de Pinochet decorria desde 2005. via Expresso
Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
Walt Whitman
A chegada oficial do Natal, que teve direito a acenderem, por cá, milhões de luzes na maior árvore da região, coincidiu com a realização da Cimeira Ibérico-Americana, que faz passear, por cá, o protofascista colombiano Álvaro Uribe, e acontece no mesmo momento da entrada em vigor do Tratado Europeu que tem o nome da capital portuguesa.
É quanto a esta última festa que me quero referir a propósito de um episódio pessoal que decidi partilhar convosco.
Há dias recebi um ofício em papel timbrado do Ministério de Educação, em que era pedida a minha opinião sobre uma visita de estudo do meu rebento a terras de França, lá para Maio de 2010.
Tal projecto, recorrente nas escolas portuguesas, não me mereceria estas linhas se a dita missiva não concluísse solicitando a módica quantia de 700€ (sim, setecentos euros) para suportar os custos da viagem, que tem o declarado objectivo de «preparar os jovens para a cidadania Europeia», uma vez que «hoje já não podemos considerar-nos apenas cidadãos portugueses».
Não esquecendo, mas não relevando nesta crónica, o facto de haver na escola pública quem promova actividades que têm um custo 55% acima do salário mínimo nacional e que, por isso, excluem uma parte nada pequena dos estudantes, perpetuando assim as profundas desigualdades da nossa sociedade, não poderia deixar de registar o facto desta Europa que alguns celebram com pompa e circunstância, andar a preparar os meninos para serem seus cidadãos.
Bons cidadãos, presume-se. É bonito! Assim uma espécie de fábrica em que de um lado entra porco preto criado nas pastagens portuguesas e do outro sai salsicha europeia.
Talvez assim se perceba que aqueles que hoje fazem a festa de arromba para comemorar esta nova etapa do processo de integração capitalista na Europa, de domínio dos destinos dos seus povos por um núcleo cada vez mais restrito e de imposição do rumo neoliberal, federalista e militarista, sejam os mesmos que impediram o povo português de se pronunciar sobre essa matéria em referendo, apesar de o terem prometido e de a ele se terem comprometido na Assembleia da República.
É que o povo ainda não estava preparado e podia estragar-lhes a festa. Mas eles andam a tratar disso. João Frazão
Maus hábitos Já passou um dia sobre a ida do ministro Vieira da Silva ao Parlamento por causa das suas declarações sobre as escutas a Armando Vara em que terá aparecido (é o termo) José Sócrates, mais ainda assim vale a pena recapitular o essencial. A saber, o dirigente do PS e, por sinal, ministro da Economia, decarou com todas as letras a ilegalidade das «escutas a José Sócrates» e qualificou-as como «espionagem política»; um pouco depois, o dirigente do PS e, por sinal, ministro da Defesa, Augusto Santos Silva repetiu também com todas as letras as letras do seu colega já citado; chamado à AR para esclarecer o significado das suas graves declarações, Vieira da Silva, segundo o relato do Público online,"afirmou que as suas declarações sobre "espionagem política" foram feitas de forma consciente mas remete-as para o contexto das notícias vindas a público sobre o teor das escutas no âmbito do caso Face Oculta e para o "aproveitamento político feito pela presidente do PSD" no parlamento». Mais e pior: segundo as informações de que disponho, o ministro Vieira da Silva não terá repetido as declarações que tinha feito mas acrescentou que as mantinha e que as não retirava. E, portanto, ao que parece sem sobressalto de maior, estamos nisto: um dirigente do PS que é ministro não é capaz de ter a humildade de reconhecer que errou ou se precipitou e, reflexamente, deste modo continua envergonhadamente ou desavergonhadamente (os leitores que escolham o termo) a insistir na gravíssima acusação de que se trata de «espionagem política» e de escutas «ilegais», ou seja em duas rotundas e monumentais falsidades. Passado o barulho das luzes, pode muito bem acontecer que, um dia destes, tenhamos Vieira da Silva e Santos Silva, fiados na geral falta de memória colectiva, seja em funções partidárias ou governativas, a proclamar a urgência da ética na política e da regeneração dos costumes políticos do país. Já vimos este filme ? Certamente. Mas, como dizia o grande poeta francês Guillevic, «é mau hábito a gente habituar-se». VÍTOR DIAS in tempo das cerejas
Realiza-se hoje, quinta-feira, 4 de Dezembro, com ínicio às 21.30 hs.,um espectáculo de homenagem a José Carlos Ary dos Santos, com a participação de Carlos do Carmo, que interpretará poemas de Ary dos Santos, do pianista Bernardo Sassetti e dos músicos Ricardo Rocha, (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Fernando Araújo (baixo) e em que será também exibido um filme com a declamação por Ary dos Santos do seu poema As Portas que Abril Abriu. (Bilhetes a 20 E. ) Um Homem na Cidade
Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Pode acontecer, embora seja muito raro! Sempre que os militares cometem um “erro”, quase nunca são os responsáveis pelo dito erro que morrem, mas sim as pessoas inocentes que tiveram a infelicidade de se atravessarem no seu caminho. Um “erro” destes voltou a acontecer no Afeganistão, envolvendo militares alemães e dezenas de vítimas mortais, homens, mulheres e crianças, que seguiam numa coluna de transportes que nada tinha que ver com “insurreição”, “Al-Qaeda”, ou qualquer fenómeno similar. A frieza da reacção dos oficiais alemães envolvidos em mais este “acidente” bastante parecido com um crime de guerra, lembrou, infelizmente, outras guerras. Não se lhes viu um pingo de remorso. Já aos seus chefes militares, ao fazerem ainda pior, isto é, tentarem ocultar o sucedido, insistindo que tinham atacado uma coluna militar, o caso valeu-lhes o afastamento dos respectivos cargos . Valeu também um público pedido de desculpas da Chanceler alemã Angela Merkel , o que não remediando coisa nenhuma, pelo menos fica-lhe bem. Vem isto a propósito do facto de Merkel, na sua qualidade de (grande) aliada de Barack Obama na guerra do Afeganistão, ter sido informada das intenções de “mudança” de estratégia militar do Presidente dos EUA, ainda antes do discurso em que ele fez o seu anúncio público. Se atendermos a que logo após ter sido eleito, Barack Obama já tinha aumentado o número de efectivos militares empenhados naquele conflito em mais de 20.000 soldados, ficamos com uma ideia da variedade de soluções de que a Casa Branca dispõe para resolver o problema... mesmo incluindo a “compra” de um presidente Afegão e dos corruptos que o rodeiam. Vamos ter, portanto, entre soldados dos EUA e dos seus aliados , um aumento de tropas no Afeganistão, que poderá chegar quase aos 40.000 efectivos . Segundo Obama, os cerca de 100.000 soldados que passarão assim a estar naquele país, começarão a retirar em 2012... “dependendo das condições no terreno”, o que quer dizer, basicamente, coisa nenhuma. Permitindo-me acabar com um toque de ironia demagógica, diria que isto é tendo ele recebido o Nobel da Paz!... Nem quero imaginar o que o homem faria se lhe tivessem dado o Nobel da Guerra!!! com a devida vénia do Cantigueiro
O bébé chorava muito?
Não tinha problema... a Stickney & Poor's tinha a solução.
Mesmo que fosse recém-nascido com 5 ou mais dias bastavam 5 gotas deste sedativo (com 46% de alcool e uma pitadinha de ópio) e pronto, toda a gente dormia lá em casa !
Para crianças com dois anos usava-se 8 gotas e com cinco anos já era necessário recorrer a 25...
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Enquanto houver um sorriso de simpatia, uma palavra de carinho,
um pequeno gesto de amor, sempre existirá o Natal.
De súbito sabemos que é já tarde. Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa. De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós. Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo? Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm. Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber. O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante. E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho. Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias. E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa. Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí. Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir… Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos. E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta. (Paulo Geraldo)
Realmente... apreciando a dimensão, o sorriso maroto e o teor das leituras da sua azougada namorada, quem não compreende o pobre homem? Vá lá ele parece que consegue mexer os olhinhos Catingueiro
Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Jorge de Sena
A primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde ficou hoje marcada por uma troca de ofensas entre a deputada social-democrata Maria José Nogueira Pinto e o deputado socialista Ricardo Gonçalves que levou o presidente a ameaçar suspender os trabalhos. Palhaço disse ela. Então não fáz parte do mesmo circo? Pois é espelho meu, espelho meu, há alguém mais bonito que eu?
Em Copenhaga políticos & burocratas de todo o mundo começaram a encenar a sua farsa. Nesse teatro de fantoches está tudo invertido. Dizem-se preocupados com a poluição do planeta mas o gás com que se preocupam (CO2) não é poluente. E os seus acólitos dos media rufam os tambores do medo. Em tom ridiculamente grandiloquente, o Público fez uma reportagem onde de diz que em "14 dias vão definir a opinião da História sobre uma geração" (!?).
Mas esses media & politicos muito corajosos no combate a moinhos de vento são absolutamente covardes e omissos em relação aos problemas reais e dantescos que enfrenta a humanidade. Quando é que, por exemplo, alguma vez o Público publicou matérias sobre as toneladas de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) que o imperialismo anda a espalhar por todo o mundo? O envenenamento físico, químico e radiológico provocado pelo DU é irreversível e tem consequências ao longo de todas as gerações vindouras. Mas disso não falam eles. Preferem omitir, esconder, silenciar. São saltimbancos ao serviço de quem lhes paga. Prossegue assim a impostura global .
Trinta e seis anos depois de ter sido assassinado no estádio Chile, onde foi submetido a cinco dias consecutivos de tortura, o cantautor chileno Victor Jara terá desde hoje até às dez horas do próximo sábado um velório simbólico na sede da fundação com o seu nome, na Praça Brasil, em Santiago do Chile. Sábado, depois de um vasto conjunto de iniciativas culturais com música e poesia, será feito o funeral para o cemitério Geral, onde os seus restos mortais foram exumados.
Vítor Jara foi detido a 11 de Setembro de 1973, horas depois de iniciado o golpe de Estado desencadeado por Augusto Pinochet contra o governo de unidade popular de Salvador Allende. Levado para o estádio onde passaram a ser concentrados os prisioneiros por falta de espaço nas prisões, o também dramaturgo foi submetido a várias sessões de tortura e acabou por ser assassinado.
Destacado militante comunista, Jara era um conhecido apoiante do presidente socialista Salvador Allende. A documentação revelada o ano passado pela justiça chilena demonstra que o cantor foi torturado, as suas mãos - com que tocava viola - esmagadas à coronhada e, finalmente, abatido a tiro. A investigação ao brutal assassínio deste símbolo internacional da resistência contra o regime de Pinochet decorria desde 2005. via Expresso
Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
Walt Whitman
A chegada oficial do Natal, que teve direito a acenderem, por cá, milhões de luzes na maior árvore da região, coincidiu com a realização da Cimeira Ibérico-Americana, que faz passear, por cá, o protofascista colombiano Álvaro Uribe, e acontece no mesmo momento da entrada em vigor do Tratado Europeu que tem o nome da capital portuguesa.
É quanto a esta última festa que me quero referir a propósito de um episódio pessoal que decidi partilhar convosco.
Há dias recebi um ofício em papel timbrado do Ministério de Educação, em que era pedida a minha opinião sobre uma visita de estudo do meu rebento a terras de França, lá para Maio de 2010.
Tal projecto, recorrente nas escolas portuguesas, não me mereceria estas linhas se a dita missiva não concluísse solicitando a módica quantia de 700€ (sim, setecentos euros) para suportar os custos da viagem, que tem o declarado objectivo de «preparar os jovens para a cidadania Europeia», uma vez que «hoje já não podemos considerar-nos apenas cidadãos portugueses».
Não esquecendo, mas não relevando nesta crónica, o facto de haver na escola pública quem promova actividades que têm um custo 55% acima do salário mínimo nacional e que, por isso, excluem uma parte nada pequena dos estudantes, perpetuando assim as profundas desigualdades da nossa sociedade, não poderia deixar de registar o facto desta Europa que alguns celebram com pompa e circunstância, andar a preparar os meninos para serem seus cidadãos.
Bons cidadãos, presume-se. É bonito! Assim uma espécie de fábrica em que de um lado entra porco preto criado nas pastagens portuguesas e do outro sai salsicha europeia.
Talvez assim se perceba que aqueles que hoje fazem a festa de arromba para comemorar esta nova etapa do processo de integração capitalista na Europa, de domínio dos destinos dos seus povos por um núcleo cada vez mais restrito e de imposição do rumo neoliberal, federalista e militarista, sejam os mesmos que impediram o povo português de se pronunciar sobre essa matéria em referendo, apesar de o terem prometido e de a ele se terem comprometido na Assembleia da República.
É que o povo ainda não estava preparado e podia estragar-lhes a festa. Mas eles andam a tratar disso. João Frazão
Maus hábitos Já passou um dia sobre a ida do ministro Vieira da Silva ao Parlamento por causa das suas declarações sobre as escutas a Armando Vara em que terá aparecido (é o termo) José Sócrates, mais ainda assim vale a pena recapitular o essencial. A saber, o dirigente do PS e, por sinal, ministro da Economia, decarou com todas as letras a ilegalidade das «escutas a José Sócrates» e qualificou-as como «espionagem política»; um pouco depois, o dirigente do PS e, por sinal, ministro da Defesa, Augusto Santos Silva repetiu também com todas as letras as letras do seu colega já citado; chamado à AR para esclarecer o significado das suas graves declarações, Vieira da Silva, segundo o relato do Público online,"afirmou que as suas declarações sobre "espionagem política" foram feitas de forma consciente mas remete-as para o contexto das notícias vindas a público sobre o teor das escutas no âmbito do caso Face Oculta e para o "aproveitamento político feito pela presidente do PSD" no parlamento». Mais e pior: segundo as informações de que disponho, o ministro Vieira da Silva não terá repetido as declarações que tinha feito mas acrescentou que as mantinha e que as não retirava. E, portanto, ao que parece sem sobressalto de maior, estamos nisto: um dirigente do PS que é ministro não é capaz de ter a humildade de reconhecer que errou ou se precipitou e, reflexamente, deste modo continua envergonhadamente ou desavergonhadamente (os leitores que escolham o termo) a insistir na gravíssima acusação de que se trata de «espionagem política» e de escutas «ilegais», ou seja em duas rotundas e monumentais falsidades. Passado o barulho das luzes, pode muito bem acontecer que, um dia destes, tenhamos Vieira da Silva e Santos Silva, fiados na geral falta de memória colectiva, seja em funções partidárias ou governativas, a proclamar a urgência da ética na política e da regeneração dos costumes políticos do país. Já vimos este filme ? Certamente. Mas, como dizia o grande poeta francês Guillevic, «é mau hábito a gente habituar-se». VÍTOR DIAS in tempo das cerejas
Realiza-se hoje, quinta-feira, 4 de Dezembro, com ínicio às 21.30 hs.,um espectáculo de homenagem a José Carlos Ary dos Santos, com a participação de Carlos do Carmo, que interpretará poemas de Ary dos Santos, do pianista Bernardo Sassetti e dos músicos Ricardo Rocha, (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Fernando Araújo (baixo) e em que será também exibido um filme com a declamação por Ary dos Santos do seu poema As Portas que Abril Abriu. (Bilhetes a 20 E. ) Um Homem na Cidade
Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Pode acontecer, embora seja muito raro! Sempre que os militares cometem um “erro”, quase nunca são os responsáveis pelo dito erro que morrem, mas sim as pessoas inocentes que tiveram a infelicidade de se atravessarem no seu caminho. Um “erro” destes voltou a acontecer no Afeganistão, envolvendo militares alemães e dezenas de vítimas mortais, homens, mulheres e crianças, que seguiam numa coluna de transportes que nada tinha que ver com “insurreição”, “Al-Qaeda”, ou qualquer fenómeno similar. A frieza da reacção dos oficiais alemães envolvidos em mais este “acidente” bastante parecido com um crime de guerra, lembrou, infelizmente, outras guerras. Não se lhes viu um pingo de remorso. Já aos seus chefes militares, ao fazerem ainda pior, isto é, tentarem ocultar o sucedido, insistindo que tinham atacado uma coluna militar, o caso valeu-lhes o afastamento dos respectivos cargos . Valeu também um público pedido de desculpas da Chanceler alemã Angela Merkel , o que não remediando coisa nenhuma, pelo menos fica-lhe bem. Vem isto a propósito do facto de Merkel, na sua qualidade de (grande) aliada de Barack Obama na guerra do Afeganistão, ter sido informada das intenções de “mudança” de estratégia militar do Presidente dos EUA, ainda antes do discurso em que ele fez o seu anúncio público. Se atendermos a que logo após ter sido eleito, Barack Obama já tinha aumentado o número de efectivos militares empenhados naquele conflito em mais de 20.000 soldados, ficamos com uma ideia da variedade de soluções de que a Casa Branca dispõe para resolver o problema... mesmo incluindo a “compra” de um presidente Afegão e dos corruptos que o rodeiam. Vamos ter, portanto, entre soldados dos EUA e dos seus aliados , um aumento de tropas no Afeganistão, que poderá chegar quase aos 40.000 efectivos . Segundo Obama, os cerca de 100.000 soldados que passarão assim a estar naquele país, começarão a retirar em 2012... “dependendo das condições no terreno”, o que quer dizer, basicamente, coisa nenhuma. Permitindo-me acabar com um toque de ironia demagógica, diria que isto é tendo ele recebido o Nobel da Paz!... Nem quero imaginar o que o homem faria se lhe tivessem dado o Nobel da Guerra!!! com a devida vénia do Cantigueiro
O bébé chorava muito?
Não tinha problema... a Stickney & Poor's tinha a solução.
Mesmo que fosse recém-nascido com 5 ou mais dias bastavam 5 gotas deste sedativo (com 46% de alcool e uma pitadinha de ópio) e pronto, toda a gente dormia lá em casa !
Para crianças com dois anos usava-se 8 gotas e com cinco anos já era necessário recorrer a 25...