O Monárquico

03-08-2010
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O aborto é crime! Não pretendo conseguir convencer os que já decidiram. Lamento que se hajam rendido a facilidades argumentativas, cedido às conveniências do “modismo” intelectual, julgando possível lucrar com lealdades menores. Porque tenho suficiente confiança nas Virtudes que professo e escolhi viver, opto por rejeitar as facilidades da “modernidade”, mesmo quando tal decisão surja como susceptível de trazer desvantagens pessoais ou até privar-me de excelsas glórias.
Acreditando que “água mole em pedra dura...”, tentemos, uma vez mais, demonstrar a falácia dos argumentos apresentados.
Ligar a vida e a felicidade futura de uma criança por nascer ao presente difícil dos pais seria condenar todas as crianças ao não nascimento! A não ser que alguém se julgue presciente, ninguém pode saber a qualidade do futuro pela mera constatação do presente. Por essa ordem de ideias, alguém que haja perdido o seu emprego só teria o suicídio como natural consequência... e é intelectualmente desonesto agarrar numa mancheia de exemplos, generalizá-los e tomar o todo pela parte, confundir a árvore com a floresta.
É verdade que é falso que só engravida quem quer. Mas com os argumentos desta esquerda, para quem aborto é um método para evitar que surjam crianças num ambiente familiar economicamente degradante, devemos concluír que só deverá engravidar quem pode...
Ao afirmarem que “o corpo da mulher pertence-lhe!”, estarão os defensores do aborto disponíveis para autorizar a venda a retalho do corpo humano, isto é, estão disponíveis para permitir que cada um de nós possa, legitimamente, vender um rim, um pulmão ou outra qualquer parte do corpo... porque nos pertence? Se não, fica já demonstrada a incoerência argumentativa do costume... ainda que assim fosse, jamais poderia significar um ilimitado direito de disposição.
Não obstante, se o corpo da mulher é dela, é dela o direito a impedir a gravidez... não o de eliminar o que, sendo produzido dentro dela, é já mais do que ela! A singularidade genética que marca e distingue cada Homem está definitivamente definida desde a concepção. «Na falta de um infortúnio natural ou intervenção letal, o produto da concepção humana será o que toda a pessoa sã reconhece como um ser humano». A argumentação em volta do momento da realização do aborto é também pouco coerente. Não consigo encontrar diferença para um aborto 12 horas, 12 dias ou 12 semanas. Por um lado, não há motivo ou momento que, validamente, possa justificar o acto de tirar a vida de um inocente, fraco e indefeso. E por outro, porque «nada que não seja um ser humano se tornará alguma vez num ser humano», «uma criança por nascer é um ser humano desde a concepção». Falam “os senhores do aborto livre” na «dolorosa experiência da maioria das famílias portuguesas». Concordo, se se estiverem a referir às graves consequências psicológicas que daí resultam para as mulheres que o fazem. Por um lado, assusta-me a leveza de consciência com que se fala sobre esta questão: não conheço nenhuma mulher que, tendo abortado, se orgulhe do facto. E estas, quando o fazem, mortificam-se toda uma vida. Ou perdem os limites morais e humanos mínimos, encarando o aborto como um acto normal, comparável a tomar uma aspirina!
A decisão da mulher jamais é verdadeiramente livre: sujeita à pressão do “companheiro”, dos pais, das amigas, da família, ela acaba por optar pela solução que, aparentemente, lhe parece ser a mais fácil: livrar-se do... “problema”! É triste e verdadeiramente sintomático do estado civilizacional a que nos querem “elevar” quando um ser humano é rebaixado à condição de... “problema”! Gostava que reflectissem sobre isto: se este é o modelo civilizacional que a esquerda pretende, será que é aquele em que os portugueses desejam viver?
Os falsos humanistas, porque desprezam o sofrimento dos que nascem, preferem vê-los mortos, depositados num caixote do lixo de um qualquer hospital. Não espanta: são os descendentes daqueles “modernos” que só preferiam os “perfeitinhos” e proposeram a eugenia como política de Estado (os outros, os que nasciam com deficiências, eram logo eliminados à nascença). Será que, para “os senhores do aborto”, o feto é comparável a uma borbulha?
Quereremos uma sociedade onde vigore «um exercício da liberdade sem limites». Onde impere a “bandalheira” ao nível da moral e dos comportamentos? Uma sexualidade responsável, aceitar os filhos, assumir responsabilidades e transmitir esses princípios aos nossos filhos é uma solução humana e civilizacionalmente aceitável. Apesar dos problemas sociais e humanos decorrentes e adjacentes como as doenças sexualmente transmissíveis, o crescente aumento de adolescentes que engravidam, o aborto, «as soluções protagonizadas pela legislação procuram precaver ou remediar os efeitos, sem tocar na questão de fundo, que seria a promoção de uma sexualidade generosa e responsável. Universaliza-se o preservativo, facilita-se o acesso à chamada pílula do dia seguinte, criam-se salas de injecção assistida para os toxicodependentes, trocam-se gratuitamente seringas, e, nas campanhas de promoção ou dos prémios justificativos das leis, nunca se diz uma palavra que vá na linha de sugerir uma responsabilidade no exercício da liberdade». Onde estiveram os “senhores do aborto livre” nos últimos 5 anos?
É importante referir que «admitir a irresponsabilidade num aspecto da vida, significa comprometer toda a educação para a responsabilidade. Como queremos, então, promover a responsabilidade pessoal e colectiva, na economia, nas obrigações fiscais, na fidelidade aos deveres profissionais, na circulação rodoviária e no respeito pelos bens que são da comunidade?» Não é, por isso, abusivo afirmar que algumas recentes propostas a que a comunicação social deu eco, são potencialmente geradoras de comportamentos irresponsáveis. Legislar deve «assentar num projecto de valores a promover e a defender. Deveria ser esse projecto cultural a definir as propostas políticas da sociedade a apresentar aos portugueses para a sua escolha democrática». A questão do aborto não é uma questão de gostos, opções ou moralidades: é uma questão de lealdade para com os mais fracos. Cada vez mais se cai na vivacidade das propostas demagógicas de uma “modernidade” bem-falante, que nos impõem as suas imperturbáveis certezas, fruto da sua inabilidade em distinguir o que é ilusão do que é realidade. Sobre as democracias e sobre o mundo ocidental pairam escuras nuvens da crise moral que tolda os princípios que a enformam, tornando-a incapaz de perceber a natureza da sua própria deterioração física, intelectual e moral.
Contem com quem, fiel aos Princípios, que não desiste. E resiste!
João Titta Maurício
titamau@netcabo.pt
Prof. Universitário
e vice-Presidente da CPD do CDS-PP/Setúbal


O aborto é crime! Não pretendo conseguir convencer os que já decidiram. Lamento que se hajam rendido a facilidades argumentativas, cedido às conveniências do “modismo” intelectual, julgando possível lucrar com lealdades menores. Porque tenho suficiente confiança nas Virtudes que professo e escolhi viver, opto por rejeitar as facilidades da “modernidade”, mesmo quando tal decisão surja como susceptível de trazer desvantagens pessoais ou até privar-me de excelsas glórias.
Acreditando que “água mole em pedra dura...”, tentemos, uma vez mais, demonstrar a falácia dos argumentos apresentados.
Ligar a vida e a felicidade futura de uma criança por nascer ao presente difícil dos pais seria condenar todas as crianças ao não nascimento! A não ser que alguém se julgue presciente, ninguém pode saber a qualidade do futuro pela mera constatação do presente. Por essa ordem de ideias, alguém que haja perdido o seu emprego só teria o suicídio como natural consequência... e é intelectualmente desonesto agarrar numa mancheia de exemplos, generalizá-los e tomar o todo pela parte, confundir a árvore com a floresta.
É verdade que é falso que só engravida quem quer. Mas com os argumentos desta esquerda, para quem aborto é um método para evitar que surjam crianças num ambiente familiar economicamente degradante, devemos concluír que só deverá engravidar quem pode...
Ao afirmarem que “o corpo da mulher pertence-lhe!”, estarão os defensores do aborto disponíveis para autorizar a venda a retalho do corpo humano, isto é, estão disponíveis para permitir que cada um de nós possa, legitimamente, vender um rim, um pulmão ou outra qualquer parte do corpo... porque nos pertence? Se não, fica já demonstrada a incoerência argumentativa do costume... ainda que assim fosse, jamais poderia significar um ilimitado direito de disposição.
Não obstante, se o corpo da mulher é dela, é dela o direito a impedir a gravidez... não o de eliminar o que, sendo produzido dentro dela, é já mais do que ela! A singularidade genética que marca e distingue cada Homem está definitivamente definida desde a concepção. «Na falta de um infortúnio natural ou intervenção letal, o produto da concepção humana será o que toda a pessoa sã reconhece como um ser humano». A argumentação em volta do momento da realização do aborto é também pouco coerente. Não consigo encontrar diferença para um aborto 12 horas, 12 dias ou 12 semanas. Por um lado, não há motivo ou momento que, validamente, possa justificar o acto de tirar a vida de um inocente, fraco e indefeso. E por outro, porque «nada que não seja um ser humano se tornará alguma vez num ser humano», «uma criança por nascer é um ser humano desde a concepção». Falam “os senhores do aborto livre” na «dolorosa experiência da maioria das famílias portuguesas». Concordo, se se estiverem a referir às graves consequências psicológicas que daí resultam para as mulheres que o fazem. Por um lado, assusta-me a leveza de consciência com que se fala sobre esta questão: não conheço nenhuma mulher que, tendo abortado, se orgulhe do facto. E estas, quando o fazem, mortificam-se toda uma vida. Ou perdem os limites morais e humanos mínimos, encarando o aborto como um acto normal, comparável a tomar uma aspirina!
A decisão da mulher jamais é verdadeiramente livre: sujeita à pressão do “companheiro”, dos pais, das amigas, da família, ela acaba por optar pela solução que, aparentemente, lhe parece ser a mais fácil: livrar-se do... “problema”! É triste e verdadeiramente sintomático do estado civilizacional a que nos querem “elevar” quando um ser humano é rebaixado à condição de... “problema”! Gostava que reflectissem sobre isto: se este é o modelo civilizacional que a esquerda pretende, será que é aquele em que os portugueses desejam viver?
Os falsos humanistas, porque desprezam o sofrimento dos que nascem, preferem vê-los mortos, depositados num caixote do lixo de um qualquer hospital. Não espanta: são os descendentes daqueles “modernos” que só preferiam os “perfeitinhos” e proposeram a eugenia como política de Estado (os outros, os que nasciam com deficiências, eram logo eliminados à nascença). Será que, para “os senhores do aborto”, o feto é comparável a uma borbulha?
Quereremos uma sociedade onde vigore «um exercício da liberdade sem limites». Onde impere a “bandalheira” ao nível da moral e dos comportamentos? Uma sexualidade responsável, aceitar os filhos, assumir responsabilidades e transmitir esses princípios aos nossos filhos é uma solução humana e civilizacionalmente aceitável. Apesar dos problemas sociais e humanos decorrentes e adjacentes como as doenças sexualmente transmissíveis, o crescente aumento de adolescentes que engravidam, o aborto, «as soluções protagonizadas pela legislação procuram precaver ou remediar os efeitos, sem tocar na questão de fundo, que seria a promoção de uma sexualidade generosa e responsável. Universaliza-se o preservativo, facilita-se o acesso à chamada pílula do dia seguinte, criam-se salas de injecção assistida para os toxicodependentes, trocam-se gratuitamente seringas, e, nas campanhas de promoção ou dos prémios justificativos das leis, nunca se diz uma palavra que vá na linha de sugerir uma responsabilidade no exercício da liberdade». Onde estiveram os “senhores do aborto livre” nos últimos 5 anos?
É importante referir que «admitir a irresponsabilidade num aspecto da vida, significa comprometer toda a educação para a responsabilidade. Como queremos, então, promover a responsabilidade pessoal e colectiva, na economia, nas obrigações fiscais, na fidelidade aos deveres profissionais, na circulação rodoviária e no respeito pelos bens que são da comunidade?» Não é, por isso, abusivo afirmar que algumas recentes propostas a que a comunicação social deu eco, são potencialmente geradoras de comportamentos irresponsáveis. Legislar deve «assentar num projecto de valores a promover e a defender. Deveria ser esse projecto cultural a definir as propostas políticas da sociedade a apresentar aos portugueses para a sua escolha democrática». A questão do aborto não é uma questão de gostos, opções ou moralidades: é uma questão de lealdade para com os mais fracos. Cada vez mais se cai na vivacidade das propostas demagógicas de uma “modernidade” bem-falante, que nos impõem as suas imperturbáveis certezas, fruto da sua inabilidade em distinguir o que é ilusão do que é realidade. Sobre as democracias e sobre o mundo ocidental pairam escuras nuvens da crise moral que tolda os princípios que a enformam, tornando-a incapaz de perceber a natureza da sua própria deterioração física, intelectual e moral.
Contem com quem, fiel aos Princípios, que não desiste. E resiste!
João Titta Maurício
titamau@netcabo.pt
Prof. Universitário
e vice-Presidente da CPD do CDS-PP/Setúbal

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