O Monárquico

03-08-2010
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Ou agora ou nunca...Na falta de um debate sobre a questão por mim lançada - o sentido prático da Doutrina Social da Igreja - não sei se os monárquicos concordam ou não com as consequências políticas, para nós, desse imperativo moral que inúmeros Pontífices têm vindo a expor, desde há mais de 100 anos. Receio que a questão seja tão incómoda para alguns, que os leva a preferir fazer de conta que esse imperativo moral não existe nem tem consequências políticas.Mas se formos levados a aceitar que as constantes palavras dos Papas não podem continuar a ser ignoradas, então as nossas opções, como monárquicos, terão de ser profundamente revistas.Não mais poderemos fazer de conta que o capitalismo liberal é inocente, e que a exclusão social que ele provoca é apenas um acidente de percurso. Não mais poderemos dar o nosso apoio a partidos ditos de direita, que promovem ou toleram essa exclusão. Não mais poderemos negar o papel essencial do Estado na defesa dos mais fracos. E se não quisermos fazer opções partidárias de esquerda - tendo em conta que essa esquerda não é mais solidária que a direita - então teremos de criar um movimento novo que alie o monarquismo ao reconhecimento do imperativo da justiça social, não sob a forma de uma caridade ineficiente mas de uma política social baseada no reconhecimento de direitos. Teremos de reconhecer o direito ao trabalho, à assistência médica, à segurança social, e teremos de compreender que, uma vez reconhecidos esses direitos, não mais poderemos tolerar o desemprego estrutural, a falta de cuidados médicos por falta de dinheiro, ou pensões de reforma insuficientes para garantir a subsistência com dignidade dos nossos idosos. São esses os imperativos morais da religião cristã, e não mais poderemos fingir que a Igreja é, ou deveria ser, neutra perante a miséria e a injustiça.Como monárquicos e como cristãos não poderemos continuar a tolerar a passividade e a indefinição do "movimento" monárquico e dos seus "dirigentes". Entre aspas, porque nem o movimento se move, nem os dirigentes dirigem. Obcecados pela alínea b) do artigo 288º da Constituição, apenas activos quando se trata de festanças, os "dirigentes" desse "movimento" ou caem em si e começam a preocupar-se com o que merece preocupação, ou deverão ser rapidamente marginalizados ou substituídos. E nós todos, ou nos deixamos de salamaleques inúteis e de conformismos degradantes, ou seremos todos responsáveis pela desgraça que vai assolar o nosso país.É definitivamente chegado o momento de arregaçar as mangas e de assumirmos as nossas responsabilidades. O momento exige empenhamento de todos e acção. E não podemos continuar à espera que sejam os outros a fazer aquilo que sabemos que deve ser feito, mas para o qual nos falta vontade. Se esperarmos muito mais tempo iremos perder tudo aquilo que gerações de portugueses obtiveram, ao longo de quase mil anos de História e de luta.Nuno Cardoso da Silva


Ou agora ou nunca...Na falta de um debate sobre a questão por mim lançada - o sentido prático da Doutrina Social da Igreja - não sei se os monárquicos concordam ou não com as consequências políticas, para nós, desse imperativo moral que inúmeros Pontífices têm vindo a expor, desde há mais de 100 anos. Receio que a questão seja tão incómoda para alguns, que os leva a preferir fazer de conta que esse imperativo moral não existe nem tem consequências políticas.Mas se formos levados a aceitar que as constantes palavras dos Papas não podem continuar a ser ignoradas, então as nossas opções, como monárquicos, terão de ser profundamente revistas.Não mais poderemos fazer de conta que o capitalismo liberal é inocente, e que a exclusão social que ele provoca é apenas um acidente de percurso. Não mais poderemos dar o nosso apoio a partidos ditos de direita, que promovem ou toleram essa exclusão. Não mais poderemos negar o papel essencial do Estado na defesa dos mais fracos. E se não quisermos fazer opções partidárias de esquerda - tendo em conta que essa esquerda não é mais solidária que a direita - então teremos de criar um movimento novo que alie o monarquismo ao reconhecimento do imperativo da justiça social, não sob a forma de uma caridade ineficiente mas de uma política social baseada no reconhecimento de direitos. Teremos de reconhecer o direito ao trabalho, à assistência médica, à segurança social, e teremos de compreender que, uma vez reconhecidos esses direitos, não mais poderemos tolerar o desemprego estrutural, a falta de cuidados médicos por falta de dinheiro, ou pensões de reforma insuficientes para garantir a subsistência com dignidade dos nossos idosos. São esses os imperativos morais da religião cristã, e não mais poderemos fingir que a Igreja é, ou deveria ser, neutra perante a miséria e a injustiça.Como monárquicos e como cristãos não poderemos continuar a tolerar a passividade e a indefinição do "movimento" monárquico e dos seus "dirigentes". Entre aspas, porque nem o movimento se move, nem os dirigentes dirigem. Obcecados pela alínea b) do artigo 288º da Constituição, apenas activos quando se trata de festanças, os "dirigentes" desse "movimento" ou caem em si e começam a preocupar-se com o que merece preocupação, ou deverão ser rapidamente marginalizados ou substituídos. E nós todos, ou nos deixamos de salamaleques inúteis e de conformismos degradantes, ou seremos todos responsáveis pela desgraça que vai assolar o nosso país.É definitivamente chegado o momento de arregaçar as mangas e de assumirmos as nossas responsabilidades. O momento exige empenhamento de todos e acção. E não podemos continuar à espera que sejam os outros a fazer aquilo que sabemos que deve ser feito, mas para o qual nos falta vontade. Se esperarmos muito mais tempo iremos perder tudo aquilo que gerações de portugueses obtiveram, ao longo de quase mil anos de História e de luta.Nuno Cardoso da Silva

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