O Monárquico: Waka, waka!

03-08-2010
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Começo por dizer que o Campeonato do Mundo de Futebol, assim como qualquer outra competição desportiva, não deve ser encarada com ridículos clamores de patriotismo exacerbado. A Pátria é algo de muito mais sério. O Futebol é, apenas, o maior, melhor e mais universal espectáculo do mundo.

Este foi o Mundial de África, das “vuvuzelas” e do Inverno. A primeira jornada foi desde logo desastrosa, em termos de exibições e golos, sendo o prenúncio de que o estilo táctico “à Mourinho” tinha contagiado muitos dos treinadores. Uma má interpretação, diria eu. O resto da fase de grupos tendeu a normalizar e, surpreendentemente ou não, Itália e França ficaram de fora em últimos do grupo. A França devido à indisciplina e má liderança, a Itália talvez devido ao excesso de veteranismo; mas os finalistas do Mundial anterior foram as primeiras grandes desilusões.

Com o desenrolar da prova verificámos que, tal como no Campeonato anterior, a Europa dominou por completo. Argentina e Brasil voltaram a desiludir, tal como em 2006, e só não voltamos a ter quatro selecções europeias nas meias-finais devido aos estranhos e injustos alinhamentos da FIFA. Neste caso, o Uruguai, logo que defrontou um selecção europeia perdeu uma e outra vez. Isto não quer dizer que os sul-americanos tenham piores jogadores, muito pelo contrário: é na Argentina e Brasil que se concentram os artistas da bola. Mas faltou-lhes a liderança, o pragmatismo e o desenvolvimento de um treinador europeu, que adequasse o talento à táctica, que compatibilizasse o virtuosismo com a ordem e a segurança de jogo. Prevejo que a Argentina, e mesmo o Brasil, dificilmente voltem a passar dos quartos-de-final de um Mundial se não investirem num treinador europeu, ou com os hábitos mais evoluídos da cultura euopeia.

Portugal foi logo eliminado nos oitavos-de-final. É verdade que não se compreende porque é que o n.º 3 do mundo jogue logo no início com o n.º 1 e depois com o n.º 2 do ranking da FIFA. Mas também é verdade que foi um castigo para a incompetência execrável de Carlos Queiroz. Muito se falou já sobre o que se passou, não vale a pena acrescentar muito mais. O golo em fora-de-jogo de Villa foi merecido para a Espanha porque desde as eliminatórias que só quisemos ganhar às equipas muito inferiores. Aliás, devo dizer que a grande mudança aconteceu no Portugal-Dinamarca, quando a poucos minutos do fim ganhávamos e só por acaso não goleávamos, para depois perdermos com muita infelicidade. Foi precisamente a partir deste jogo que Queiroz decidiu que não ia perder mais nenhum jogo, nem que para isso também significasse não ganhar mais. Acumulámos empates nas eliminatórias e no Mundial, até sermos eliminados (com a ignóbil frase) “De cabeça levantada” - um modo de ver as coisas muito lusitano.

Até daqui a quatro anos no Brasil, numa “Copa” que terá muitas das preocupações de organização desta, mas que tem tudo para ser um suceso. Nesta final tivemos duas equipas de países monárquicos. Talvez seja coincidência, ou talvez seja reflexo do equilíbrio, segurança e investimento que se faz por terras de Espanha e Holanda. Parabéns ao Reino de Espanha!

Começo por dizer que o Campeonato do Mundo de Futebol, assim como qualquer outra competição desportiva, não deve ser encarada com ridículos clamores de patriotismo exacerbado. A Pátria é algo de muito mais sério. O Futebol é, apenas, o maior, melhor e mais universal espectáculo do mundo.

Este foi o Mundial de África, das “vuvuzelas” e do Inverno. A primeira jornada foi desde logo desastrosa, em termos de exibições e golos, sendo o prenúncio de que o estilo táctico “à Mourinho” tinha contagiado muitos dos treinadores. Uma má interpretação, diria eu. O resto da fase de grupos tendeu a normalizar e, surpreendentemente ou não, Itália e França ficaram de fora em últimos do grupo. A França devido à indisciplina e má liderança, a Itália talvez devido ao excesso de veteranismo; mas os finalistas do Mundial anterior foram as primeiras grandes desilusões.

Com o desenrolar da prova verificámos que, tal como no Campeonato anterior, a Europa dominou por completo. Argentina e Brasil voltaram a desiludir, tal como em 2006, e só não voltamos a ter quatro selecções europeias nas meias-finais devido aos estranhos e injustos alinhamentos da FIFA. Neste caso, o Uruguai, logo que defrontou um selecção europeia perdeu uma e outra vez. Isto não quer dizer que os sul-americanos tenham piores jogadores, muito pelo contrário: é na Argentina e Brasil que se concentram os artistas da bola. Mas faltou-lhes a liderança, o pragmatismo e o desenvolvimento de um treinador europeu, que adequasse o talento à táctica, que compatibilizasse o virtuosismo com a ordem e a segurança de jogo. Prevejo que a Argentina, e mesmo o Brasil, dificilmente voltem a passar dos quartos-de-final de um Mundial se não investirem num treinador europeu, ou com os hábitos mais evoluídos da cultura euopeia.

Portugal foi logo eliminado nos oitavos-de-final. É verdade que não se compreende porque é que o n.º 3 do mundo jogue logo no início com o n.º 1 e depois com o n.º 2 do ranking da FIFA. Mas também é verdade que foi um castigo para a incompetência execrável de Carlos Queiroz. Muito se falou já sobre o que se passou, não vale a pena acrescentar muito mais. O golo em fora-de-jogo de Villa foi merecido para a Espanha porque desde as eliminatórias que só quisemos ganhar às equipas muito inferiores. Aliás, devo dizer que a grande mudança aconteceu no Portugal-Dinamarca, quando a poucos minutos do fim ganhávamos e só por acaso não goleávamos, para depois perdermos com muita infelicidade. Foi precisamente a partir deste jogo que Queiroz decidiu que não ia perder mais nenhum jogo, nem que para isso também significasse não ganhar mais. Acumulámos empates nas eliminatórias e no Mundial, até sermos eliminados (com a ignóbil frase) “De cabeça levantada” - um modo de ver as coisas muito lusitano.

Até daqui a quatro anos no Brasil, numa “Copa” que terá muitas das preocupações de organização desta, mas que tem tudo para ser um suceso. Nesta final tivemos duas equipas de países monárquicos. Talvez seja coincidência, ou talvez seja reflexo do equilíbrio, segurança e investimento que se faz por terras de Espanha e Holanda. Parabéns ao Reino de Espanha!

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