Monarquia Tradicional e Absolutismo A Monarquia Tradicional teve D. Miguel I como último Rei. Por isso alguns acham que essa Monarquia Tradicional só pode ser a expressão institucional de um autoritarismo absoluto, esquecendo que esse estereótipo já nem sequer se podia aplicar ao próprio D. Miguel I, designado Rei em Cortes legítimas. Nos nossos dias a Monarquia Tradicional apoiar-se-ia na independência do Rei e na legitimidade das Cortes. Um Rei, apoiado num Conselho de Estado constituído por pessoas de elevada competência, com o poder de designar o Primeiro-Ministro fora dos contextos partidários. Umas Cortes bi-camarais, livremente eleitas em sufrágio universal em círculos uninominais, com o poder exclusivo de fazer leis. A Câmara de Deputados eleita numa base territorial (os concelhos), e a Câmara de Procuradores eleita a partir das organizações profissionais, culturais, ideológicas, de beneficência, etc. O Governo, livre de influências partidárias, poderia congregar as maiores competências, qualquer que fosse a inclinação pessoal dos ministros. Pessoas de direita, de esquerda e do centro podiam cooperar nesse quadro de competências, livres das pressões facciosas. E, ao dar o exclusivo legislativo às Cortes, obrigar-se-ia esse Governo a ouvir os legítimos representantes do povo português.
Só numa estrutura deste tipo seria possível neutralizar a oligarquia que nos governa desde 1834, devolvendo aos portugueses o governo da comunidade. Terá de ser essa a Monarquia que se pode apresentar aos portugueses como alternativa a esta república desgastada. Uma Monarquia que, no entanto, não pode existir com um Rei sem as qualidades pessoais e morais à altura da função. Só por estaMonarquia vale a pena lutar, porque só ela pode funcionar para a regeneração do nosso país.
Nuno Cardoso da Silva
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Monarquia Tradicional e Absolutismo A Monarquia Tradicional teve D. Miguel I como último Rei. Por isso alguns acham que essa Monarquia Tradicional só pode ser a expressão institucional de um autoritarismo absoluto, esquecendo que esse estereótipo já nem sequer se podia aplicar ao próprio D. Miguel I, designado Rei em Cortes legítimas. Nos nossos dias a Monarquia Tradicional apoiar-se-ia na independência do Rei e na legitimidade das Cortes. Um Rei, apoiado num Conselho de Estado constituído por pessoas de elevada competência, com o poder de designar o Primeiro-Ministro fora dos contextos partidários. Umas Cortes bi-camarais, livremente eleitas em sufrágio universal em círculos uninominais, com o poder exclusivo de fazer leis. A Câmara de Deputados eleita numa base territorial (os concelhos), e a Câmara de Procuradores eleita a partir das organizações profissionais, culturais, ideológicas, de beneficência, etc. O Governo, livre de influências partidárias, poderia congregar as maiores competências, qualquer que fosse a inclinação pessoal dos ministros. Pessoas de direita, de esquerda e do centro podiam cooperar nesse quadro de competências, livres das pressões facciosas. E, ao dar o exclusivo legislativo às Cortes, obrigar-se-ia esse Governo a ouvir os legítimos representantes do povo português.
Só numa estrutura deste tipo seria possível neutralizar a oligarquia que nos governa desde 1834, devolvendo aos portugueses o governo da comunidade. Terá de ser essa a Monarquia que se pode apresentar aos portugueses como alternativa a esta república desgastada. Uma Monarquia que, no entanto, não pode existir com um Rei sem as qualidades pessoais e morais à altura da função. Só por estaMonarquia vale a pena lutar, porque só ela pode funcionar para a regeneração do nosso país.
Nuno Cardoso da Silva