Adeus horas extras e água engarrafada, olá lâmpadas económicas e papel reciclado

14-06-2010
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Em Inglaterra os membros do Governo passaram a andar de metro, em França os gabinetes trocaram as flores naturais por arranjos artificiais. E em Portugal?

Oferecer água da torneira às visitas, poupar no papel, desligar os equipamentos eléctricos durante a noite ou não pagar horas extras são algumas medidas que alguns ministérios têm vindo a tomar para racionalizar os gastos.

O PÚBLICO questionou os gabinetes de quase todos os ministros sobre as medidas que estão a pôr em marcha além dos cortes impostos pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Uns revelam que têm guias de combate ao desperdício, outros garantem que já são "comedidos nos gastos" e na Cultura está-se a fazer um levantamento das poupanças. Na Justiça, os vários departamentos estão a fazer um inventário do que pode ser poupado. As contas finais ainda não estão feitas e têm surgido alguns sinais, como o do corte da água fresca ou a diminuição da gramagem do papel das fotocópias. Substâncias que nem sequer têm grande peso específico numa área em que há avultados gastos inevitáveis.

Há ainda os ministérios que se limitam a responder que vão cumprir as orientações do PEC e do pacote de medidas adicionais anunciado recentemente. Além do que está previsto no PEC - cortes em determinadas rubricas como comunicações, estudos, viagens ou horas extraordinárias - o gabinete da ministra da Saúde vai criar um guia de combate ao desperdício que abrangerá também os gabinetes dos secretários de Estado. Entre as medidas está a racionalização de papel, comunicações e de consumo de energia, além da substituição do consumo de água engarrafada por água da companhia. As deslocações ao estrangeiro serão reduzidas ao "estritamente necessário". Fonte oficial diz que estas medidas já estão em marcha e permitirão poupar 150 mil euros.

Também o Ministério do Ambiente tem em prática várias medidas "que associam a diminuição de custos às boas práticas ambientais". Deixou de haver água engarrafada para os membros do gabinete e para os convidados; as lâmpadas são todas de baixo consumo; usa-se papel reciclado e um tipo de letra de baixo consumo de tinta de impressão. Nas deslocações os carros híbridos passaram a ser a regra. Até ao final do ano a ministra Dulce Pássaro conta poupar acima de 25 mil euros.

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Na Economia, os gabinetes de Vieira da Silva e dos secretários de Estado asseguram que já poupam ao máximo e que, entre outras medidas, já não pagam horas extraordinárias. Os planos de contenção para este ano encaixam nas medidas de "disciplina orçamental" aplicadas nos últimos anos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiro (MNE), disse ao PÚBLICO Paula Mascarenhas, assessora de imprensa de Luís Amado. No MNE continua em marcha a desmaterialização dos processos, a actualização dos sistemas de comunicações, privilegiando a utilização dos meios electrónicos, e a modernização dos sistemas de circulação de informação. No gabinete de Gabriela Canavilhas "já foi feito o levantamento do que se pode cortar", além das poupanças energéticas em curso, mas a Cultura preferiu não desvendar o que irá fazer.

Nas Obras Públicas não há medidas a anunciar. Uma porta-voz de António Mendonça respondeu ao repto do PÚBLICO afirmando que "o ministério é, por princípio, racional e comedido nos seus gastos, respeita as leis e outras directrizes em vigor". Por isso, acrescenta, "se o MOPTC tiver alguma medida a anunciar, anuncia-o quando considerar mais conveniente". Tanto na Educação como na Ciência e Ensino Superior, os gabinetes apenas responderam que eventuais medidas de contenção adicionais "serão divulgadas oportunamente". Na Agricultura, os cortes vão limitar-se aos que foram impostos pelo PEC e pelo decreto-lei de execução orçamental. Posição idêntica foi assumida pelo Ministério das Finanças.

O PÚBLICO questionou, por correio electrónico, na passada terça-feira, a Presidência do Conselho de Ministros (que engloba também o gabinete do primeiro-ministro e o gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares ) sobre os planos adicionais de redução de despesas, mas, até ao fecho desta edição, não obteve resposta. A Defesa e o Trabalho também não responderam. com A.A.M./A.C./A.F./B.W./C.V./L.F./L.P./M.J.O./R.G./V.R.

Em Inglaterra os membros do Governo passaram a andar de metro, em França os gabinetes trocaram as flores naturais por arranjos artificiais. E em Portugal?

Oferecer água da torneira às visitas, poupar no papel, desligar os equipamentos eléctricos durante a noite ou não pagar horas extras são algumas medidas que alguns ministérios têm vindo a tomar para racionalizar os gastos.

O PÚBLICO questionou os gabinetes de quase todos os ministros sobre as medidas que estão a pôr em marcha além dos cortes impostos pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). Uns revelam que têm guias de combate ao desperdício, outros garantem que já são "comedidos nos gastos" e na Cultura está-se a fazer um levantamento das poupanças. Na Justiça, os vários departamentos estão a fazer um inventário do que pode ser poupado. As contas finais ainda não estão feitas e têm surgido alguns sinais, como o do corte da água fresca ou a diminuição da gramagem do papel das fotocópias. Substâncias que nem sequer têm grande peso específico numa área em que há avultados gastos inevitáveis.

Há ainda os ministérios que se limitam a responder que vão cumprir as orientações do PEC e do pacote de medidas adicionais anunciado recentemente. Além do que está previsto no PEC - cortes em determinadas rubricas como comunicações, estudos, viagens ou horas extraordinárias - o gabinete da ministra da Saúde vai criar um guia de combate ao desperdício que abrangerá também os gabinetes dos secretários de Estado. Entre as medidas está a racionalização de papel, comunicações e de consumo de energia, além da substituição do consumo de água engarrafada por água da companhia. As deslocações ao estrangeiro serão reduzidas ao "estritamente necessário". Fonte oficial diz que estas medidas já estão em marcha e permitirão poupar 150 mil euros.

Também o Ministério do Ambiente tem em prática várias medidas "que associam a diminuição de custos às boas práticas ambientais". Deixou de haver água engarrafada para os membros do gabinete e para os convidados; as lâmpadas são todas de baixo consumo; usa-se papel reciclado e um tipo de letra de baixo consumo de tinta de impressão. Nas deslocações os carros híbridos passaram a ser a regra. Até ao final do ano a ministra Dulce Pássaro conta poupar acima de 25 mil euros.

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Na Economia, os gabinetes de Vieira da Silva e dos secretários de Estado asseguram que já poupam ao máximo e que, entre outras medidas, já não pagam horas extraordinárias. Os planos de contenção para este ano encaixam nas medidas de "disciplina orçamental" aplicadas nos últimos anos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiro (MNE), disse ao PÚBLICO Paula Mascarenhas, assessora de imprensa de Luís Amado. No MNE continua em marcha a desmaterialização dos processos, a actualização dos sistemas de comunicações, privilegiando a utilização dos meios electrónicos, e a modernização dos sistemas de circulação de informação. No gabinete de Gabriela Canavilhas "já foi feito o levantamento do que se pode cortar", além das poupanças energéticas em curso, mas a Cultura preferiu não desvendar o que irá fazer.

Nas Obras Públicas não há medidas a anunciar. Uma porta-voz de António Mendonça respondeu ao repto do PÚBLICO afirmando que "o ministério é, por princípio, racional e comedido nos seus gastos, respeita as leis e outras directrizes em vigor". Por isso, acrescenta, "se o MOPTC tiver alguma medida a anunciar, anuncia-o quando considerar mais conveniente". Tanto na Educação como na Ciência e Ensino Superior, os gabinetes apenas responderam que eventuais medidas de contenção adicionais "serão divulgadas oportunamente". Na Agricultura, os cortes vão limitar-se aos que foram impostos pelo PEC e pelo decreto-lei de execução orçamental. Posição idêntica foi assumida pelo Ministério das Finanças.

O PÚBLICO questionou, por correio electrónico, na passada terça-feira, a Presidência do Conselho de Ministros (que engloba também o gabinete do primeiro-ministro e o gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares ) sobre os planos adicionais de redução de despesas, mas, até ao fecho desta edição, não obteve resposta. A Defesa e o Trabalho também não responderam. com A.A.M./A.C./A.F./B.W./C.V./L.F./L.P./M.J.O./R.G./V.R.

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