“É entrar senhoras e senhores! Temos declarações bombásticas! " - diziam com sorrisos prometendo escândalo.*Pensámos todos que, além do Sr. Primeiro - mais conhecido por futuro-ex-talvez-engenheiro - mais de metade da população portuguesa de políticos colocados ou por colocar na praça, não tinha habilitações legais! Era-nos quase garantido que exibiam diplomas de tal modo forjados e inconsequentes, que não passariam à lupa gordurosa do mais desatento investigador da judiciária do Burkina Fasso. Tudo a pratos limpos, daqui a nada às 20.00, em directo. Caramba!Mas afinal não. Depois de um adiamento suspeitíssimo, vem a esponja desculpabilizadora, na pessoa de uma criatura balbuciante e trapalhona, um pseudo alto responsável, figura afinal sem dotes, nem para explicar porque é que o autocarro se atrasou na paragem do meu bairro. Um rosto de dignidades perdidas e sem nome, um mais que evidente permutar de mão, um estilo deixem-nos viver que nós também. Um baralhamento total, uma incapacidade explicativa, uma impreparação arrepiante, uma oral ao nível da outra – a tal de que ninguém sabe a pauta, nem onde se realizou, e, se existiu, foi decerto em casa do Reitor, em amena cavaqueira, entre dois gins. O país de opereta Buffa, no seu melhor pior…Mas vejamos.Os exames agora são ao domingo em casa do Reitor, acompanhados de um bilhetinho a relembrar que “olhe que sou eu, o tal fulano importante, veja lá se percebeu”!? E considera-se automaticamente aprovado? Agora é assim?!Um bacharelato no meu tempo só dava acesso a Licenciatura com mais dois anos de estudos. Mas será que agora com cinco-cadeiras-cinco e um só Professor tudo se resolve?! Ah! Mais um papelinho feito em casa, tipo “veja lá duas paginazinhas chega?” enviado por correio? Isto agora é assim?Fazem-se sem cuidado nem pudor biografias oficiais com currículos apócrifos - ou antecipados, já nem sei…- tal é a baralhada? Agora é assim?!O referido professor foi em seguida repetidamente nomeado para cargos de governo e ninguém sabia de nada? Como?A pauta de um exame pode não ter nota final, nem data da sua realização? Não há actas de exame de nada?! Agora é assim?!Esclareçam-me, por favor. Isto deve andar tudo muito mudado! Apesar de tudo, ainda fui professor 23 anos, sei do que falo.O que nos dizem e informam, arrepia-me. Arrepia qualquer pessoa que saiba minimamente o que é tirar um Curso superior e ter uma carreira académica séria.“Nós prometemos revelações escandalosas”, diziam eles. Mas isso era antes do circo da mentira descer à cidade. O que apareceu foi nebuloso, ridículo, a chamar-nos a todos atrasados mentais. Nunca ninguém tinha visto uma conferência de imprensa assim, tão sem verdade, nem jeito, nem tão mal disfarçada. A coisa estava pessimamente aprendida. A conferência de imprensa afinal, era um apressado elogio pegado e sem nexo, de tipo bajulador e untuoso ao Sr. Primeiro, sempre argumentando que não havia meios de ninguém poder saber nada. Quando nada se sabe, nem se vai ser capaz de nada acrescentar, não se dão conferências de imprensa. O pobre quadro executivo, que de lente pouco teria, só pode ser excessivamente pago, para tão fraca substância retórica, tão pouca convicção, tão nítida atrapalhação. O Sr. Ermelindo da pastelaria, que é gago de nascença, não faria pior. Confuso, a nada satisfez. Nem discurso, nem talento, que é uma coisa que faz imensa falta, até para mentir.A montanha, afinal, paria um rato. Um ratinho de peluche. Manso.Não basta dizer à exaustão que “isso não sabemos, esses elementos não podemos dispor”. Isso é impensável. Se essa Universidade é competente, então tem de ter os meios para provar os exames que faz, as pautas respectivas, o mapa de frequências, as notas que foram dadas, as datas respectivas, as actas, etc. Não façam de todos nós imbecis que nada percebemos. Não me custa ser governado por um promitente ex-futuro agente técnico adaptado. Podia até ser torneiro mecânico. Foi eleito e tem maioria. O Presidente do Brasil tem, ao que creio, instrução primária e pouco mais. Foi eleito; ganhou. O mesmo neste caso aqui se pode argumentar. É Primeiro por mérito próprio e voto na urna.Mas é feio descobrir que as coisas funcionam assim. É imensamente feio. Para todos os pais que lutam com esforço para pagar estudos, roubando ao orçamento familiar, em endividamentos que roubam pão à sua mesa e horas ao seu sono. Porque andar na faculdade custa tempo, dinheiro e estudo a todas as pessoas normais. Como então perceber favorecimentos às que menos precisam de favores? Aos eleitos da Nação!O nosso futuro-ex-afinal-talvez-engenheiro clamou ainda - na sua bem encenada entrevista - inocência e falta de lóbis, porque na altura era apenas um “pobre deputado da oposição"!!!Olhe, Sr. Ex-futuro-afinal-talvez: - eu nunca fui sequer deputado. Logo, tive de fazer o antigo sétimo ano, admissão à faculdade, mais cinco aninhos a marrar, ir às aulas, fazer estágio de um ano, defender Relatório final de curso e tese original. A minha tinha 247 páginas, por acaso ainda me lembro. Para não falar em estudos posteriores, que já foram a meu gosto, escolha minha, não quero, pois, cansá-lo. Uma vida.Ninguém me deu equivalências fáceis. Nunca ninguém me juntou nenhum bacharelato com mais cinco cadeiras e me ofereceu uma Licenciatura de bónus. Nunca adicionei nenhum bilhetinho de Secretário de Estado a qualquer exame, nem me fizeram exames de favor, pelo correio. Tive de assistir às aulas, tive de fazer provas escritas, orais e práticas. Custou-me tudo isso tempo, estudo, saber, esforço e muito dinheiro. Já era casado. Já era pai, sabe? Tinha por vezes noites perdidas; trabalhava de tarde e de noite; e, quantas vezes, ia para as aulas com sono, esgotado, quase a cair. Mas ia. Tinha de ser. E esta é apenas uma história entre milhões. Porém, ao que parece, não é assim para todos. E isso é feio. Muito feio.Mas hoje, se faz favor, Exmo. Senhor (ex futuro afinal parece que talvez nunca se sabe), quando me vir, trate-me por Professor. Posso não ter ar disso, mas sou. Isso sei que sou. Tenha respeito.E outra coisinha: - por favor nunca assine projectos de pontes. Nunca faça estradas, viadutos ou simples telheiros no quintal. Podiam cair. Tem acontecido demais por cá. Se calhar, se fôssemos bem a saber, percebia-se porquê…PB, licenciadoEtiquetas: PB
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“É entrar senhoras e senhores! Temos declarações bombásticas! " - diziam com sorrisos prometendo escândalo.*Pensámos todos que, além do Sr. Primeiro - mais conhecido por futuro-ex-talvez-engenheiro - mais de metade da população portuguesa de políticos colocados ou por colocar na praça, não tinha habilitações legais! Era-nos quase garantido que exibiam diplomas de tal modo forjados e inconsequentes, que não passariam à lupa gordurosa do mais desatento investigador da judiciária do Burkina Fasso. Tudo a pratos limpos, daqui a nada às 20.00, em directo. Caramba!Mas afinal não. Depois de um adiamento suspeitíssimo, vem a esponja desculpabilizadora, na pessoa de uma criatura balbuciante e trapalhona, um pseudo alto responsável, figura afinal sem dotes, nem para explicar porque é que o autocarro se atrasou na paragem do meu bairro. Um rosto de dignidades perdidas e sem nome, um mais que evidente permutar de mão, um estilo deixem-nos viver que nós também. Um baralhamento total, uma incapacidade explicativa, uma impreparação arrepiante, uma oral ao nível da outra – a tal de que ninguém sabe a pauta, nem onde se realizou, e, se existiu, foi decerto em casa do Reitor, em amena cavaqueira, entre dois gins. O país de opereta Buffa, no seu melhor pior…Mas vejamos.Os exames agora são ao domingo em casa do Reitor, acompanhados de um bilhetinho a relembrar que “olhe que sou eu, o tal fulano importante, veja lá se percebeu”!? E considera-se automaticamente aprovado? Agora é assim?!Um bacharelato no meu tempo só dava acesso a Licenciatura com mais dois anos de estudos. Mas será que agora com cinco-cadeiras-cinco e um só Professor tudo se resolve?! Ah! Mais um papelinho feito em casa, tipo “veja lá duas paginazinhas chega?” enviado por correio? Isto agora é assim?Fazem-se sem cuidado nem pudor biografias oficiais com currículos apócrifos - ou antecipados, já nem sei…- tal é a baralhada? Agora é assim?!O referido professor foi em seguida repetidamente nomeado para cargos de governo e ninguém sabia de nada? Como?A pauta de um exame pode não ter nota final, nem data da sua realização? Não há actas de exame de nada?! Agora é assim?!Esclareçam-me, por favor. Isto deve andar tudo muito mudado! Apesar de tudo, ainda fui professor 23 anos, sei do que falo.O que nos dizem e informam, arrepia-me. Arrepia qualquer pessoa que saiba minimamente o que é tirar um Curso superior e ter uma carreira académica séria.“Nós prometemos revelações escandalosas”, diziam eles. Mas isso era antes do circo da mentira descer à cidade. O que apareceu foi nebuloso, ridículo, a chamar-nos a todos atrasados mentais. Nunca ninguém tinha visto uma conferência de imprensa assim, tão sem verdade, nem jeito, nem tão mal disfarçada. A coisa estava pessimamente aprendida. A conferência de imprensa afinal, era um apressado elogio pegado e sem nexo, de tipo bajulador e untuoso ao Sr. Primeiro, sempre argumentando que não havia meios de ninguém poder saber nada. Quando nada se sabe, nem se vai ser capaz de nada acrescentar, não se dão conferências de imprensa. O pobre quadro executivo, que de lente pouco teria, só pode ser excessivamente pago, para tão fraca substância retórica, tão pouca convicção, tão nítida atrapalhação. O Sr. Ermelindo da pastelaria, que é gago de nascença, não faria pior. Confuso, a nada satisfez. Nem discurso, nem talento, que é uma coisa que faz imensa falta, até para mentir.A montanha, afinal, paria um rato. Um ratinho de peluche. Manso.Não basta dizer à exaustão que “isso não sabemos, esses elementos não podemos dispor”. Isso é impensável. Se essa Universidade é competente, então tem de ter os meios para provar os exames que faz, as pautas respectivas, o mapa de frequências, as notas que foram dadas, as datas respectivas, as actas, etc. Não façam de todos nós imbecis que nada percebemos. Não me custa ser governado por um promitente ex-futuro agente técnico adaptado. Podia até ser torneiro mecânico. Foi eleito e tem maioria. O Presidente do Brasil tem, ao que creio, instrução primária e pouco mais. Foi eleito; ganhou. O mesmo neste caso aqui se pode argumentar. É Primeiro por mérito próprio e voto na urna.Mas é feio descobrir que as coisas funcionam assim. É imensamente feio. Para todos os pais que lutam com esforço para pagar estudos, roubando ao orçamento familiar, em endividamentos que roubam pão à sua mesa e horas ao seu sono. Porque andar na faculdade custa tempo, dinheiro e estudo a todas as pessoas normais. Como então perceber favorecimentos às que menos precisam de favores? Aos eleitos da Nação!O nosso futuro-ex-afinal-talvez-engenheiro clamou ainda - na sua bem encenada entrevista - inocência e falta de lóbis, porque na altura era apenas um “pobre deputado da oposição"!!!Olhe, Sr. Ex-futuro-afinal-talvez: - eu nunca fui sequer deputado. Logo, tive de fazer o antigo sétimo ano, admissão à faculdade, mais cinco aninhos a marrar, ir às aulas, fazer estágio de um ano, defender Relatório final de curso e tese original. A minha tinha 247 páginas, por acaso ainda me lembro. Para não falar em estudos posteriores, que já foram a meu gosto, escolha minha, não quero, pois, cansá-lo. Uma vida.Ninguém me deu equivalências fáceis. Nunca ninguém me juntou nenhum bacharelato com mais cinco cadeiras e me ofereceu uma Licenciatura de bónus. Nunca adicionei nenhum bilhetinho de Secretário de Estado a qualquer exame, nem me fizeram exames de favor, pelo correio. Tive de assistir às aulas, tive de fazer provas escritas, orais e práticas. Custou-me tudo isso tempo, estudo, saber, esforço e muito dinheiro. Já era casado. Já era pai, sabe? Tinha por vezes noites perdidas; trabalhava de tarde e de noite; e, quantas vezes, ia para as aulas com sono, esgotado, quase a cair. Mas ia. Tinha de ser. E esta é apenas uma história entre milhões. Porém, ao que parece, não é assim para todos. E isso é feio. Muito feio.Mas hoje, se faz favor, Exmo. Senhor (ex futuro afinal parece que talvez nunca se sabe), quando me vir, trate-me por Professor. Posso não ter ar disso, mas sou. Isso sei que sou. Tenha respeito.E outra coisinha: - por favor nunca assine projectos de pontes. Nunca faça estradas, viadutos ou simples telheiros no quintal. Podiam cair. Tem acontecido demais por cá. Se calhar, se fôssemos bem a saber, percebia-se porquê…PB, licenciadoEtiquetas: PB