Da Literatura: LER OS OUTROS

18-12-2009
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Ler aqui a entrevista do Zé Pedro.Ana Paula Fitas: «O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. [...] Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro [...] Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. [...]»Ana Vidigal: «Golfe (approach)»Carlos Manuel Castro: «[...] No Reino Unido, a oposição, com mais objectividade, acusa o Governo de fazer pouco em matéria de TGV. Tendo, também, em consideração o panorama europeu. Do qual nenhum país, seja membro ou não da UE, se pode dissociar. Cá, a oposição não quer o TGV. [...]»Carlos Santos: «Uma das marcas do programa do PSD, que o permite qualificar como proveniente de uma certa direita conservadora e atávica, está na forma e nos termos como é equacionado o problema da segurança. Merece particular destaque o espantoso enunciado da primeira medida proposta: “Assumiremos a actuação policial, nas suas vertentes preventiva e repressiva, sem qualquer tipo de inibição, a não ser as que decorrem directamente da lei.” [...] e isto é uma promessa eleitoral, a que as forças de segurança CUMPRAM A LEI! O que será seguramente das promessas mais originais da História da Democracia: cumprir aquilo a que estão obrigadas. / Não fique o leitor surpreso, afinal foi nos tempos dos Governos Barroso-Lopes, que se produziram os célebres casos de agressão policial a Leonor Cipriano (2004) e Albino Libânio (2003). Ambos mencionados recentemente no Relatório da Amnistia Internacional relativamente a Portugal. [...]»Eduardo Graça: «Há pressões em todo o lado, em todo o tempo e em qualquer lugar, função ou desempenho, público ou privado, íntimo ou social, o que há mais é pressão, desde a imperial ao café, desde o desempregado ao executivo de topo, dos alvores da manhã às profundidades da noite. Toda a gente faz pressão sobre toda a gente. Equipa que não pressione não ganha. Veja-se a diferença entre o FC Porto de (quase) todos os dias e os seus rivais de sempre. Assim que se adivinha que o adversário vai receber a bola já lá está quem lhe trave o passo. É assim na vida comum e na vida política. [...]»Guilherme Waldemar Oliveira Martins: «Procederemos, também, a uma reanálise de medidas potencialmente ofensivas de direitos dos contribuintes tomadas nos últimos tempos.» / Que significará isto? A reanálise das medidas potencialmente ofensivas pressupõe novas medidas individuais e concretas?»Hugo Costa: «Li o programa do PSD. Uma desilusão total. Anteriormente estávamos no rasgar. Agora passámos ao suspender tudo. [...]»Hugo Mendes: «Em meados dos anos 80, Robert Solow disse algo que ficou conhecido como o paradoxo de Solow: «os computadores estão em todo o lado excepto nas estatísticas de produtividade». Pois bem, foi preciso esperar mais de uma década para que as empresas adaptassem a sua lógica organizacional e a gestão dos seus recursos humanos ao potencial oferecido pela tecnológicas da informação, de forma a extrair delas benefícios. [...] Lembro-me sempre do paradoxo de Solow quando ouço dizer que os computadores, e em particular os Magalhães, não “servem para nada” (na sala de aula e não só). Pois, se calhar não servem porque a sua introdução é muitíssimo recente [...] Ora, se quando queremos que os putos joguem bem à bola, os pomos a treinar bem cedo; e se quando queremos que eles toquem bem piano, lhes pagamos lições quando são bem pequenos, não é óbvio que se queremos que eles usem, na sua vida profissional futura, os computadores com naturalidade e eficácia, lhes demos um portátil, de modo que este faça parte integrante dos primeiros passos da sua aprendizagem?»Irene Pimentel: «Claro que jamais utilizaria a História para comparações abusivas com a realidade actual. Sou atenta ao contexto. / Se o fizesse, vir-me-ia logo à cabeça a forma como o Partido Comunista Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder, ao erigir os sociais-democratas como «sociais fascistas». Claro que, ao ser criado o primeiro campo de concentração em Dachau, foram lá encarcerados tanto sociais-democratas como comunistas, mas o mal já estava feito. [...] E se eu dissesse tal tremendo disparate, ou estaria a ser oportunista (o que esforço por não ser) ou a padecer de grave anacronismo (o que é grave numa historiadora). Além disso, se eu estivesse a dizer esse tremendo disparate, estaria a ter a mesma atitude dos que eu critico: aqueles que dizem que vivemos num período de “asfixia democrática” e os que chamam “fascista” a tudo (sem saber o significado da palavra e do conceito), mas que, quando o «perigo fascista» se aproxima, não sabem detectá-lo. [...]»José Reis Santos: «É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante. / Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS “de Sócrates”, e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só “deste PS” que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for? [...]»João Coisas: «Mal d’IVAs»João Constâncio: «No texto A arte de ter sempre razão, Schopenhauer faz uma distinção bastante interessante. Uma coisa é argumentar ad hominem, outra é argumentar ad personam. A primeira consiste em partir das proposições aceites pelo oponente e procurar demonstrar que estão em contradição com outras proposições que ele já concedeu, ou que têm consequências absurdas, ou que são desmentidas por um exemplum in contrarium, ou que simplesmente não são prova do que ele pretende provar. Isso é diferente de argumentar ad rem, ou seja, de procurar a verdade sobre um dado tema independentemente das concessões do oponente com quem se discute. Mas argumentar ad personam é ainda outra coisa diferente: neste caso, trata-se de renunciar a todo o tipo de argumentação racional (mesmo que sofística) e atacar simplesmente a pessoa que se pretende levar de vencida. [...]»João Galamba: «[...] Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.»João Paulo Pedrosa: «No programa do PSD o grande suporte das propostas de redução da receita fiscal é o despedimento de 200 mil funcionários públicos. Dito por outras palavras, acabar com os serviços públicos de saúde, educação e prestações sociais e substitui-los por agentes privados e outsourcing. [...]»João Pinto e Castro: «Interrogado pelo Jornal de Negócios sobre qual a medida mais urgente para combater a crise se assumisse a liderança do governo, Louçã respondeu: “A primeira prioridade, porque são precisas medidas de injecção de actividade económica, seria um plano de reabilitação urbana dirigido a uma parte das 500 mil casas que estão desocupadas. Isso envolveria cerca de 2.500 milhões de euros de gastos públicos, 1,5% do produto.” / Adoro o rigor da proposta. “Uma parte das 500 mil casas” quantas casas será? Se fossem mesmo 500 mil, o “plano” corresponderia a gastar não mais que 5 mil euros por casa, o que daria para pouco mais que pintar as paredes e mudar as lâmpadas./ Logo, não serão decerto 500 mil casas. De quantas estaremos então a falar: 400, 200, 50 mil? Só Deus sabe. [...]»Leonel Moura: «O Bloco de Esquerda vai recolhendo algumas vantagens com a velha receita reaccionária das posições contra a política e os políticos. [...] O Bloco ilude-se com o seu sucesso conjuntural. Mas, na verdade, e vendo bem o efectivo apoio social que tem, trata-se de um fenómeno semelhante ao PRD. Vai esfumar-se ao primeiro abanão da pequena história. De momento, presta-se para já ao sujo serviço de tudo fazer para que o PSD regresse ao poder.»Mariana Vieira da Silva: «Depois de lido o Programa e ouvido o discurso de Manuela Ferreira Leite podemos concluir: o PSD não quer ser Governo e Manuela Ferreira Leite não quer ser Primeira-Ministra. A candidatura do PSD, com aquele Programa, parece ser uma candidatura a um Gabinete de Estudos. [...]»Miguel Abrantes: «Com pompa e circunstância, Sarkozy deu posse a uma comissão presidida por Michel Rocard e Alan Juppé, dois ex-primeiros-ministros, com o objectivo de identificar as áreas prioritárias que serão financiadas por um empréstimo contraído pelo Estado francês. Apesar de se estimar que o défice francês atinja 7,5 por cento do PIB no final do ano, Sarkozy teve o cuidado de alertar Rocard e Juppé para o seguinte: “Eu não restringirei a liberdade da vossa reflexão a um quadro orçamental preciso. O montante do empréstimo nacional dependerá das necessidades que vós ireis identificar e da capacidade de endividamento que nós tivermos”. [...] E não deixa de reivindicar uma política industrial pilotada pelo Estado, com base em grandes investimentos públicos. Compare-se esta visão do futuro com o programa eleitoral do PSD que será hoje apresentado pela Dr.ª Manuela.»Miguel Vale de Almeida: «Para quem ainda acha que “é tudo a mesma coisa”, gostava que me dissessem que teria o PSD feito [...] em relação a questões de género como a IVG, a paridade, a violência doméstica, ou o divórcio, entre outras? [...]»Palmira F. Silva: «[...] Mesmo assim, acho exagerado o optimismo com que se assume uma alteração radical dos comportamentos privados a nível da energia e da eficiência energética. Em particular se pensarmos que, a 31 de Dezembro de 2003, esta confiança absoluta na bondade das empresas privadas por parte do governo de Barroso e Ferreira Leite se traduziu na Portaria nº 1423-F/2003, que liberalizava os preços dos combustíveis com as consequências que todos sabemos e sentimos no bolso. Aparentemente esta bondade privada só é válida quando o PSD é governo porque todos também recordamos a estridência com que há bem pouco tempo o PSD acusava o governo de não “controlar” esses mesmos preços que o PSD liberalizou. [...]»Porfírio Silva: «O homem que pensava que Os Lusíadas tinha nove cantos queria aproveitar estas férias para ler o décimo. Em vez disso tem passado os dias a vasculhar no jipe. Compreende-se que esteja zangado.»Rogério da Costa Pereira: «[...] Devo trabalhar em comarcas de excepção [...] porque só esta semana — e aqui também ainda é Agosto — já consultei e fotocopiei processos em duas comarcas diferentes; recebi, só hoje, três notificações de duas comarcas distintas, as quais vinham acompanhadas dos respectivos despachos. E, veja lá, um dos despachos até ordenava a realização de uma perícia – e nada impediria o laboratório solicitado de a realizar durante o mês de Agosto. [...]»Rui Herbon: «[...] Miguel Frasquilho, a propósito do crescimento de 0,3% do PIB: Portugal “anda à boleia da economia europeia.” Como país pequeno e periférico, andaremos sempre à boleia, mas preferiria Frasquilho que fosse do Burkina Faso, sem desprimor para o país da África Ocidental? [...]»Sofia Loureiro dos Santos: «Descubra as diferenças».Tiago Julião: «[...] Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. [...] Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. [...]»Vera Santana: «[...] Um silêncio não é não comunicação mas sim comunicar que se não quer comunicar. [...]»Etiquetas: Legislativas 2009, SIMplex

Ler aqui a entrevista do Zé Pedro.Ana Paula Fitas: «O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. [...] Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro [...] Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. [...]»Ana Vidigal: «Golfe (approach)»Carlos Manuel Castro: «[...] No Reino Unido, a oposição, com mais objectividade, acusa o Governo de fazer pouco em matéria de TGV. Tendo, também, em consideração o panorama europeu. Do qual nenhum país, seja membro ou não da UE, se pode dissociar. Cá, a oposição não quer o TGV. [...]»Carlos Santos: «Uma das marcas do programa do PSD, que o permite qualificar como proveniente de uma certa direita conservadora e atávica, está na forma e nos termos como é equacionado o problema da segurança. Merece particular destaque o espantoso enunciado da primeira medida proposta: “Assumiremos a actuação policial, nas suas vertentes preventiva e repressiva, sem qualquer tipo de inibição, a não ser as que decorrem directamente da lei.” [...] e isto é uma promessa eleitoral, a que as forças de segurança CUMPRAM A LEI! O que será seguramente das promessas mais originais da História da Democracia: cumprir aquilo a que estão obrigadas. / Não fique o leitor surpreso, afinal foi nos tempos dos Governos Barroso-Lopes, que se produziram os célebres casos de agressão policial a Leonor Cipriano (2004) e Albino Libânio (2003). Ambos mencionados recentemente no Relatório da Amnistia Internacional relativamente a Portugal. [...]»Eduardo Graça: «Há pressões em todo o lado, em todo o tempo e em qualquer lugar, função ou desempenho, público ou privado, íntimo ou social, o que há mais é pressão, desde a imperial ao café, desde o desempregado ao executivo de topo, dos alvores da manhã às profundidades da noite. Toda a gente faz pressão sobre toda a gente. Equipa que não pressione não ganha. Veja-se a diferença entre o FC Porto de (quase) todos os dias e os seus rivais de sempre. Assim que se adivinha que o adversário vai receber a bola já lá está quem lhe trave o passo. É assim na vida comum e na vida política. [...]»Guilherme Waldemar Oliveira Martins: «Procederemos, também, a uma reanálise de medidas potencialmente ofensivas de direitos dos contribuintes tomadas nos últimos tempos.» / Que significará isto? A reanálise das medidas potencialmente ofensivas pressupõe novas medidas individuais e concretas?»Hugo Costa: «Li o programa do PSD. Uma desilusão total. Anteriormente estávamos no rasgar. Agora passámos ao suspender tudo. [...]»Hugo Mendes: «Em meados dos anos 80, Robert Solow disse algo que ficou conhecido como o paradoxo de Solow: «os computadores estão em todo o lado excepto nas estatísticas de produtividade». Pois bem, foi preciso esperar mais de uma década para que as empresas adaptassem a sua lógica organizacional e a gestão dos seus recursos humanos ao potencial oferecido pela tecnológicas da informação, de forma a extrair delas benefícios. [...] Lembro-me sempre do paradoxo de Solow quando ouço dizer que os computadores, e em particular os Magalhães, não “servem para nada” (na sala de aula e não só). Pois, se calhar não servem porque a sua introdução é muitíssimo recente [...] Ora, se quando queremos que os putos joguem bem à bola, os pomos a treinar bem cedo; e se quando queremos que eles toquem bem piano, lhes pagamos lições quando são bem pequenos, não é óbvio que se queremos que eles usem, na sua vida profissional futura, os computadores com naturalidade e eficácia, lhes demos um portátil, de modo que este faça parte integrante dos primeiros passos da sua aprendizagem?»Irene Pimentel: «Claro que jamais utilizaria a História para comparações abusivas com a realidade actual. Sou atenta ao contexto. / Se o fizesse, vir-me-ia logo à cabeça a forma como o Partido Comunista Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder, ao erigir os sociais-democratas como «sociais fascistas». Claro que, ao ser criado o primeiro campo de concentração em Dachau, foram lá encarcerados tanto sociais-democratas como comunistas, mas o mal já estava feito. [...] E se eu dissesse tal tremendo disparate, ou estaria a ser oportunista (o que esforço por não ser) ou a padecer de grave anacronismo (o que é grave numa historiadora). Além disso, se eu estivesse a dizer esse tremendo disparate, estaria a ter a mesma atitude dos que eu critico: aqueles que dizem que vivemos num período de “asfixia democrática” e os que chamam “fascista” a tudo (sem saber o significado da palavra e do conceito), mas que, quando o «perigo fascista» se aproxima, não sabem detectá-lo. [...]»José Reis Santos: «É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante. / Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS “de Sócrates”, e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só “deste PS” que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for? [...]»João Coisas: «Mal d’IVAs»João Constâncio: «No texto A arte de ter sempre razão, Schopenhauer faz uma distinção bastante interessante. Uma coisa é argumentar ad hominem, outra é argumentar ad personam. A primeira consiste em partir das proposições aceites pelo oponente e procurar demonstrar que estão em contradição com outras proposições que ele já concedeu, ou que têm consequências absurdas, ou que são desmentidas por um exemplum in contrarium, ou que simplesmente não são prova do que ele pretende provar. Isso é diferente de argumentar ad rem, ou seja, de procurar a verdade sobre um dado tema independentemente das concessões do oponente com quem se discute. Mas argumentar ad personam é ainda outra coisa diferente: neste caso, trata-se de renunciar a todo o tipo de argumentação racional (mesmo que sofística) e atacar simplesmente a pessoa que se pretende levar de vencida. [...]»João Galamba: «[...] Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.»João Paulo Pedrosa: «No programa do PSD o grande suporte das propostas de redução da receita fiscal é o despedimento de 200 mil funcionários públicos. Dito por outras palavras, acabar com os serviços públicos de saúde, educação e prestações sociais e substitui-los por agentes privados e outsourcing. [...]»João Pinto e Castro: «Interrogado pelo Jornal de Negócios sobre qual a medida mais urgente para combater a crise se assumisse a liderança do governo, Louçã respondeu: “A primeira prioridade, porque são precisas medidas de injecção de actividade económica, seria um plano de reabilitação urbana dirigido a uma parte das 500 mil casas que estão desocupadas. Isso envolveria cerca de 2.500 milhões de euros de gastos públicos, 1,5% do produto.” / Adoro o rigor da proposta. “Uma parte das 500 mil casas” quantas casas será? Se fossem mesmo 500 mil, o “plano” corresponderia a gastar não mais que 5 mil euros por casa, o que daria para pouco mais que pintar as paredes e mudar as lâmpadas./ Logo, não serão decerto 500 mil casas. De quantas estaremos então a falar: 400, 200, 50 mil? Só Deus sabe. [...]»Leonel Moura: «O Bloco de Esquerda vai recolhendo algumas vantagens com a velha receita reaccionária das posições contra a política e os políticos. [...] O Bloco ilude-se com o seu sucesso conjuntural. Mas, na verdade, e vendo bem o efectivo apoio social que tem, trata-se de um fenómeno semelhante ao PRD. Vai esfumar-se ao primeiro abanão da pequena história. De momento, presta-se para já ao sujo serviço de tudo fazer para que o PSD regresse ao poder.»Mariana Vieira da Silva: «Depois de lido o Programa e ouvido o discurso de Manuela Ferreira Leite podemos concluir: o PSD não quer ser Governo e Manuela Ferreira Leite não quer ser Primeira-Ministra. A candidatura do PSD, com aquele Programa, parece ser uma candidatura a um Gabinete de Estudos. [...]»Miguel Abrantes: «Com pompa e circunstância, Sarkozy deu posse a uma comissão presidida por Michel Rocard e Alan Juppé, dois ex-primeiros-ministros, com o objectivo de identificar as áreas prioritárias que serão financiadas por um empréstimo contraído pelo Estado francês. Apesar de se estimar que o défice francês atinja 7,5 por cento do PIB no final do ano, Sarkozy teve o cuidado de alertar Rocard e Juppé para o seguinte: “Eu não restringirei a liberdade da vossa reflexão a um quadro orçamental preciso. O montante do empréstimo nacional dependerá das necessidades que vós ireis identificar e da capacidade de endividamento que nós tivermos”. [...] E não deixa de reivindicar uma política industrial pilotada pelo Estado, com base em grandes investimentos públicos. Compare-se esta visão do futuro com o programa eleitoral do PSD que será hoje apresentado pela Dr.ª Manuela.»Miguel Vale de Almeida: «Para quem ainda acha que “é tudo a mesma coisa”, gostava que me dissessem que teria o PSD feito [...] em relação a questões de género como a IVG, a paridade, a violência doméstica, ou o divórcio, entre outras? [...]»Palmira F. Silva: «[...] Mesmo assim, acho exagerado o optimismo com que se assume uma alteração radical dos comportamentos privados a nível da energia e da eficiência energética. Em particular se pensarmos que, a 31 de Dezembro de 2003, esta confiança absoluta na bondade das empresas privadas por parte do governo de Barroso e Ferreira Leite se traduziu na Portaria nº 1423-F/2003, que liberalizava os preços dos combustíveis com as consequências que todos sabemos e sentimos no bolso. Aparentemente esta bondade privada só é válida quando o PSD é governo porque todos também recordamos a estridência com que há bem pouco tempo o PSD acusava o governo de não “controlar” esses mesmos preços que o PSD liberalizou. [...]»Porfírio Silva: «O homem que pensava que Os Lusíadas tinha nove cantos queria aproveitar estas férias para ler o décimo. Em vez disso tem passado os dias a vasculhar no jipe. Compreende-se que esteja zangado.»Rogério da Costa Pereira: «[...] Devo trabalhar em comarcas de excepção [...] porque só esta semana — e aqui também ainda é Agosto — já consultei e fotocopiei processos em duas comarcas diferentes; recebi, só hoje, três notificações de duas comarcas distintas, as quais vinham acompanhadas dos respectivos despachos. E, veja lá, um dos despachos até ordenava a realização de uma perícia – e nada impediria o laboratório solicitado de a realizar durante o mês de Agosto. [...]»Rui Herbon: «[...] Miguel Frasquilho, a propósito do crescimento de 0,3% do PIB: Portugal “anda à boleia da economia europeia.” Como país pequeno e periférico, andaremos sempre à boleia, mas preferiria Frasquilho que fosse do Burkina Faso, sem desprimor para o país da África Ocidental? [...]»Sofia Loureiro dos Santos: «Descubra as diferenças».Tiago Julião: «[...] Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. [...] Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. [...]»Vera Santana: «[...] Um silêncio não é não comunicação mas sim comunicar que se não quer comunicar. [...]»Etiquetas: Legislativas 2009, SIMplex

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